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BIANCA 🧿

Ajudei a arrumar a bagunça que ficou na casa da minha sogra, depois o Gabriel me levou pra casa, tava muito cansada, e a Maria agoniada pra dormir.

—Da próxima vez que alguma putinha tua, ficar de gracinha quando eu passar vou arrastar a cara dela no asfalto, vou quebrar ela todinha. -falei assim q eu entrei em casa, guardei isso o dia todo.

—Iih qualfoi já chega assim tu, calma ae pow. -respondeu

—Por causa de que, quando eu passo fica de graça, hoje teve a sorte de me pegar na paz. -falei

—Ta malucona tu, sei nem doq tu tá falando pprt. -Gabriel falou sentado no sofá, mexendo no celular nem dando muita atenção.

—TEU PROBLEMA É ESSE, ME TIRA SMP COMO A MALUCA, A DOIDA. NÃO SABE DE QUAL PIRANHA EU TO FALANDO NE, TEM TANTAS POR AÍ. -gritei já estressada.

—Ta alterando a voz por que, tu? Faz eu perder a linha contigo aqui não. Já tô cheio de proprema eu. -levantou já puto, ficando frente á frente comigo, dei um passo pra trás meu cu trancou sorte que a Maria se assuntou e começou a chorar em meus braços.

—Deixei logo avisado, quando eu pegar vai ser sem pena. -falei e subir pro quarto p acalmar a Maria e colocar ela pra dormir.

Enquanto o silêncio tomava conta do quarto, minha mente estava cheia de perguntas, e uma delas martelava cada vez mais forte: será que ele estava mesmo com a piranha da Vanúbia? Será que ele tinha outras? Algo dentro de mim dizia que eu não estava vendo tudo o que realmente acontecia. 

A raiva foi tomando conta novamente. Levantei da cama, tentei não fazer barulho, mas não consegui. Fui até a sala, onde Gabriel estava sentado no sofá, com o celular na mão, e sem nem perceber que eu estava ali. Ele já estava com sono, mas o celular ainda estava nas mãos dele. 

Peguei sem fazer com que ele percebesse.

Fiquei com o celular na mão e senti meu coração bater mais rápido. Como se uma força invisível estivesse me empurrando a fazer aquilo.

Eu já sabia o que ia encontrar, só não sabia até que ponto ele tinha me traído. Quando abri as mensagens, o que eu vi foi um choque: 

Mensagens de várias minas. Mais de cinco. Todas com aquele papo de "oi", "saudade", "quando a gente se encontra de novo", e claro, a Vanúbia não podia faltar. Tinha uma mensagem dela que me fez quase perder o controle: 

+55 21 ******** : "Vem logo me ver, amor tô te esperando". 😮‍💨❤️

Respirei fundo e olhei pra ele. Ele ainda estava dormindo, e eu não sabia o que fazer. Minha mente estava em turbinada, mas não podia explodir agora, eu estava acabada por dentro, mas já era tão óbvio assim.

Mas por enquanto, tudo que eu podia fazer era ficar quieta, eu ainda amo ele.

Voltei pro quarto

Eu fiquei ali, olhando a Maria Giulia dormir, a casa silenciosa e, ao mesmo tempo, um caos dentro de mim. Eu não conseguia tirar a imagem da Vanúbia naquela tarde da cabeça.

Aquelas palavras... tão leves, tão vazias, e ainda assim, tão profundas, me atingindo com uma verdade cruel que eu já sabia, mas que nunca quis aceitar completamente.

Me sentei na cama, olhei o rosto da minha filha e comecei a pensar sobre tudo o que minha vida tinha sido até agora. Acordava todos os dias sem saber o que esperar, nunca sabendo se o Gabriel ia voltar, se ele ia me procurar, ou se ia sumir de novo com alguma das outras. Porque, na real, eu já sabia: ele nunca foi só meu.

Eu me perguntava o que estava fazendo. Por que ainda estava ali, tentando fazer as coisas funcionarem, tentando acreditar em um homem que nunca iria ser o que eu queria. O que eu esperava dele? Eu sabia a resposta, mas não queria aceitar: nada. Ele não ia mudar. Eles nunca mudam. Eles jogam o jogo deles, e quem está com eles, acaba no meio do caos.

Eu sou mulher de bandido, e é isso que elas passam. Nunca é só flores. Sempre tem dor no meio, sempre tem traição, sempre tem a incerteza.
Sempre tem uma outra na cola, sempre tem a cobrança de ser forte, de ser paciente, de engolir o orgulho e seguir em frente.

Mas ninguém nunca fala da dor que vem por trás de tudo isso. Ninguém fala de como a gente se perde nessa história.

BIANCA 🧿Onde histórias criam vida. Descubra agora