BIANCA🧿
Tava em casa, ainda processando a fofoca que tinha visto no Twitter, quando ouvi três batidas firmes no portão. Fui abrir e dei de cara com Gaby e Letícia, cada uma com um copo de mate e cara de quem tinha acabado de sair de uma reunião importante.
— Qual foi, irmã? — Gaby já entrou sem pedir licença. — Tu tá aqui em casa de boa enquanto o Twitter tá pegando fogo?
— Qual foi colega— Letícia completou, jogando o cabelo pra trás. — O bagulho tá feio. Mais duas marmitex se achando dona do Gabriel agora? Tu vai fazer a linha sonsa?
— Não tô fazendo linha nenhuma. — Falei cruzando os braços. — Tô tentando entender a porra toda.
Gaby se jogou no sofá e me olhou com aquele sorrisinho de quem já sabia.
— Entender o quê? Que o Relíquia é um vacilão? Isso a gente já sabia, feinha. Mas foda se também né.
— Mas agora tá demais — Letícia disse firme. — Além da Carla grávida, tem a Manu buceta de caixão e a outra lá da rua de cima. Tão se marcando no Twitter, postando emoji, achando que tão abafando.
Suspirei, o sangue fervendo.
— Ele me fez viver ontem uma noite de família. Fumamos, comemos pizza, a Maria dormiu agarrada nele. Hoje eu acordo com isso?
Gaby deu um gole no mate, levantou e falou firme:
— Bianca, papo reto, não sei como toda vez tu fica supressa garota. Tu vai ficar se iludindo com esse cara enquanto ele tá rodando em geral?
— Eu sei... — falei baixinho.
Letícia veio na minha frente, segurou meu rosto e falou olhando nos meus olhos:
— Tu não é qualquer uma. Tu é a Índia, porra. Tu não deita pra ninguém.
Dei um meio sorriso, mas por dentro eu queria explodir o mundo. Abri a bolsa e tirei a cartela de anticoncepcional que tinha comprado ontem.
— Quando a gente ama, a gente é burra, porra não acredito! Não vou dar mole, né nem que eu goste dele é que ele mete gostoso mermo. — falei firme.
Gaby riu debochada.
— É isso, filha. Porque, se depender dele, daqui a pouco tu tá que nem a Carla: barriguda e ouvindo fofoca das outras, homem é pra sentar vocês querem amar...
— Foda-se, amiga. — disse me levantando. — A real é que hoje eu tô só o ódio.
— E o Biel? — Letícia soltou, quase de zoeira. — Tá sumido, né?
— Sumiu. — falei, jogando o celular no sofá. — Mas ele é assim. Some, aparece do nada, faz a linha dele. Eu já tô acostumada.
Gaby soltou um "hmm" carregado de deboche.
— Bia, tu tá no meio de duas bombas-relógio. Só digo isso.
Respirei fundo e peguei meu celular. Abri o Twitter de novo. Lá estavam as duas postando mais uma vez, falando de "meu amor" e "nosso futuro".
— Papo reto, vou quebrar a cara dessas piranhas. — falei baixinho.
Ao mesmo tempo que eu não ligo, eu ligo, pow eu tenho ele nas palmas das minhas mãos. Bofe tirança nmrl.
Gaby abriu um sorriso maldoso.
— E eu vou tá lá gravando, clarinho nega!
E no fundo, eu sabia que precisava. Porque se eu explodisse do jeito que eu queria, ia virar ejô pesado na rua. E eu não podia dar esse gosto pro Gabriel.
Mas... quando eu explodir, ele vai sentir.
O dia inteiro foi aquele clima pesado. Eu tentando manter a marra, mas por dentro a raiva me corroía. Quando a noite caiu, Gaby me mandou mensagem no grupo:
Gaby:
— Filha, vamos pro pagode lá na laje do Braga hoje. Bora distrair a mente!
Letícia:
— Não tem babado, nega. Hoje vai ser o piru, geral vai tá lá.
Suspirei, olhei pra Maria já dormindo no berço e pensei: talvez seja isso mesmo que eu preciso.
Respondi:
— Fechou. Mas vou me arrumar primeiro.
Gaby:
—Hoje é noite de mídia!
Peguei a Maria, arrumei a bolsa dele e levei pra Bruna, Bruna tá ficando com um bofe aí, mal tá saindo de casa. Peguei minha moto e guiei.
Coloquei meu bom short jeans, e um cropped um salto, minha bolsa, alinhei o muco e fiz uma pele babadeira.
NA LAJE
A laje do Braga tava fervendo. Luzes coloridas, caixa de som estourada, cheiro de churrasco e cerveja gelada passando de mão em mão. O pagode comendo solto e a galera cantando alto. Aquela vibe de favela que só quem é cria conhece.
Cheguei com as meninas, todas trajadas. Eu tava de vestido colado, cabelo alinhado, make impecável. Sabia que ia chamar atenção e queria isso. Queria mostrar que tava intacta.
— Caralho, Índia... tu tá horrível hoje. — Letícia falou rindo, me abraçando. (No nosso código, horrível = perfeita.)
— Tu que tá, irmã — falei rindo de volta.
Fomos pro canto da laje onde o pessoal tava fumando. Braga me passou a braba já bolada e eu dei aquele tapa caprichado.
— Essa aqui tá pesada, hein. — falei tossindo.
— Relaxa, vai te deixar leve. — Gaby respondeu, rindo.
O pagode tava no auge. Galera cantando: "Bem acima da média, um tremendo filé
E só chega quem pode
Tá sempre perfumada, de roupa importada
Vagabundo azarando e ela nem aí
Se liga aí segurança
Traz a pulseirinha que ela quer subir"
E eu ali, balançando o corpo, sentindo a batida no peito.
Mas, claro, nem tudo era festa. De longe eu vi umas minas cochichando, rindo, olhando pra mim. Reconheci logo: as duas remoçadas marmitex do Gabriel. Tô só de longe palmiando elas
— Irmã... — Letícia chegou perto do meu ouvido. — As piranhas tão te encarando.
— Deixa elas. — falei firme, tragando a braba. — Hoje eu não vou estragar minha noite por causa de mandada.
Gaby puxou meu braço.
— Bora pra pista do pagode, filhaaa. Hoje quero me acabar.
Fui. Comecei a dançar, rir, cantar. Tinha uns caras tentando trocar ideia, mas eu não dei confiança. Tava ali pelas minhas amigas, pela minha paz.
No meio do pagode, meu celular vibrou. Olhei: mensagem do Biel.
"Tô passando aí. Não some não."
Meu coração deu aquele tropeço. Ele some o dia inteiro e aparece do nada, sempre do jeito dele. As vezes me assusta o poder desses bofes saber onde eu tô, sem ao menos eu postar, falar.
Gaby percebeu minha cara e perguntou:
— Quem é?
— Biel.
— O bofe sabe a hora de encostar, né? — Letícia debochou. — Vai brotar no meio do pagode ainda... segura a marra.
—Pow se geral ver vocês dois, vai ficar feio o bagui, as corujas já tão de olho —Gaby falou, apenas assenti ela tem razão.
Guardei o celular e continuei dançando, mas por dentro tava uma mistura de expectativa e raiva. Ele sabia me balançar. E eu sabia que quando ele chegasse, o clima ia mudar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
