BIANCA 🧿
A noite já tava caindo no Jacarezinho, e o morro daquele jeito: moto cortando os becos, risada alta vindo das lajes, os bebel soltando pipa
Aquela movimentação que eu adoro, amo mora aqui, aqui é meu lugar.
Eu ajeitei o muco no espelho antes de sair, deixando solto. Vesti o shortinho jeans e um cropped colado, sem muita produção. No morro, a gente tinha que estar pronta pra tudo.
Maria Giulia dormia tranquila no carrinho. Minha filha, meu pedaço, minha única certeza nesse mundo.
Coloquei o cinto nela com cuidado e desci devagar o morro, indo em direção a casa da Bruna.
— Bruna! Beatriz! Se agiliza, Cara! Já chamei Gaby e Letícia, vamo descer! -gritei por elas.
Bruna saiu de casa prendendo o muco, e Beatriz veio logo atrás com Maria Laura no colo, minha sobrinha tá linda, coisa mais fofa.
— Qualfoi, Índia? Tá me gritando por quê? Parece até que o bonde é só tu! — Beatriz riu.
— Pressa de não perder tempo com caô. Bora!
No caminho, pegamos Gaby e Letícia e seguimos pra pracinha. Ali era o coração do morro. Aonde a gente se juntava pra beber, fumar um, falar da vida e a dos outros claro e ver o movimento.
As meninas sentaram e já puxaram as cracudinha. Só eu que tava mais na minha, tou amamentado então tenho que dar uma segurada
Embalando Maria Giulia no carrinho e tragando uma maconha de leve, faz tempo que não faço isso.
Minha mente tava longe.
Gabriel, o Rlk. Pai da minha filha. O cara que um dia eu achei que seria meu porto seguro, mas que só me fez tempestade. Desde cedo ele tinha falado que tava na boca fazendo os corres. Mas eu já conhecia essa história.
E não demorou muito pra verdade aparecer, jurei que ia ter paz hoje.
Vanúbia chegou com o bonde dela. Rindo alto, do jeito que sabia que me irritava. E, como sempre, veio direto na minha direção.
— Qualé, Índia? Tá curtindo a pracinha? -chegou, na maior cara de pau
Eu nem olhei muito. Só soltei a fumaça devagar.
— Até tava, né? Até as remoçadas aparecer.
As meninas riram, mas Vanúbia continuou, cheia de graça.
— Engraçado, né? Rlk disse que tava na boca, mas quem tava trampando em cima de mim era ele, ainda há pouco.
O sangue subiu na hora.
Eu já sabia. No fundo, eu sempre sabia. Mas ouvir da boca dela, na cara dura, era outra coisa.
Ajeitei Maria Giulia no carrinho e entreguei pra Bruna.
— Segura minha filha.
Levantei devagar, olhando Vanúbia nos olhos.
— Tá querendo se sentir grande, é? só pq tá comendo ele agora, ta achando que tem proteção, tu é só uma putinha qualquer dele.
— Só tô te passando a visão. Pra tu não ser otária de continuar achando que ele é só teu. A única coisa que ele é, é pai dessa tua filhinha aí. -falou fazendo cara de nojo, olha pra Maria.
Foi a última coisa que ela conseguiu falar antes de eu partir pra cima.
O primeiro soco pegou no queixo dela, e eu não dei tempo de reação. Segurei pelo muco, puxei pro chão e já meti mais dois. O bonde dela gritou, tentando separar, mas as minhas seguraram a barra.
— Mete a porrada nela, Índia! — Letícia gritou.
Vanúbia tentou reagir, me arranhou, puxou meu muco, mas eu tava cega de ódio. Só parei quando um dos cara do morro chegou correndo.
— Qualé, menor! Cês quer chamar atenção? Para essa porra agora!
Respirando pesado, eu levantei e cuspi pro lado, olhando Vanúbia no chão.
— Próxima vez que tu tocar no meu nome, eu não paro.
Ela não respondeu. Só ficou ali, juntando a dignidade que ainda tinha.
Peguei Maria Giulia do carrinho, embalei no colo e ajeitei o top, como se nada tivesse acontecido.
— Bora beber, Monas. Hoje eu tô precisando. -falei
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
