91

533 23 0
                                        

BIANCA 🧿

Acordei era 10h cravado, com o celular vibrando do lado da cama. A notificação piscando era do Relíquia, como sempre querendo dar bom dia como se fosse presente de Deus. Me poupe, né? Já acordei revirando os olhos, ainda com a cara toda amassada.

Levantei devagar, joguei o cabelo pra trás e fui direto na cozinha. Maria ainda tava apagada no quarto. Depois de uma madrugada estressante, ela ficou chatinha porque tá gripada, mas hoje acordou um pouquinho melhor.

Botei um café no fogo e fiquei ali, com a cara enfiada no celular. Olhando uns stories, rindo das palhaçadas das meninas. Enquanto isso, o café subia.

Me arrumei rapidinho, porque hoje era dia de trampo e depois tinha bronze marcado.

Botei meu cropped branco, aquele que realça meu bronzeado e dá uma levantada nos peitos, calça jeans e chinelo. Simples, mas quem tem presença não precisa de muito.

Peguei a maria, mesmo dormindo arrumei ela, coloquei a bolsa dela em um ombro e a minha no
ombro, coloquei ela nos braços cada dia que passa parece que ela tá mais pesada. Desci o morro em direção da creche.

Deixei ela lá e guiei pro studio, que era pertinho um do outro, então era de boa ir andando já que não vim de moto, porque tenho outros compromissos na pista hoje.

Cheguei no trampo, bati meu ponto e fiz o que tinha que fazer. Arrumei meu cantinho, e esperei a primeira cliente, que ia ser henna, no total tinha 5 marcadas pra hoje.

Trabalhei igual gente grande, mas na mente já tava planejando o bronze.

Sai umas 13h, fui direto pro estúdio da Vivi do Bronze.

— Chegou chegando, hein, índia — ela disse, rindo, enquanto ajeitava os papeis.

— O sol tá torrando, mona. Ou eu bronzeio hoje ou viro churrasco amanhã — falei já tirando a blusa e ela veio com a fita.

Me deitei lá, bonitona, mas o sol começou a bater forte demais. O suor escorrendo na nuca e minha visão deu aquela embaralhada.

— Ih, Vivi... tô ficando meio zonza, será que é o calor? — falei com a mão na testa, me abanando.

— Relaxa, gata. Esse sol aqui derruba até marmanjo. Quer uma água gelada? — ela correu e me trouxe um copo.

— Valeu. Acho que é só fraqueza mesmo, não comi nada. — dei uns goles e respirei fundo.

Mesmo assim fui pra cabine, porque se marquei, eu cumpro. Saí de lá bronzeada, com a bunda igual dois pão doce dourado. Peguei minhas coisas e fui direto chamar um Uber, porque hoje era dia de shopping.

Entrei no Uber e pedi pro tiozinho ligar o ar.

— Tô parecendo bacon fritando nesse calor, pprt.— falei rindo. O cara só deu uma risadinha tímida.

Cheguei no shopping e já fui com sangue nos olhos. Fui direto nas lojas infantis comprar umas roupinha pra Maria, porque ela tá crescendo igual mato.

Peguei umas calça, blusinha, vestidinho, tudo da Peppa que ela ama. Depois fui nas lojas. Comprei maquiagem, salto, um vestido colado, cropped. Peguei produto de cabelo.

Na hora de pagar, só lembrei dos Pix que o Relíquia mandou essa semana. Cada dote um mais gordo que o outro. E eu sou boba? Nada. Guardo metade pra Maria, e o resto? Tôrei com gosto.

— Obrigada, amor. Tu sustenta minha beleza — falei sozinha, digitando a senha do cartão com sorriso de deboche.

Antes de sair do shopping, ainda passei na loja de brinquedo e comprei uma boneca que fala, um quebra-cabeça e uma bolsinha mini. Minha filha merece o mundo, porra.

BIANCA 🧿Onde histórias criam vida. Descubra agora