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BIANCA 🧿
O sol já tinha se posto, mas o clima na minha casa era de verão de 40 graus, rj sendo rj. Ar-condicionado no 21, minha filha dormindo no quarto, e eu de baby doll rosa claro, corpo ainda marcado daquela noite kkk... a mente? A milhão.

Eu andava de um lado pro outro com meu copo de suco na mão, tentando entender o que tava acontecendo comigo. Biel tinha entrado como quem não quer nada e, quando vi, já tinha mexido com tudo. E o pior: eu deixei. Não era nem amor, era adrenalina. Era o perigo falando alto.

—Índia? Tá viva? —disse Gaby, entrando pela porta da cozinha com a Letícia logo atrás, as duas cheias de sacola da La Bella, rindo alto como se a vida fosse um filme de comédia.

—Qual foi, monas? —respondi sorrindo, mas meu olho já dizia que tinha coisa errada.

—Tu tá com a cara de quem pegou o bofe de novo —Letícia disse já se jogando no sofá, tirando o tênis caro, jogando pra longe.

—Papo reto, India, tu vai falar ou vai ficar aí só desfilando com esse baby doll que mais parece farda de guerra? —Gaby falou me olhando de cima a baixo, rindo, mas já sacando que eu tava esquisita.

Me sentei ali com elas, suspirei fundo e falei:

—Depois do jantar com o Biel, eu jurei que ia cortar... mas ele apareceu aqui DO NADA, Gaby! Tu acredita nisso?

As duas arregalaram o olho.

—Mentira! —Letícia quase engasgou com o Trident.

—Mentira nada, mona. Tava eu aqui, plena, Maria dormindo, shortinho no meio da bunda, e o bofe batendo no portão com aquela cara de quem sabe que vai bagunçar tudo.

—Aí eu sei como tu fica —Gaby disse e gargalhou —A calcinha já se joga sozinha no chão, né?

—Que ódio! Eu fiquei nervosa, mas... o jeito que ele fala, o perfume, a presença... Me encostou na parede, disse que sonhou comigo, que tava com saudade da minha boca. Tu acha que eu resisti?

—Óbvio que não resistiu, tu é fraca por chefão —Letícia falou tirando onda.

—Cês não tão entendendo... Aquele homem é treta, mas é uma treta que me dá paz. Tipo, ele me joga no caos, mas com cuidado. Me levou pro quarto, tirou minha roupa como se fosse a última vez que ia me ver.

—Ih, lá vem cena de novela —disse Gaby, se abanando com a unha de acrigel.

—Na moral, a gente se pegou como se o mundo fosse acabar. Depois ele ficou deitado no meu peito, falando que ninguém toca nele como eu, que se arrepende de ter deixado eu me envolver com outro.

—Relíquia vai matar ele.

—Relíquia que lute. Ele me perdeu quando começou a me tratar como lixo. Biel chegou com carinho, me tratando como mulher, não como posse.

Gaby se ajeitou, séria:
—Tu só não pode esquecer que o bagulho entre eles dois é guerra, Índia. Tu é o motivo agora. Tu não é mais só a mãe da filha do Relíquia. Tu virou a mulher que mexe com dois donos de favela.

—Casca grossa isso, e tu ama —Letícia completou —Tu ama ser o centro do caos, a protagonista da novela das oito, e com razão. Tu é a Índia pow.

—Né segredo, eu amo mesmo —falei rindo —Amo essa vida de ser mulher de bandido, de tá no corre, no luxo, cheia de roupa de grife, com ar-condicionado em todo cômodo, com as monas que tão sempre comigo.

As três rimos alto. Mas no fundo, a gente sabia. A qualquer momento, o mundo podia virar. Biel e Relíquia no mesmo território era morte anunciada. Mas eu já tava no jogo. E quando a Índia entra no jogo... ela joga pra vencer.

BIANCA 🧿Onde histórias criam vida. Descubra agora