Mas o que foi que aconteceu ontem à noite? Acordei na minha cama, vestindo o meu pijama, mas nem lembro de como cheguei em casa. Minha cabeça estava doendo muito, e tinha gosto de vômito na minha boca. Eu vomitei…? Ai, meu Deus, eu lembro. Eu vomitei no colo do Owen. Jesus, eu tava muito bêbado e a Irmã Janice me viu daquele jeito, eu tô tão encrencado…
Me ajoelhei ao lado da cama para rezar, passei um bom tempo pedindo perdão a Deus pelos meus pecados antes de ir ao banheiro para lavar a boca e tomar um remédio pra dor de cabeça. Será que eu deveria tomar meus outros remédios? O psiquiatra falou que eu não podia consumir álcool, talvez tenha sido por isso que eu fiquei bêbado tão rápido… Decidi não tomá-los naquele dia, por não saber que tipo de reação eu teria. Agora eu precisava fazer o café da manhã pra irmã Janice e… Mas peraí, e o Owen?
Ele não estava dormindo na sala, e nós não tínhamos um quarto de hóspedes. Bem, talvez ele tivesse dado um jeito de voltar pra ocupação. Enfim, antes de tudo eu tinha que limpar o vômito do carro. Estranhei a porta da garagem estar trancada, eu nunca fazia aquilo. Assim que a abri, pude ouvir um ronco vindo de dentro do meu carro e quando fui checar, vi Owen dormindo no banco de trás, com os pés pendurados pra fora. Ele roncava bem alto, e babava sobre a almofada que havia sido tirada do meu sofá, era uma cena terrivelmente engraçada. Queria poder tirar uma foto, mas não fazia ideia de onde estava o meu celular.
Mas o que ele estava fazendo ali? Enfim, eu tinha que limpar o banco da frente, ou o cheiro ia me incomodar por um bom tempo. Mas após abrir a porta, devagar pra não acordar o Owen, percebi que já estava limpo. Foi ele que limpou? Bem, acho que ele não ia querer dormir num lugar que cheirava a vômito. Mas por que ele estava lá, hein?
— Bom dia. – Falou, me pegando de surpresa ao segurar meu braço enquanto eu estava saindo do carro.
— Bom dia. – Ele me soltou apenas pra limpar a baba do rosto, grunhindo. – Dormiu bem?
— Sim, foi a melhor noite que eu tive depois que eu ressuscitei.
— No banco de trás de um carro?
— Bem, não tinham fantasmas me acordando o tempo todo.
— Mas por que não dormiu no sofá?
— Aquela freira não disse nada, mas aposto que ela me reconheceu. Ela falou que não confiava em mim e que eu deveria dormir na garagem.
— Ai meu Deus, eu sinto muito. Se eu não tivesse ficado tão bêbado, você teria dormido no sofá.
— Se não tivesse, eu não estaria aqui. – Ele finalmente saiu do carro, e eu fiz o mesmo. – Mas olha, ao menos ela não me botou pra fora no meio da noite, em um lugar desconhecido. E eu tomei banho de graça.
Ele se espreguiçou, o que fez a camiseta que estava usando subir, deixando sua barriga exposta. Pude ver a trilha de pelos que iam até o umbigo, cobrindo a pele da virilha que ficou exposta pela calça de moletom, larga demais pra ele. Ele não estava usando cueca, e quando olhei mais pra baixo, pude ver aquele formato sob o tecido. Meu Deus, me perdoe… Arfei, virando a cabeça pra disfarçar minha vergonha.
— Essa roupa é minha?
— Sim, a minha tava cheia de vômito, daí precisei pegar emprestado. Mas a sua calça ficou meio larga, deve ser por causa dessa sua bunda grande.
— Não olhe pra minha bunda! – Ele riu.
— Impossível, ela é grande e mais macia que eu me lembrava.
— Como sabe disso?!
— Eu toquei seu corpo todo ontem.
— Peraí, a gente…? Meu Deus, não acredito que além de ter ficado bêbado, falhei com o meu celibato! – Riu mais alto que antes, o que me irritou.
— Calma, eu só ajudei a freira a te dar banho. Seu cu continua intocado. – Suspirei, aliviado. Ao menos não fiz nada tão ruim assim… – Mas nós nos beijamos.
— Que?!
— Na verdade você que me beijou, a gente só não foi mais longe porque eu não tava a fim de foder um bêbado. – Ai Senhor, inacreditável! – Mas se quiser transar agora que tá sóbrio… – Se aproximou, e meu primeiro reflexo foi de dar um tapa na cara dele. – Ai!
— Mesmo se eu não fosse celibatário, eu não iria pra cama com você novamente! – Riu.
— Você tinha que ver a cara que você tá fazendo!
— Tá tentando me provocar?!
— Elliot. – Irmã Janice me chamou. Estava parada na porta, usando uma bengala para ajudá-la a se apoiar.
Como em todas as manhãs, ela não usava o véu, então seu cabelo cinza e ralo estava à mostra. Tem caído bastante ultimamente… Ouvi Owen bater as costas no carro, e finalmente notei o quanto sua respiração estava pesada. Seu rosto ficou pálido, demonstrando um pavor evidente. Eu já o tinha visto assim antes. Quando percebeu que não podia me matar, quando sua mãe me viu, e quando estava em pânico por causa de fantasmas no dia que nos reencontramos. Mesmo em sua execução, ele não tinha aquela expressão. Eu sabia que era medo.
— Bom dia, Irmã. – Falei. – Tem algo que você queira?
— Explicações. – Ah não, que encrenca… – Mande o seu “amigo” embora agora pra gente poder conversar.
— Tudo bem, deixa eu só… Por favor, não fique de pé por muito tempo, espere na sala. Eu vou resolver isso.
— Faça rápido. – Ela saiu e eu olhei pro Owen novamente, que ainda a encarava com os olhos arregalados.
— Você tá bem? – Perguntei, e acho que aquilo o fez voltar à realidade. Ele fechou os olhos e respirou fundo.
— Sim.
— Tem certeza?
— Tô bem, ela só me deu um susto.
— Ok… Desculpa, mas será que você pode ir?
— Claro, não quero mais ficar aqui.
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Sinto muito pela demora gente, eu precisei ficar off por causa da morte da minha gatinha, e não era nem pra eu estar postando hoje pq preciso estudar, mas como já atrasei, não quis deixar vocês esperando. Nessas próximas 2 semanas vou precisar ficar off pq tenho 2 concursos pra fazer também, vejo vocês em breve
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Sawdust
HorrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
