“Jesus declara: ‘Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.’”
João 11:25
É isso que a passagem diz, e isso é muito, muito estranho, pois fala da ressurreição de Cristo. Claro, não seria estranho encontrar aquilo fora de contexto no arquivo de uma criança de um orfanato católico, isso se aquele arquivo não fosse o meu. Isso se eu não tivesse ressuscitado, assim como Jesus Cristo. Procurei no computador, mas não achei outro resultado além daquele arquivo específico.
Provavelmente não significava nada… Né? Então por que eu tinha a sensação de que já havia visto antes? E nem estou falando da Bíblia, mas de um lugar tão estranho quanto aquele. Mas onde era…? Eu não conseguia tirar aquilo da minha cabeça, tentei me distrair com as crianças, mas assim que entrei no carro pra ir pra casa, voltei a pensar, e passei o resto da noite assim.
— O que você tem? – Irmã Janice perguntou depois de eu ter ficado extremamente quieto durante o jantar.
— Hm? Nada.
— Você parece distante. Estava lendo arquivos de novo?
— Sim.
— Agora você entende o quão difícil é criar órfãos? Muitas crianças tem problemas que nem conseguimos imaginar como um adulto passaria por eles, quanto mais alguém tão jovem. E como padre, você nem precisa lidar com isso tanto quanto as freiras, mas já consegue ter uma ideia.
— É, eu sei. – Me aproximei, me ajoelhando na frente da cadeira de rodas pra pousar minha cabeça em seu colo. – Me perdoe por não ter reconhecido seu esforço no passado.
— Tudo bem, querido. – Ela acariciou meu cabelo. – Eu nunca esperei reconhecimento das crianças, mas fico feliz por você ser um dos poucos que o fizeram. – Tossiu. Falar muito não era bom pra ela, mas ela insistiu. – Mas vou te contar um segredo.
— Depois da sua nebulização. – Falei, me levantando.
— Não, ouça. – Ela colocou ambas as mãos nas minhas bochechas, me fazendo encará-la. – De todas as crianças que estiveram sob meus cuidados, você sempre foi o meu preferido. – Meus olhos se encheram de lágrimas. Era tão bom ouvir aquilo, e acho que… Eu acho que aquele era o amor que tanto procurei. O amor de uma família, de uma mãe. E eu não sei como me sentiria depois que a perdesse.
— Obrigado, mãe. – Beijei sua testa, então a levei pro quarto pra que ela fizesse a nebulização enquanto eu lavava a louça. Após terminar, fui vê-la novamente, antes de ir pra cama. – Tá tudo bem?
— Sim.
— Não precisa de um cobertor?
— Não, a temperatura tem ficado mais amena. Mas… Acho que preciso de mais um travesseiro.
— Tá bom, vou pegar um pra você. – Andei até o armário, onde ela mantinha um travesseiro extra para quando o outro estava pra lavar, e, assim que abri a porta e olhei pra prateleira de cima, lembrei.
João 11:25, estava escrito num pen drive dentro de uma caixa. O que aquilo significava? Será que era lá que ela mantinha os arquivos sobre os Neumann? Mas aquela passagem… Era sobre ressurreição. Então o que será que aquilo significava?
— Elliot? – Ela chamou, e eu voltei a mim.
— Desculpe, eu estava vendo se não estava com cheiro de guardado. Não tá, então pode dormir nele. – Coloquei o travesseiro sob sua cabeça, e a encarei por um instante.
— O que foi?
— É que… Hm… – Suspirei. Bem, ela estava sendo muito boa comigo, então era melhor eu perguntar. – Eu li meu arquivo.
— Leu?
— Sim. Ainda não consigo me lembrar da maioria das coisas sobre o acidente, mas lembrei de algumas partes da minha infância. Mas tinham algumas partes faltando.
— Sobre os Neumann, eu sei. Tivemos que nos livrar dos registros… Por causa do acordo.
— O que aconteceu com eles? – Ela suspirou e olhou pro armário, então desviou o olhar, focando na cadeira de balanço onde deixava sua cesta de lã.
— Foram deletados.
— Ah. – Então realmente não tinha como eu saber o que aconteceu. Bem, não importava. Ela e Edwin provavelmente foram os responsáveis por escrevê-lo na época, então eu deveria confiar no que eles me diziam e no que eu lembrava. Mas por que eu ainda tinha a sensação de que faltava algo…?
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Sawdust
TerrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
