BIANCA 🧿
Quando o juiz apitou o fim do jogo, o campo foi abaixo. Parecia que o Flamengo tinha ganhado a Libertadores, mermão. O povo gritava, soltava fogos, levantava criança pro alto, a Maria mesmo quase foi jogada pra lua se eu não pego ela pela camisa, kkkkk.
Eu tava ali, rindo, bebendo, quando vejo duas figuras vindo lá de longe, rebolando mais que andando.
— Olha quem deu as caras, hein — falei alto, levantando o copo. — As sumidas!
Letícia veio com aquele shortinho microscópico, manto do flamengo cabelo preso só de um lado, toda debochada:
— Que foi, porra? A gente teve que resolver um babado lá no vasco!
— Aonde tem b.o, Letícia tá junto né. —jonh falou, dando um trago no cigarro dele.
— Por causa de que, eu sou advogada né viado kkkkkkk. -ela respondeu
— Olha pra doutora Deolane. -Bruna falou
Gaby já chegou abraçando Maria:
— Cadê minha afilhada linda da titiaaaa? -ficou da altura dela, e deu um abraço e depois um beijo, e Maria saiu correndo, com a batatinha que ela veio pegar na mesa.
Aí pronto. O bonde fechou.
Bruna já barriguda encostada no John, Letícia falando alto, Gaby inteira no agito, e eu... daquele jeito, plena.
E como se não bastasse, Laysa brota do nada igual entidade.
— Aí, porraaaa, cheguei, caralho! — ela gritou, abrindo os braços.
— Tava onde, filha da puta? — Letícia perguntou, já rindo.
— Dormindo, né? Fui acordar agora! Com essas porra desses fogos. — Laysa tava toda lesada, parecia que tinha vindo direto de um portal, kkkkk.
— Já veio atrás do gelo né, piguça. -John falou.
— Lógico né viado, vou logo pegar o meu copo, clarinhoooo, já no esquenta de amanhã. —falou, pegou um copão na mesa e colocou gin, red bull fez a mistura louca dela lá.
Quando o jogo acabou, os meninos da organização puxaram o som. A caixa começou a tremer, o grave batendo tão forte que dava pra sentir no peito.
— AGORA É BAILE, PORRAAAAA! — gritou alguém, e aí pronto.
As monas TODAS começaram a rebolar, jogar avanço, jogar cabelo pra um lado e pro outro. Até Bruna, com aquele barrigão de 7 meses, tava dando a reboladinha dela de leve, toda cuidadosa.
— Daqui a pouco a criança nasce sambando.
O som tava estralando:
"LANÇA DA FADINHA AQUI NO JACARÉ..."
As meninas gritaram, e começou a palhaçada.
Gaby descendo até o chão, Letícia quase caiu porque tava bêbada, e Laysa rebolando igual que não tinha osso na cintura.
— Bianca, tua amiga tá possuída — Bruna falou de longe, gargalhando.
— Sempre foi, amor. — respondi, jogando o cabelo.
Gabriel tava ali de canto, posturado e calma, mandando os passinho de leves, me olhando fixamente dançar com aquela cara dele de macho safado. Os parceiro dele, tudo de fuzil pro alto balançando.
As meninas gritavam:
— AÍ QUE ESSA É A ÍNDIA, MINA QUENTIII CARALHOOOOO!
Era aquele caos perfeito.
O som bateu mais alto ainda, aquele grave que treme a alma e o chão junto. Os bofes começaram a fazer as jogadinhas, aquele passinho sacana, cordão balançando, beck passando de mão em mão como se fosse bala.
Um dos vapores gritou:
— LANÇA NA MÃO, PORRA! LIBERA O CHEIRO AÍ!
E veio aquele borrifo gelado no ar, o cheiro doce estourando no nariz de todo mundo.
O povo gritava, as meninas riam, copão de gin, vodka, skol beats, energético, tudo na mesma mesa improvisada de caixa de engradado.
Eu tava ali com meu copão rosa neon, Letícia com um azul, Gaby com um verde horroroso que brilhava no escuro, mas ela amava.
Do nada, Maria, que tava quietinha brincando com outra criancinha, correu pra perto da gente. A música trocou pra uma batida mais rápida, e ela fez o quê?
Botou a mãozinha no joelho.
ARREGANHOU UM SORRISO.
E começou a chacoalhar do jeitinho torto dela, e ainda olhava pra trás, eu que tava dançando vi a cena, parei, rir, neguei com a cabeça e voltei a dançar.
Gaby virou na hora:
— AÍ MEU DEUS, GABRIEEEEL! OLHA A TUA FILHA, PORRA!
As meninas TODAS caíram pra trás de rir.
Até eu me engasguei no copo.
— Ah não, gente, essa menina puxou QUEM? ELA PINTAAAAA— falei, gargalhando.
Maria nem olhou pra gente. Ficou lá, mão no joelhinho, descendo UM DEDINHO, achando que tava arrasando no baile.
Gabriel tava do outro lado, encostado com os manos, beck no dedo, rindo de alguma besteira.
Quando ouviu Gaby gritar, ele virou pra ver.
A cara dele FECHOU na hora.
Cruzou os braços e ficou olhando pra ela.
— Olha Maria, teu pai te olhando mona. —Gaby falou batendo no ombro dela.
— Tô nem aí, "bona" —ela falou, jogou o seu mini muco e voltou a dançar kkkkkkkk
— Abusadíssima essa aí. -Bruna falou, rindo.
Ele ficou olhando com cara de pai ciumento, apertando a testa, bufando, quase indo lá buscar a menina. Um bofe, se aproximou dele e falou algo com ele, que riu de canto e coçou a cabeça.
Mas Maria tava tão feliz, tão concentrada na dancinha dela, que ignorou ele lindamente.
Letícia gritou:
— PUXOU A QUEM, BIANCA? KKKKKKKKK
— A mim não foi — respondi debochada, bebendo. — Eu danço bonito, ela dança igual um bonecão do posto, kkkkkkk.
Bruna, sentada com barrigão enorme, deu um tapa no joelho de tanto rir:
— Vei, olha isso, a bebel dançando mais que eu grávida!
E eu ali, rindo, bebendo, botando avanço junto com minhas monas enquanto o cheiro de lança misturava com o de maconha, enquanto o campo inteiro virava baile, enquanto as luzes dos celulares piscavam, enquanto os fogos estouravam ao fundo.
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
