BIANCA 🧿
Acordei devagar, sentindo o ar-condicionado gelado batendo no meu rosto.
O quarto do Airbnb era tão grande e silencioso que eu nem sabia onde tava por uns segundos. Olhei pro lado: Biel tava lá, dormindo pesado, braço jogado na cama king-size, o peito subindo devagar. Ele parecia que não sentia o peso de nada. Diferente de mim.
Me levantei na manha, vesti a camisa dele, que tava caída na poltrona, e fui até o espelho do closet. Meu cabelo bagunçado, marca de beijo no pescoço, a boca inchada... Mas eu tava intacta, nega. Princesa sempre.
Peguei o hambúrguer que tinha sobrado da noite de ontem e botei pra dentro, mo larica.
Suspirei. Eu sabia que tinha que guiar. Minha filha tava no Jaca, minha vida tava lá. Eu não podia me deixar perder no luxo do Biel. Mas sair dali não era fácil.
Quando comecei a juntar minhas coisas, ouvi a voz dele rouca:
— Vai fugir, Índia?
Olhei pra trás. Ele tava sentado na beira da cama, me encarando.
— Não é fuga, bofe. Eu tenho que ir pra casa, minha filha tá lá.
Ele coçou a barba, suspirou e veio devagar na minha direção. Passou a mão na minha cintura e encostou a testa na minha.
— Só volta... não me deixa te esperar, jae. Eu não quero que isso aqui acabe.
Engoli seco. Dei um beijo rápido e fui.
O motorista dele me deixou no Jacaré. Quando entrei no beco da minha rua, parecia outro planeta. O silêncio caro do asfalto ficou pra trás. Aqui tinha música alta, criança correndo, cheiro de churrasco na laje. Minha realidade.
Abri o portão de casa e a primeira coisa que ouvi foi a voz da Maria:
— Mamãaaa!
Maria tinha ficado aqui em casa com as meninas, deixo sempre uma chave reserva na tia Gisely.
Meu peito se desmanchou. Peguei ela no colo, beijei a bochecha dela com força.
— Mamãe tá aqui, amor.
Passei o resto da tarde com ela, tentando não pensar em nada. Só curtir minha cria.
Já era final de tarde quando ouvi o portão bater. Dois murros secos. Meu coração acelerou. Fui olhar e vi ele: Relíquia.
Encostado no portão, todo trajado: short, chinelo Kenner, camisa do flamengo, corrente grossa no peito, cabelinho na régua, que preto, pena que não vale nada!
Me olhou com aquele olhar de quem se acha dono do mundo.
— Oxe Gabriel. Que que tu tá fazendo aqui?
— Vim ver minha filha... e tu. — Ele abriu um sorriso torto. — Tava com saudade.
Suspirei. Ele pegou a Maria no colo assim que ela apareceu gritando "papai" e entrou em casa. A cena era quase irreal. Ele brincando com a filha, eu fazendo café, a casa leve. Parecia até família.
Depois que a Maria foi pro quarto brincar, ele veio por trás de mim na cozinha. Passou a mão na minha cintura, cheirou meu pescoço.
— Tu tá cheirosa, Bianca.
— Me larga, Gabriel.
— Largar o quê? — Ele me virou, me encostou na pia e me olhou de perto. — Eu quero tu.
— Gabriel...
Ele me beijou forte, e o corpo cedeu. Eu tentei resistir, mas não consegui. O toque dele era intenso, possessivo, daquele jeito que me desarma.
A gente se pegou na sala, no sofá, como se o mundo fosse acabar. Ele sabia o caminho do meu corpo, sabia como me deixar fora de mim. Era quente, familiar, viciante.
Quando a gente terminou, ficamos abraçados no sofá, Maria voltou e pulou no colo da gente. Ficamos ali, os três juntos, rindo. Por um instante, parecia que tudo era perfeito.
— Bora pedir pizza? — ele perguntou.
— Sério?
— É. Hoje eu só quero ficar de boa contigo e com a Maria. Pique família.
E foi isso. Passamos a noite juntos. Ele me ajudou a dar banho na Maria, a botar ela pra dormir.
Depois que a Maria dormiu, a casa ficou naquele silêncio bom. Eu e o Gabriel távamos no sofá, as caixas de pizza ainda jogadas na mesa de centro e o ar-condicionado no talo. Ele me olhou com aquele sorriso de canto e abriu a mochila que tinha trazido da rua.
— Quer fumar uma braba comigo, preta?
— Óbvio. — respondi de imediato, já com o coração batendo mais rápido.
Ele tirou a seda, o baseado prensado e começou a bolar com uma calma que me deixava hipnotizada. O jeito que ele cortava, triturava, lambia a seda, prensava no dedo... parecia que tava bolando um ritual.
— Tu lembra quando a gente fazia isso todo dia, no início? — ele falou, sem tirar os olhos da mão.
— Lembro. Mas agora tu só fuma com as tuas outras, né?
Ele parou e me olhou com aquele sorriso debochado.
— Para de caô, Índia. Aqui é tu e mais ninguém.
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
