BIANCA 🧿
Eu já tava em casa, só o pó. E justo quando eu tava sentando pra tomar um gole d'água, ainda de olho no grupo das meninas que tavam falando que a Vanúbia apareceu raspada usando lace, escuto ele me gritando no portão.
— Bianca, abre aí.
A voz dele me deu aquele frio na barriga que eu odeio admitir que ainda sinto. Respirei fundo, fui até o portão. E lá tava ele, com a Maria no colo, rindo com ela. Ela toda banguelinha, a boquinha suja de sorvete, vestida com um body novo rosa que, só de olhar, dava pra ver que era carinho de pai.
— Gabriel, tu tá de sacanagem, né? tu pega ela sem avisar?
Ele me olhou daquele jeito que sempre me desmontava, só que agora eu não podia mais me deixar desmontar.
— Tava com saudade, Bianca. Fui dar um passeio com ela, comprei coisinha, dei bagulho pra ela comer, ela tá tranquila.
— Tu não pode simplesmente pegar a bebê assim, do nada. E se acontece alguma coisa? Tu esquece que ela é só um neném de 8 meses?!
Falei sério, mas dentro de mim... Pô, ver ele com ela daquele jeito, tão babão, cuidando, trazendo felizinha, sorridente, limpinha... me desarmava. Só que eu não ia mostrar isso. Não podia. Já tinha cedido antes, e depois fiquei aqui deitada, me sentindo a maior burra do mundo.
Peguei a Maria do colo dele, com carinho, claro. Ela tava toda feliz. Se agarrou em mim, mas depois olhou pro pai como se pedisse pra brincar mais. Isso me doeu.
Ele segurou minha mão, só por um segundo.
— Eu tô tentando, Bianca. Eu sei que errei, mas tu também sabe que eu amo ela. Eu tô tentando aprender com meus erros.
Olhei nos olhos dele. Aquele olhar cansado, mas ainda cheio de sentimento. Ele parecia sincero. E pela primeira vez em muito tempo, parecia que ele tava tentando mesmo.
Tinha algo diferente no olhar dele, na forma que segurou a Maria, no jeito que falou comigo. Tinha alguma verdade ali.
Mas eu continuei firme.
— Só não repete isso, Gabriel. Da próxima vez, me avisa. Ela precisa de rotina. Não é mais só sobre a gente.
— Demorô. Palavra de cria.
Ele ficou ali me olhando. Eu entrei com a Maria nos braços. Mas antes de fechar o portão, não me aguentei:
— Ela tava com cheirinho de sorvete. Ela ama, né?
Ele deu aquele sorriso que eu fingia odiar.
— Ama. Igual ama tu. Igual eu também.
Fechei o portão devagar. Quando encostei a porta da sala e olhei pra Maria, ela tava batendo palminha, como se tivesse curtido o rolê da vida. Sentei no sofá com ela no colo, e soltei um suspiro longo, daqueles que só mãe entende.
E aí a real bateu.
Por mais que eu tente me manter firme, me blindar, botar muralha, dizer que já era... ver ele cuidando dela assim mexe comigo. Dói de outro jeito. Porque, no fundo, era tudo que eu queria lá atrás. Era isso que eu pedia pra ele, e ele não dava. E agora que a gente tá separado, ele vem fazendo.
Só que o orgulho é um muro alto. Eu me quebrei pra sair daquele relacionamento. E mesmo que ele raspe a cabeça da Vanúbia – e olha, eu sei que foi ele, tá? Nem adianta fingir. A fofoca já chegou aqui. As meninas falaram no grupo:
"A Vanúbia raspou o cabelo? Foi o Relíquia que passou a máquina nela, BIANCA!!"
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
