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BIANCA🧿

O dia do baile chegou, e eu já tinha planejado cada detalhe da minha produção, não sou qualquer uma né mores.

Gabriel não tinha dormido em casa na noite passada, mas hoje tava fazendo de tudo pra me agradar. Me encheu de presentes, me chamou pra ir com ele, e no fundo eu sabia que isso era o jeito dele de tentar me manter por perto. 

Depois de deixar Maria Giulia com ele, fui direto pro salão. A primeira coisa foi o bronze de fitinha. Como o baile era de noite, fiz na cabine, pra já sair dourada do jeito que eu gostava. Enquanto a esteticista aplicava o produto, eu fiquei no celular, vendo o bonde postando que a noite ia ser pesada. 

Depois do bronze, foi a vez das sobrancelhas. Fiz aquela rena marcada, porque a beleza tem que tá em dia, né? Ajeitei o muco de novo, garantindo que ia tá lisinho quando soltasse da touca. Por último, alongamento de cílios, que já tava precisando. O resultado final? Eu já me sentia uma verdadeira primeira-dama do morro. 

Quando voltei pra casa, encontrei a cena mais linda: Gabriel tava deitado na cama, com Maria Giulia dormindo em cima do peito dele.

Era raro ver ele assim, todo tranquilo, sendo pai. Por um momento, esqueci de tudo e fiquei ali, só admirando. 

Mas eu tinha que me preparar. Peguei a bolsa da Maria e comecei a ajeitar as coisas pra levar ela pra casa da tia Gisely, minha sogra.

— Gabriel... — Chamei baixinho, cutucando ele. 

Ele resmungou um pouco antes de abrir os olhos. 

— Que foi? 

— Bora levar a Maria na tua mãe. -falei

Ele suspirou, ainda sonolento, mas se levantou. Pegou nossa filha no colo com todo cuidado e fomos pra moto. Montei atrás dele, segurando Maria nos braços, e descemos o morro. 

Chegamos na casa da tia Gisely e, como eu já esperava, Gabriel nem quis entrar. 

— Vou descer pra boca, minha mãe vai começar o caô dela... 

Revirei os olhos, já esperando isso. Ele me deu um selinho e saiu acelerando. 

Entrei com Maria Giulia e tia Gisely já veio pegá-la no colo, sorrindo. 

— Minha neta linda, vem cá com a vovó. 

Sentei no sofá, soltando um suspiro. 

— E tu, Bianca, como é que tá? — Ela perguntou, me olhando sério. 

Eu sabia onde aquilo ia dar. 

— Tô bem, tia... 

— Tá nada. Eu sou mulher, já passei por muita coisa. Sei quando a mulher tá engolindo choro. — Ela sentou do meu lado. — O que aconteceu ontem, eu fiquei sabendo. 

Baixei o olhar, sem saber o que falar. 

— Olha, meu filho pode ser o que for, mas tu tem que se impor, Bianca. Tu é nova, tem uma filha, não merece viver nessa situação. — Ela apertou minha mão. — Só pensa direitinho, tá? 

Assenti, sem coragem de responder. No fundo, eu sabia que ela tava certa. 

Mudando de assunto, perguntei por Gaby. 

— Tá no salão, se arrumando pro baile. 

Me despedi e desci, guiando direto pro salão também. 

Assim que entrei, já senti o cheiro de progressiva e ouvi a resenha rolando. 

— O baile hoje promete, hein! — Uma das meninas falou enquanto fazia o cabelo. 

Sentei pra fazer a maquiagem e fiquei ouvindo. A fofoca era sempre a mesma: quem tava com quem, quem era amante, quem era fiel. O nome de Vanúbia apareceu no meio, claro. 

— Essa daí tá se achando agora, só porque tá comendo um dos chefes. 

Ri sozinha. Mal sabiam elas que a safada tinha apanhado de mim. 

Depois que terminei, voltei pra casa. No caminho, encontrei Letícia, que já chegou cheia de assunto. 

— Tu não sabe o que eu escutei no salão... 

A gente ficou ali um tempo, fofocando e falando do baile. Mas eu tava cansada. Tinha acordado cedo por causa da Maria e sabia que a noite ia ser longa. Cheguei em casa, comi alguma coisa e me joguei na cama pra cochilar um pouco. 

Foi só dar 01:30 que meu celular vibrou. 

Preto❤️: "Acorda e começa a se arrumar, já já tô chegando. Tu demora demais, pqp." 

Revirei os olhos e levantei. Fui direto pro banho, lavei o corpo, tirei o cabelo da touca e soltei o muco, que caiu lisinho nas costas. A maquiagem já tava pronta, então só precisei retocar um pouco. 

Pouco tempo depois, Gabriel chegou. 

— Caraca muleque, tu tá gata já sem terminar, hein... — Ele falou, encostando na porta e me olhando de cima a baixo. 

— Sai, Gabriel, tu vai atrapalhar... 

Mas ele não saiu. Chegou por trás, segurou minha cintura e começou a beijar meu pescoço. 

— Só um pouquinho... — Ele murmurou contra minha pele. 

Eu já sabia onde aquilo ia dar. 

Antes que eu pudesse reclamar, ele me virou, me puxou contra ele e me beijou com vontade. Suas mãos apertavam minha cintura, me puxando ainda mais pra perto. 

— Gabriel, a gente vai se atrasar... — Murmurei entre os beijos, mas já tava entregue. 

Ele riu baixo, me jogando na cama. 

— Cinco minutos... 

E a gente se perdeu um no outro ali mesmo, no meio da preparação pro baile. 

Depois, ainda no calor do momento, ele me puxou pro banho. A água quente escorria pelos nossos corpos enquanto nos entregávamos de novo, como se fosse a primeira vez. 

Quando finalmente terminei de me arrumar, vesti o conjunto justo que tinha comprado, coloquei o salto caro que ele me deu e passei o perfume. Me olhei no espelho e sorri. 

Tava perfeita. 

Desci, montei na moto e segurei firme na cintura dele. 

A noite era nossa.

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