BIANCA🧿
O pagode tava estourado. A laje do Braga parecia um formigueiro, gente passando pra lá e pra cá, churrasco queimando na brasa, o DJ tocando aqueles sambas antigos no intervalo do grupo.
Eu e as meninas rindo, dançando, a braba já batendo na mente. Mas meu celular vibrou de novo e o coração acelerou.
Biel:
"Tô chegando."
Nem deu tempo de responder. Senti a movimentação no portão. O burburinho aumentou, e quando olhei pro lado, vi ele. Biel.
Todo trajado: camisa preta colada no corpo, bermuda de marca, corrente grossa no pescoço. O tipo de presença que para qualquer lugar. O olhar sério, varrendo a laje até bater nos meus olhos.
- Caralho... - Gaby falou no meu ouvido. - O bofe veio buscar mesmo.
- E na marra. - Letícia completou, rindo. - Vai sobrar pra tu, mona.
Suspirei. Ele caminhou firme, abrindo caminho no meio da galera. Quando chegou perto, me puxou pelo braço, sem nem falar nada.
- Que porra é essa, Biel? - falei firme, tentando manter a marra.
Ele me olhou de cima a baixo, o maxilar travado.
- Tá se exibindo agora? Cheia de graça na laje, dançando pra geral ver?
- Tá maluco? Eu tô com minhas amigas, me divertindo. Tu some o dia inteiro e aparece agora querendo me cobrar?
- Não tô cobrando. - Ele falou baixo, mas com uma firmeza que dava medo. - Só tô te lembrando que tu não é qualquer uma pra tá rodando por aí.
- Rodando? - ri debochada. - Biel, eu não devo nada pra tu, eu hein.
Ele respirou fundo, se aproximou mais.
- Deve sim. Desde a primeira vez que eu encostei em tu, tu sabe que é minha.
Fiquei quieta por um segundo. A forma como ele me encarava me desmontava, mas eu não podia mostrar.
- Com todo respeito colega, vai tomar no cu rapa, tua fiel é outra parceiro, se manca bofe.
Ele pegou no meu queixo, levantando meu rosto. Bolado
- Tá maluca, mando vagabundo tomar no cu?! Tá abusada demais tu.
-Eu hein, tu quer ficar segurando minha saia, pow foi mal. -falei manhosa lógico, maior medo
-Presta atenção nos bagulho que tu fala, próxima fez vai entrar na ripa, tô bolado já.
O pagode continuava, mas parecia que só existia a gente ali. Gaby e Letícia observavam de longe, prontas pra intervir se fosse preciso.
- Biel, me larga. - falei, tentando me afastar.
- Não vou largar. - Ele deu um passo pra trás, mas sem me soltar. - Vem comigo.
- Pra onde?
- Pra gente conversar. Aqui tem muita gente olhando.
Suspirei fundo, olhei pras meninas e elas me fizeram sinal com a cabeça. Vai.
Fui. Ele me levou pela mão, passando pelo meio da galera. Senti os olhares em cima da gente, as fofocas sussurradas. Mas eu tava com a marra alta.
Chegamos na rua mais calma, ele me encostou na parede do beco.
- Tu sabe que eu não curto esse bagulho de tu ficar na pista assim.
- Biel, eu não sou tua fiel. Tu não tem direito de me cobrar nada.
Ele ficou me olhando, sério. Depois sorriu de canto.
- Ainda.
- Como assim ainda?
- Porque tu vai ser.
Meu coração deu aquele tropeço. Ele me puxou pela cintura e me beijou. Forte, intenso, do jeito que só ele sabia.
- Biel... - tentei falar, mas ele não deixou.
- Cala a boca, Índia. Hoje tu vai comigo.
E eu sabia que não tinha como dizer não.
Ele me largou depois do beijo, o corpo ainda colado no meu. Olhei pro lado, tentando recuperar a marra, mas Biel não dava espaço.
- Tu acha que vai me levar no grito, Biel? - falei encarando ele. - Eu vou voltar pro pagode, porque ninguém vai mandar em mim.
Ele riu de canto, aquele riso debochado.
- Papo reto, Índia, tu é fogo. Mas jae, se acha que eu vou sumir... tá enganada. Tu tá no meu nome garota.
- Eu não sou tua fiel. Tu não tem esse direito de me marcar.
Ele aproximou de novo, o olhar firme.
- Ainda. Mas tu vai ser, Bianca. Uma hora tu vai parar com essa marra.
Revirei os olhos e virei as costas.
- Vai acreditando nisso aí.
Fui descendo o morro, todo beco que eu passava sou respeitada, lógico, cumprimentava os vapor e guiei pra lá.
Voltei pro pagode de cabeça erguida. Gaby e Letícia já tavam de longe, me esperando, prontas pra gastar. Quando me viram chegando, abriram um sorriso maldoso.
- Olha quem voltou intacta! - Gaby gritou, me abraçando. - Achei que tu ia sumir com o bofe.
- Eu quase fui buscar tu pelo muco. - Letícia completou, rindo. - Mas te conheço, feinha. Tu não deita pra ninguém.
- Não mesmo. - falei firme, pegando a lata de cerveja que Gaby me estendeu. - Ele acha que vai me levar me gritando, tá maluco.
- Mas tu sentiu, né? - Gaby debochou. - O bofe botou moral na laje inteira.
Dei um gole na cerveja e suspirei.
- Que se foda moral. Eu não vou dar palco pra macho me controlar.
As meninas começaram a rir. A música tava pegando, o pagode no auge. O Braga subiu com mais braba, distribuiu os baseados e eu aceitei sem pensar. Traguei fundo, sentindo a mente ficar leve de novo.
As corujas ainda tavam no canto cochichando, mas eu nem dei confiança. Comecei a dançar com Gaby e Letícia, rindo alto, mostrando que eu tava intacta.
- Mapoa, tu tá horrível hoje. - Letícia falou, segurando meu braço. - O vestido tá o piru.
- Sempre, né? - respondi rindo, rodando o cabelo.
- Pow, tu sabe que amanhã vai tá maior fofocada de tu e do Biel né, as fakes vão amar. -gaby, falou um pouco alto por causa do som.
-Ainda, mas não vou endoidar pro causa dessas pão careca, se vim de caô, vou juntar as duas igual, da em nada filha -falei o óbvio.
-Qualé mona, tas esquecendo do príncipal né? O Gabriel, caralho -letícia falou, e eu dei de ombros, amanhã é outro dia.
Mas, no fundo, eu sabia que o Biel ainda tava por perto. Sentia o olhar dele em mim. Ele não ia sumir tão fácil.
E se ele achava que eu ia dar mole...
ia se frustrar bonito.
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
