BIANCA 🧿
—Caralho, abre essa porta aqui, Bianca! —ele me gritou lá de fora, batendo forte, o barulho seco ecoando pelo beco.
Tava de boa fazendo meu almoço, aí do nada esse maluco aparece, eu hein.
Corri até a porta, Maria no sofá assistindo "Galinha Pintadinha" no celular, toda abusada chupando chupeta. Abri.
—Iih que foi, bofe? —falei, cruzando os braços.
Ele entrou sem pedir licença, só empurrando com o ombro. Estava sem blusa, tatuagem até no pescoço, com um baseado na orelha e um fuzil atravessado no peito. O cheiro de pólvora e suor tomou a casa. A cara dele era séria, parecia que o mundo tava desabando.
—Faz comida aí, tô numa larica do caralho mané —falou seco, jogando o fuzil em cima da mesa como se fosse um boné.
—Ah lá, cara. —Rir nem acreditando, no que tinha acabado de ouvir. -Tá achando que aqui é oque? Nem te dou confiança, abusado. —rebati, já olhando torto.
—Bianca, não fode, porra. Passei o dia todo resolvendo bagulho. Só probrema, tá ligado? Canas querendo subir, botei barricada em tudo que é entrada, já deixei o pagamento pros vermes... papo de um milhão, mas dinheiro pra nós é lixo preta. E tu vem me cobrar prato de comida?
—Problema é o que tu arruma, né —falei, indo até a cozinha só pra pegar um copo d'água, mas sem desviar o olhar dele.
Ele tirou a pistola da cintura, botou do lado do fuzil e se jogou no sofá. Maria olhou curiosa, mas continuou vidrada no desenho.
—E qual foi essa tua marra? —ele falou, olhando de rabo de olho.
—Marra nada, só tô lembrando o que tu fez. —Apoiei o copo no balcão. —Ontem tu pegou minha filha e deixou com quem? Com a Talita, né, Gabriel? Te mandei mensagem a beça e tu se fez de maluco.
Ele se ajeitou no sofá, ajeitando o cordão grosso de ouro no peito.
—Ah, não vem tu com essa merda agora, Bianca. —Ele passou a mão no rosto. —Eu tava resolvendo uns bagulho, pedi pra mina segurar rapidão, qual foi?
—Qual foi? —bati a mão na pia, o barulho ecoando. —Tu deixou a Maria com a piranha do morro, caralho! Tá maluco? Tu me respeita, respeita tua filha! Tu acha bonito isso?
Ele riu de canto, aquele riso debochado que só piorava minha raiva.
—Caralho, Bianca. Sempre a mesma ladainha. Quer arrumar briga por tudo.
—Não é briga não, Gabriel. —Cheguei mais perto dele, dedo em riste. —Tu me tirou pra maluca. Eu não sou essas mina que tu pega e larga, não. Eu sou mãe da tua filha! Tá ligado o que é isso?
Maria olhou pra gente, tirando a chupeta da boca.
—Mamãe... —ela chamou baixinho.
—Fica tranquila, filha, não é contigo não —falei, respirando fundo.
Gabriel levantou devagar do sofá, e eu vi nos olhos dele que a paciência tava acabando.
—Bianca, já falei, não fode. Eu odeio que falem mais alto que eu, tu sabe disso. —Ele chegou perto, a mão no meu braço, firme. —Tu vai abaixar esse tom comigo.
—Eu não vou abaixar porra nenhuma, Gabriel! —bati a mão no peito dele. —Tu quer respeito, mas não respeita nem tua filha! Deixar com aquela fudida, mano, isso não existe.
Ele respirou fundo, fechou o punho. Eu juro que achei que vinha um tapa. Mas em vez disso, ele pegou a pistola da mesa e apontou na minha cara.
—Tu tá achando que eu sou palhaço, Bianca? Hein? —ele falou, os olhos vidrados. —Quer pagar de brabona comigo? Toma no cu
VOCÊ ESTÁ LENDO
BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
