O sol já tava dando moca, quando comecei a me arrumar. O churrasco que Gabriel decidiu fazer, do nada ia ser na laje, coisa simples, só os parceiros, mas eu queria estar bem.
Coloquei um short jeans curto e uma blusa da lala, arrumei o cabelo e passei um gloss. Enquanto isso, Maria Giulia tava no berço, me olhando com aqueles olhinhos curiosos e já prontinha, eu arrumo ela primeiro pra depois eu me arrumar.
— Que foi, princesa? Mamãe tá bonita? — perguntei, sorrindo.
Ela balbuciou alguma coisa e sorriu também. Meu coração derreteu.
Gabriel entrou no quarto, já sem camisa, colocando a corrente no pescoço. O cheiro dele invadiu o quarto, aquele perfume forte misturado com um pouco de erva.
— Bora, Bianca. Frajola já tá lá em cima com a carne.
— Tô terminando, calma aí.
Ele me olhou de cima a baixo, segurando o riso.
— Tá se arrumando pra quem? hein mandada
Revirei os olhos.
— Pra mim, ué.
— Sei... — ele cruzou os braços, me encarando.
Bufei, pegando Maria Giulia no colo.
— Para de graça, Gabriel.
— Só tô falando... não quero nego olhando demais.
Eu ri.
— Tu é muito bobo, pprt.
Ele se aproximou, segurando minha cintura. O cheiro de maconha vindo dele era forte.
— Já dei o papo. Eu sou ciumento. E tu gosta.
Revirei os olhos de novo, mas ri. Ele me puxou pra um beijo e ali, naquele momento, qualquer irritação passou. A gente sempre brigava por besteira, mas sempre se resolvia fácil.
Antes de subir pra laje, tirei uma foto e postei.
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Mamãe da M.G 🧿🎀| @biaindia_
Churas hoje e eu bela sempre! 😆🎀
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Subir pra laje.
O churrasco já tava rolando, os caras bebendo, só ronca, dando risada, enquanto as mulheres estavam mais pro canto, conversando. O cheiro de carne assada tomava o ar, misturado com o da maconha que queimava nas mãos dos caras.
Bruna, minha irmã, já tava lá com Letícia e Gabrielly. Assim que me viram, vieram correndo.
— Até que enfim, hein! — Bruna falou, rindo.
— Fiquei esperando tu me chamar pra se arrumar junto — Letícia reclamou.
— Ai, gente, hoje foi corrido pra caraca— falei, ajeitando Maria Giulia no colo.
Gabrielly já chegou acendendo um fino.
— Bora dar uma bola?
Dei uma olhada pra Maria Giulia, que já tava no carrinho.
— Ah, vamo, né.
A gente se afastou um pouco, sentamos num canto da laje e acendemos outro. O beck rodou entre nós, e aos poucos, fomos puxando assunto, trocando ideia.
Uma das meninas que tava presente ali, conheci hoje, a Luana, tava grávida. A barriga já bem grandinha.
— Cê é novinha, né? — ela perguntou, olhando pra mim.
— Tenho quinze.
Ela arregalou os olhos.
— Mentira! Parece muito mais.
As outras concordaram.
— É que eu amadureci cedo — respondi, soltando a fumaça devagar.
— Mas e tua mãe? Te deu apoio?
Suspirei.
— Nem falo mais com ela. Saí de casa faz tempo.
— Eita... pesado.
Dei de ombros.
— Tive que me virar. Mas tô bem agora.
Ela assentiu, passando o beck. Eu traguei fundo, sentindo o corpo relaxar.
— E aí, Índia? Como é ser mulher do Relíquia? — uma delas perguntou.
Olhei pro outro lado da laje, onde Gabriel tava rindo com os amigos, copo de whisky na mão e beck entre os dedos.
— É difícil. Tem amor, tem cuidado... mas tem muita preocupação também.
As outras assentiram.
— A gente nunca sabe quando pode ser o último dia deles, né? — Luana falou, acariciando a barriga.
— Exato. Eu já passei cada sufoco... — comecei a contar algumas histórias, e elas também compartilharam as delas.
Bruna, minha irmã, riu do nada.
— Mas, pprt, a pior parte é o ciúmes, cara!
— Nem me fala! — Letícia entrou na conversa. — O problema não é nem o bofe... são as marmitas!
As meninas riram.
— Mulher, não fala! — Luana concordou. — Sempre tem uma querendo se criar, né?
— Sempre! — Gabrielly disse.
Nesse momento, meu olhar bateu em uma menina que tava mais afastada.
Ela não falava nada, só observava. Mas dava pra ver que o olhar dela não era de amizade.
— E aquela ali? Quem é? — perguntei, mais baixo.
Letícia olhou discretamente.
— Ah... acho que é amante de um dos caras.
— Hum. Sabia.
Bruna riu.
— Bia, querendo rivalidade.
— Não é isso, só que já vi esse olhar antes. Ela acha que sabe de algo que a gente não sabe.
— Normal — Luana falou. — Essas aí sempre querem atenção.
Suspirei.
— Só não quero dor de cabeça.
Gabrielly sorriu.
— Relaxa, nós tamo presente no bagulho, terror delas!
A gente riu, e o clima voltou a ficar leve.
⸻
O churrasco seguiu...
Bebi um pouco, mas sem exagero por causa da Maria. Fumei outro beck, dessa vez sentada no colo do Gabriel, que me abraçava enquanto falava com os amigos.
Por um instante, ali na laje, com o vento batendo no rosto e minha filha dormindo no carrinho ao lado, eu senti algo que não sentia há muito tempo.