BIANCA 🧿
A noite tava fresca, calçada úmida da chuva que caiu mais cedo. Eu já tava ali na frente de casa com a Gaby, Letícia e Bruna cada uma na sua cadeira, copo de cerveja na mão e cigarrinho rodando entre nós. Maria tava lá dentro dormindo, e eu tava com a babá eletrônica vigiando ela.
Gaby, como sempre, foi direta:
- E aí, mona tu vai voltar pro Relíquia ou vai ficar nesse chove-não-molha com o Biel?
Eu ri de canto, mas suspirei fundo
- Mano... eu não sei. De verdade. Eu ainda amo ele, Gaby. Por mais que ele tenha feito tudo que fez... traição, briga, até me bater, e todo aquele ciúme doentio dele... é o pai da minha filha, sabe? Eu ainda tenho aquela vontade de ter minha família de volta.
Letícia olhou pra mim com aquela cara de quem não aprova muito:
- Mas, amiga... tu sabe que ele não vai mudar, né? O Relíquia é daquele jeito desde sempre. E bandido, quando não mata, machuca.
- Eu sei, Le... - falei, olhando pro chão. - Só que... sei lá. Quando ele tá perto, parece que eu esqueço de tudo. É como se só existisse eu e ele. E aí vem o Biel, carinhoso... mas não é a mesma coisa.
- Tu nem conhece o bofe direito, vai que ele mostra ser uma coisa uma que não é, sei lá não confio muito. -Bruna falou.
Gaby já se meteu, balançando a cabeça:
- Ai, Bi... mas tu também gosta da adrenalina, né? Não vem mentir pra nós, não. Com o Biel tu nem ia ter paz demais, e tu não sabe viver sem emoção.
Eu ri, meio sem graça.
- Talvez... mas também... sei lá. Eu olho pra Maria e penso que ela merece ter os pais juntos, que ela vai crescer vendo eu e ele se entendendo.
- Ou vai crescer vendo tu chorando - Letícia rebateu na lata. - Tu lembra daquela vez que vocês brigaram? Tu veio aqui na minha casa com o olho roxo, Bi.
Silêncio por uns segundos. Eu dei mais um gole na cerveja e balancei a cabeça.
- Eu lembro. E eu me odeio por ainda sentir isso por ele. Mas o Relíquia... ele mexe comigo de um jeito que eu não consigo explicar.
Gaby acendeu outro cigarro e falou, soltando a fumaça devagar:
- Tu tá no dilema de todas as mina que se envolve com bandido, Mona. O coração quer, mas a razão sabe que vai dar ruim.
John chegou rebolando como se estivesse na Sapucaí, bermuda apertada, camisa aberta no peito e um cheiro de perfume doce que dava pra sentir da esquina.
- Olha quem resolveu dar o ar da graça! - Gaby gritou. - Pensei que tinha morrido, viado.
- Morri e ressuscitei, amor - ele respondeu, jogando um beijo no ar. - Tava sumido porque o amor me derrubou... mas agora eu tô solto no mercado de novo.
Letícia já emendou:
- Ihhh, lá vem história. Aposto que foi chutado.
- Chutado, não - John fez um biquinho dramático. - Eu me retirei porque não suporto homem que não sabe valorizar uma boneca como eu.
Eu tava rindo, bebendo, e falei:
- Traduzindo: tomou chifre e tá bancando o orgulhoso.
- Ai, Bianca, vai tomar no cu. - ele riu. - Pelo menos não deixo nenhum macho ficar me esculachando né.
Todo mundo começou a rir, inclusive eu, que joguei o pano de leve:
-Ta viajando viado, nenhum bofe me usa mais não, eu que uso eles! Clarinho que sim.
- Ahhh, cala a boca, biscate! - ele gargalhou, me abraçando por cima. - A gente é igual, amiga. Só muda o CEP.
Gaby quase engasgou com a cerveja:
- Muda o CEP nada, vocês dois são 100% novela mexicana. Drama, choro, amor proibido e final trágico.
John já puxou outra cadeira, sentou todo espalhado e começou:
- E aí, qual vai ser amanhã no baile? Vou meter um cropped neon e shortinho. Quero brilhar mais que a estrela de Belém.
Letícia debochou:
- Tu vai brilhar mesmo é com a luz do carro da PM, viado. Amanhã vai tá pesado o bagulho.
- Ai, amor, mas se for pra morrer, que seja lindo - John falou, dramático, batendo a mão no peito.
Eu tava lá, só observando o John se ajeitando todo na cadeira, quando o barulho da moto aumentou. Relíquia parou bem na frente, fuzil atravessado, aquela cara fechada que ele sempre bota quando tá "na rua".
GW desceu pra falar com a Bruna, e entregar o remédio e o Relíquia ficou ali... do jeito dele, olhando pra todo mundo mas com aquele foco em mim que parecia querer me despir e me matar ao mesmo tempo.
John arregalou o olho e, sem perder tempo, cantou alto, bem debochado:
- ♪ E aí, fiel... adorei seu marido... esculachou! ♫
Todo mundo começou a rir, até Gaby cuspiu a cerveja. Eu fiquei vermelha na hora e falei:
- Caralho viado tu é insuportável.
Ele me ignorou completamente, olhou pro Relíquia de cima a baixo e soltou:
- Que isso, gente... que preto gostoso! Pra mulher que merece, né, lógico.
Relíquia só levantou a sobrancelha, sério, mas eu vi o canto da boca dele querendo subir.
John não parava:
- Oi, amor... dormiu bem? Tava com saudades... vai lá em casa mais tarde, prometo que não conto pra Bianca.
Gaby já gritou:
- Menino! - mas rindo também.
Eu falei:
- John, tu quer morrer? - e dei um tapa nele.
Ele fez pose dramática:
- Ai, mas se for pelas mãos desse homem, eu morro feliz.
Relíquia olhou pra mim, deu um sorrisinho de canto e falou baixo:
- Tu só anda com doido, né mina?
VOCÊ ESTÁ LENDO
BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
