— Ops, fui descoberto.
— Tava óbvio, eu só pensei que estivesse ficando maluco de novo e por isso não te confrontei desde o início. Mas como isso aconteceu?
— Vai saber. Eu não só lambi sua porra, como também seu sangue acabou espirrando na minha boca pelo menos duas vezes. – Eu ainda estava na dúvida, ainda com medo de que o tal Daryl estivesse brincando comigo, mas aqueles detalhes… Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração pareceu que ia parar de bater. Deixei o coelho cair no chão e ergui as mãos para tocar seu rosto, eu tinha que saber se ele era real. – O que foi, por que está chorando?
— É você… É mesmo você.
— Sim, sou eu. Você me infectou e agora somos iguais. Mas para de chorar, por favor. – Ele se aproximou, levando os lábios aos meus, mas eu recuei.
— Não.
— Ah é, você tá com essa coisa de celibato agora. Eles estão te fazendo lavagem cerebral, sabe…
— Não estão, eu disse que foi minha escolha.
— Por que você escolheria algo que te faz esconder quem você é?
— Porque eu tava cansado, tá bom? Estava cansado de me machucar, eu… Eu estou cansado. Você me machucou muito, Owen, eu não sei como eu consegui sair daquela clínica psiquiátrica depois do que você fez comigo. O pessoal do orfanato, da igreja… Eles são minha família! Se não fosse por eles, eu ainda estaria internado- Não, eu estaria na cadeia.
— Eu sei, aquele seu advogado era muito bom. Mas ser grato é uma coisa, se machucar por causa deles é outra.
— A dor é mais suportável do que a que você me causou.
— Viu, era por isso que eu não queria que você descobrisse quem eu era…
— Então por que não foi embora assim que me viu? Aliás, por que veio pro Arizona, pra começo de conversa?
— Eu não podia ficar no Texas, e você sabe o motivo.
— E tinha mais 48 estados pra ir. Você sabia que eu havia crescido no Arizona e que eu havia voltado pra igreja pra virar padre!
— Tá bom, pode ser que eu tenha escolhido vir pra cá pois eu não conseguia pensar em outra pessoa pra me ajudar a não ser você… Mas quando cheguei aqui eu não fiquei te procurando, e até evitei os lugares onde achei que você estaria. Nosso encontro foi coincidência.
— Para de mentir.
— Eu não tô mentindo, sério mesmo. Você pode perguntar pros fantasmas.
— Que fantasmas? Do que você tá falando?
— Ah é, eles vão embora sempre que você tá perto. Mas se eles aparecerem de novo, pode perguntar. Você provavelmente consegue ver também, né? – Franzi a testa. Sério mesmo?!
— Eu nunca vi fantasma algum.
— Não? Que merda, parece que eu sou o único fodido. – O encarei por um instante, ainda tentando entender se ele estava brincando comigo ou não. – Já acabou? Posso comer meu coelho agora?
— Quer saber, eu não tô nem aí. – Tirei a sacola do meu ombro e a joguei no chão, bem em cima do coelho morto. – Trouxe prego, serra, lápis, papel, tudo o que você precisa. Faça seu trabalho, consiga um emprego ou não, não é da minha conta. Apenas suma da minha frente, eu estou indo muito bem sem você e não quero cair naquele buraco novamente.
— Você tá vivendo uma mentira, Elliot. Acorda.
— Eu prefiro viver uma mentira do que apenas tentar sobreviver no seu porão.
— Eu não quero mais te prender ou te matar, quero que você viva. Que viva de verdade, como a pessoa que você é.
— Adeus, Owen. – Falei, ao sair pela porta… Mas eu olhei pra trás.
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Sawdust
TerrorApós afogar as mágoas na bebida por conta do término de seu namoro, Elliot Taylor acorda nu em uma oficina de marcenaria. Ele tenta lembrar o que aconteceu e, ao conhecer o belíssimo marceneiro, tira a conclusão de que dormiu com ele na noite anteri...
