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BIANCA🧿

-Tá, mas agora é minha vez de falar. -eu soltei, depois de ouvir toda a treta da Gaby. -Ontem, enquanto vocês tavam tretando, quem me mandou mensagem foi o Biel.

-Mentira! -Letícia arregalou o olho. -O da Penha?

-Ééé, ele mesmo. -falei de boa, mexendo no cabelo. -Mandou logo um: "Saudades nega, feliz natal pá tu, natal é com a família mas ano novo é com tu. Qualquer dia nós se bate."

-Aihhh, caralho. -Gaby riu alto, quase cuspindo o copo. -O cara é foda mesmo, não perde tempo.

-E tu respondeu? -Letícia já veio toda curiosa.

-Respondi, né. -dei de ombros. -Mas falei que madrugada não dá, se eu saio daqui o Relíquia descobre rapidinho. Ele sabe de tudo, porra.

-Mas de tarde dá. -Gaby falou, séria. -E se tu quiser, eu fico com a Maria.

-Eu também, amiga. -Letícia bateu no peito. -Nós segura a cria. Não perde tempo não, se ele tá querendo te ver, vai.

-Vocês tão me empurrando pro erro, né? -ri, mas já sentindo a tentação.

-Erro nada, Bianca. -Gaby rebateu. -Ele te trata bem, diferente do Relíquia que só te faz sofrer. Vai viver, caralho.

Maria veio no meio, toda abusada, com o celular na mão:
-Mamãe, vídeo! -e botou Galinha Pintadinha alto.

-Tá vendo? -Letícia gargalhou. -Essa aí nem liga, a gente segura. Vai logo, mulher.

Eu respirei fundo, coração já acelerado.
-Tá, vou mesmo. Mas vou levar a moto de alguém, não vou arriscar a minha.

-Leva a minha. -Gaby jogou a chave da CPX na minha mão. -Só desce com ela e deixa lá embaixo. Depois tu chama o Uber.

-Porra, amiga, tu é braba. -eu ri, guardando a chave no sutiã. -Se o Relíquia souber disso, eu vou negar até a morte.

-Aihh, iih tá maluca? -Gaby debochou. -Quem vai contar é doida.

Me despedi da Maria com um beijo, ela nem ligou, tava vidrada no celular. Ajeitei a bolsa, desci o morro na CPX da Gaby, vento batendo no rosto, coração batendo forte.

Cheguei lá embaixo, deixei a moto encostada num beco conhecido, pedi o Uber no aplicativo. O cara chegou rápido.

-Boa noite, moça, destino? -ele perguntou.

-Copacabana. -respondi, com aquele frio na barriga.

Sentei no banco, botei a perna cruzada e fiquei olhando a cidade passar pela janela. Copa me esperava, e junto com ela... Biel.

-Tu demorou, preta... -Biel falou, encostado na porta do quarto, sem camisa, cabelo pintado de vermelho, bigode e cavanhaque na régua
aquele jeito de quem já me esperava há horas.

-Tá achando que eu sou o quê? Boneca inflável que tu chama e aparece? -respondi, jogando a bolsa na poltrona e indo direto pra janela. O mar de Copacabana brilhava na luz da tarde, parecia até debochar da minha vida torta.

Ele riu, aquele riso debochado que me tirava do sério.

-Não é não... mas eu sei que tu não consegue ficar longe de mim.

-Vai se foder, Biel. -revirei os olhos. -Tu esquece que tu é casado?

-Esqueço quando tô contigo. -ele chegou perto, colando o peito nas minhas costas, a respiração quente na minha nuca. -Com ela eu só cumpro tabela. Minha vida de verdade é aqui, contigo.

-Fala merda não... tu complica minha cabeça pprt. -falei firme, mas já sentindo meu corpo tremer.

-Então deixa eu descomplicar. -ele me virou de frente, segurou meu rosto. -Preta, tu é minha paz e meu inferno ao mesmo tempo tu sabe né.

O beijo veio com força. Roupas caindo pelo caminho, corpo grudado, respiração falhando. Foi rápido, urgente, como se o mundo fosse acabar ali. E cada vez que ele sussurrava "minha dona" no meu ouvido, eu esquecia de tudo.

Horas depois, eu tava deitada de lado, enrolada no lençol, ele encostado no travesseiro fumando, olhando pro teto.

-Tu tá estranho, Biel. -falei, ajeitando o cabelo.

Ele soltou a fumaça devagar.

-É que... sei lá, preta. Parece que eu tô vivendo tudo correndo, como se cada momento contigo fosse o último.

-Tu fala isso e depois volta pra tua vida lá, com a tua mulher. -cruzei os braços. -Eu fico arriscando descer o morro, inventar desculpa, só pra te ver... e no fim tu nunca vai largar ela.

Ele ficou em silêncio, depois riu sem graça.

-Meu coração já largou faz tempo. -me olhou firme. -Ano novo eu quero contigo. Quero ver os fogos de Copacabana e tu no meu lado.

-Promete e depois mete o pé. -ri debochada, tentando disfarçar a vontade de acreditar.

-Não, dessa vez é sério. -pegou minha mão, apertando. -Ano novo, eu e tu. Só nós dois.

Suspirei. Sabia que era mentira, mas queria acreditar. Ele falava de viagem, de planos, de viver junto, parecia até despedida. Só senti aquele aperto no peito quando me despedi, sabendo que a gente tava vivendo um amor proibido, doído e gostoso ao mesmo tempo.

A moto da Gaby ficou estacionada na entrada do morro. Peguei de volta, botei o capacete e subi, já sentindo o vento da noite bater na cara. O hotel ainda grudado na pele, mas o Jacaré me lembrando que a vida real não dava trégua.

Quando cheguei, larguei a moto na rua e subi na casa da Letícia.

-Cadê o Relíquia? -perguntei pra Letícia, que tava na porta de casa.

-Plantão na boca, né. -ela respondeu, puxando o short jeans. -Mas tu sabe como é... ele tá sumido demais.

-E eu com isso? -respondi atravessada. -Não devo satisfação pra ele não.

Letícia me olhou rindo.

-Ih, tá pagando de maluca, né? Toda marrenta... mas se ele brotar agora com outra, tu sobe no salto rapidinho.

Revirei os olhos.

-Vai se foder, Letícia.

Maria já tava dormindo no sofá, toda espalhada, a chupeta caída do lado. Peguei ela no colo com cuidado, E enquanto arrumava ela nos meus braços, não consegui tirar Biel da cabeça. O jeito que ele falava, parecia até que sabia de alguma coisa.

Fiquei um pouco conversando com as monas, contei sobre sentir algo estranho sabe, e depois subir pra minha base.

BIANCA 🧿Histórias para pegar e não largar. Descubra agora