133

393 15 0
                                        

BIANCA 🧿

-Caralho, abre essa porta aqui, Bianca! -ele me gritou lá de fora, batendo forte, o barulho seco ecoando pelo beco.

Tava de boa fazendo meu almoço, aí do nada esse maluco aparece, eu hein.

Corri até a porta, Maria no sofá assistindo "Galinha Pintadinha" no celular, toda abusada chupando chupeta. Abri.

-Iih que foi, bofe? -falei, cruzando os braços.

Ele entrou sem pedir licença, só empurrando com o ombro. Estava sem blusa, tatuagem até no pescoço, com um baseado na orelha e um fuzil atravessado no peito. O cheiro de pólvora e suor tomou a casa. A cara dele era séria, parecia que o mundo tava desabando.

-Faz comida aí, tô numa larica do caralho mané -falou seco, jogando o fuzil em cima da mesa como se fosse um boné.

-Ah lá, cara. -Rir nem acreditando, no que tinha acabado de ouvir. -Tá achando que aqui é oque? Nem te dou confiança, abusado. -rebati, já olhando torto.

-Bianca, não fode, porra. Passei o dia todo resolvendo bagulho. Só probrema, tá ligado? Canas querendo subir, botei barricada em tudo que é entrada, já deixei o pagamento pros vermes... papo de um milhão, mas dinheiro pra nós é lixo preta. E tu vem me cobrar prato de comida?

-Problema é o que tu arruma, né -falei, indo até a cozinha só pra pegar um copo d'água, mas sem desviar o olhar dele.

Ele tirou a pistola da cintura, botou do lado do fuzil e se jogou no sofá. Maria olhou curiosa, mas continuou vidrada no desenho.

-E qual foi essa tua marra? -ele falou, olhando de rabo de olho.

-Marra nada, só tô lembrando o que tu fez. -Apoiei o copo no balcão. -Ontem tu pegou minha filha e deixou com quem? Com a Talita, né, Gabriel? Te mandei mensagem a beça e tu se fez de maluco.

Ele se ajeitou no sofá, ajeitando o cordão grosso de ouro no peito.

-Ah, não vem tu com essa merda agora, Bianca. -Ele passou a mão no rosto. -Eu tava resolvendo uns bagulho, pedi pra mina segurar rapidão, qual foi?

-Qual foi? -bati a mão na pia, o barulho ecoando. -Tu deixou a Maria com a piranha do morro, caralho! Tá maluco? Tu me respeita, respeita tua filha! Tu acha bonito isso?

Ele riu de canto, aquele riso debochado que só piorava minha raiva.

-Caralho, Bianca. Sempre a mesma ladainha. Quer arrumar briga por tudo.

-Não é briga não, Gabriel. -Cheguei mais perto dele, dedo em riste. -Tu me tirou pra maluca. Eu não sou essas mina que tu pega e larga, não. Eu sou mãe da tua filha! Tá ligado o que é isso?

Maria olhou pra gente, tirando a chupeta da boca.

-Mamãe... -ela chamou baixinho.

-Fica tranquila, filha, não é contigo não -falei, respirando fundo.

Gabriel levantou devagar do sofá, e eu vi nos olhos dele que a paciência tava acabando.

-Bianca, já falei, não fode. Eu odeio que falem mais alto que eu, tu sabe disso. -Ele chegou perto, a mão no meu braço, firme. -Tu vai abaixar esse tom comigo.

-Eu não vou abaixar porra nenhuma, Gabriel! -bati a mão no peito dele. -Tu quer respeito, mas não respeita nem tua filha! Deixar com aquela fudida, mano, isso não existe.

Ele respirou fundo, fechou o punho. Eu juro que achei que vinha um tapa. Mas em vez disso, ele pegou a pistola da mesa e apontou na minha cara.

-Tu tá achando que eu sou palhaço, Bianca? Hein? -ele falou, os olhos vidrados. -Quer pagar de brabona comigo? Toma no cu

BIANCA 🧿Histórias para pegar e não largar. Descubra agora