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BIANCA 🧿

Acordei toda quebrada, com aquela ressaca do caralho. O quarto tava abafado, cheiro de uísque e lança grudado na pele.

Maria tinha dormido na vó, então a casa tava num silêncio estranho, só eu e o Gabriel estirado na cama. Ele de cueca, peito tatuado, pistola no criado mudo, fumando um na janela.

Eu, deitada, só de calcinha e top, cabelo todo desgrenhado da noite, olho inchado, mas ainda assim marrenta.

— Caralho, — resmunguei — tô pá ódio de tanto beber, parece que um caminhão passou por cima de mim.

Ele riu com aquele deboche dele.
— Ah, mas ontem tu tava toda solta, queria saber de nada, se eu deixasse tu ia sair daquele camarote e ir dançar na pista, parecia que nem tinha dono pow.

Revirei os olhos e sentei na beira da cama.
— Dono? Iih, tá maluco? Tu já tá começando errado, Gabriel.

Ele apagou o cigarro e jogou na janela, veio andando na minha direção e sentou do meu lado, apoiando a mão pesada na minha coxa.

— Pô, mas tu sabe qualé, eu quero tu de volta pra mim, Bianca. Quero minha família de volta. Ontem te vendo dançar, me deu um bagulho, uma saudade do caralho.

Olhei pra ele e soltei logo:
— Saudade? Tu quer falar de saudade logo tu, que passa mais tempo sumido do que aqui comigo e com tua filha? Saudade é da rua, das amante que tu arruma em cada canto, e de me fazer de otaria né bebê.

Ele suspirou, meio puto.
— Tá de marola já. Eu tô falando sério contigo, preta. Eu errei, tá ligado? Mas tô tentando mudar, mano. Tu acha que é fácil pra mim também?

Cruzei os braços e retruquei:
— Fácil? Difícil? Foda-se, Gabriel. Tu vai ter que mostrar que realmente mudou. Não adianta vir aqui falar bonitinho tá ligado? vai ter que rebolar muito ainda pra me querer, já disse a tu.

Ele passou a mão no rosto, nervoso, mas continuou:
— Mas como tu quer que eu te mostre que mudei sem tu tá comigo? Pô, sem tu na minha cama, sem acordar junto, sem nós dois vivendo de novo... como? Pow

Soltei uma risada seca, marreta mesmo.
— O tempo vai mostrar, tuas atitudes também. Tu não precisa tá comigo pra isso. Eu vou tá vendo de longe, fio. Tu quer ser diferente? Então seja. Quero ver se tu vai segurar, se tu não vai cair na tentação de novo.

Ele ficou quieto por um tempo, só olhando pro chão, mordendo o lábio. Depois levantou o olhar pra mim, sério de verdade.

— Preta, papo reto tu é a mulher da minha vida. Eu posso ter rodado, posso ter me perdido, mas eu sempre volto pra tu. Sempre. Tu é minha base, a mãe da minha cria, a mina que eu amo. Só tu sabe meu corre, só tu me conhece de verdade cara.

Suspirei fundo, com o coração batendo forte, mas botei meu orgulho na frente.

— Eu sei, Gabriel... mas também sei que tu gosta de pagar de bandido malandro, cheio de mulher no pé. Eu não sou mais a Bianca de 1 ano atrás , eu aprendi a me valorizar tá ligado? Primeiro eu em primeiro lugar. Ou tu muda de verdade ou nós dois vamo ficar nesse bagulho eterno cá.

Ele chegou mais perto, encostou a testa na minha, voz baixa, quase implorando:

— Então me dá uma chance de provar. Não precisa dizer que voltou pra mim agora, não. Só me deixa mostrar, só não me larga de vez, preta. Caralho.

Fechei os olhos, respirei fundo, sentindo a mão dele apertando minha cintura. O coração queria ceder, mas a cabeça ainda gritava "cuidado".

— A gente vai ver, Gabriel. — falei firme. — Por enquanto é isso. Eu e tu, mas não é eu e tu. Jae?

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