BIANCA 🧿
Acordei com a Maria Giulia mamando os dedinhos e resmungando baixinho. Quando vi, o sol já batia forte no rosto dela, e eu ali, deitada, só pensando: "Caraca, tô fazendo 16 anos, mané... olha onde eu cheguei."
Com 16 na cara, uma filha linda, morando no Jacarezinho, envolvida com um dos nomes mais falado do morro — o Relíquia — e ainda sonhando com uma vida diferente.
— Bom dia, meu amor... Hoje é o niver da mamãe, sabiiiiia? — falei, cheia de amor, beijando a bochecha dela.
Levantei, ajeitei a casa rapidinho, coloquei as roupas pra lavar, lavei a louça, maria tava assistindo na tv.
Depois peguei ela, dei banho nela com aquele sabonete que deixa ela cheirosinha a beça, passei o olhinho, pus a roupinha rosa de tule com brilhinhos e o laço combinando. Fiz dois coquinhos e caprichei no baby hair. Parecia uma bonequinha viva.
Ela tava meio chatinha, então fiquei com ela um pouquinho até que ela dormindo mamando.
acabamos que pagamos no sono juntas!
acordei de tardezinha já, pedi um mc msm preguiça de cozinhar, gabriel mandou mensagem falando que nós vai brotar em algum lugar hj! Respondi todas as mensagem que tinha pra mim, e sair do whatsapp.
Depois foi minha vez. Tomei um banho daqueles, passei o creme da Boticário, separei um vestido branco colado no corpo, com uma fenda discreta. Salto médio nude, bolsa pequena combinando.
Depois fui me arrumar.
Na make, fiz uma pele básica e um olho marrom, com um delineado, penteei meus cílios, passei um gloss, tirei o muco da touca, passei perfume e pronto.
Maria vai no pique. Coloquei o tênisinho dela, ajeitei de novo o muco, dei mamá e fiquei esperando o Gabriel.
19h20 — Relíquia chegou
Ele brotou de moto, boné da Lacoste, camisa preta justa no peito e aquela pistola por dentro da bermuda. Desceu, olhou pra mim e pra Maria, e ficou parado, travado.
— Que foi, RLK? Travou por quê? — falei, segurando o riso.
— Cês tão lindas demais, mané... Minha filha tá parecendo uma princesa. E tu, tá surreal, Bianca.
— Tá achando que a gente ia sair como? — brinquei.
Ele pegou Maria no colo, deu um beijo nela e outro em mim. Entramos no carro dele e partimos pro Bar da Laje, lá no Vidigal.
20h10 — Bar da Laje, Vidigal
Lugar era fino, todo arrumado, música ambiente, luz baixa, vista pro mar.
Sentamos, coloquei a Maria no caldeirão e pedimos os pratos. Gabriel escolheu o meu, como sempre: risoto de camarão com suco de morango com leite.
— Tá feliz? — ele perguntou, pegando minha mão por cima da mesa.
— Tô... só não consigo parar de pensar se é isso que a gente vai ser pra sempre, sabe? Tu lá na boca, eu em casa com a Maria...
— Eu penso nisso direto, Amor. Cê acha que eu não queria ter outra vida, criar nossa filha longe de tudo isso? Mas a real é que aqui, no morro, quem não corre, passa fome.
— Eu sei... só tenho medo de te perder.
Ele me olhou fundo. Deu um sorriso meio triste.
— Tu nunca vai me perder.
Na reta final do jantar, ele puxou uma sacolinha da Louis Vuitton de dentro da mochila e colocou em cima da mesa.
— Presente teu aí.
Abri. Um iPhone 15 Pro Max novinho, lacrado. Por cima, um colar de ouro com "ÍNDIA" cravejado.
— CARALHO, GABRIEL! Tá maluco?!
— Tu merece, minha rainha.
—Te amo, amor —me inclinei e dei um selinho nele.
22h40 — De volta ao Jaca
Quando voltei, a laje já tava tremendo. Subi com Maria e quando abri a porta...
— SURPRESAAAAAA, ÍNDIA!
Gaby, Letícia, Bruna, Bia... todas lá, com um bolinho simples da Pocahontas, vela rosa e um monte de bexiga estourando nos cantos.
— Aaaaaaah, suas safadas! — falei rindo, emocionada. — Vocês são foda!
Tirei foto com o bolo, beijei Maria, e elas logo botaram o som no talo. A Gaby já desceu com Letícia pra comprar vinho, chocolate, pesticos, as cracudinhas e os beck que a gente já gostava.
SOM NA LAJE:
"Índia, sua safada
Vem fumar cachimbo
Índia, sua safada
Vem fumar cachimbo
Joga a buceta rosa na cabeça do meu pinto"
—Tu diz que quem gosta de hu é índio, se liga o que eu falo pra tu -Letícia cantou gastando, olhando pra mim.
A gente jogando avanço como se não tivesse amanhã. Bunda no chão, vinho virando água, beck passando de mão em mão, risada alta, fofoca estourando.
— Viu o post da Vanúbia no Twitter? — Gaby falou, já rindo. — Vai levar um pau ainda, essa remoçada.
— Relaxa, irmã— respondi —, só não me pega na pista.
—Aiin, porradeiro sem massagem —Bruna falou
—Ah índia não é fraca né, pegou 1 vez, vai pegar de novo né segredo. —Letícia falou.
Pagode no talo, depois entrou Oruam, Mc Cabelinho, meu marido claro, e a live no Insta tava bombando. Comentário vindo a beça, os fakes marcando a gente.
A laje ficou PEQUENA. Papo reto. Só as 10/10 na faixa.
03h30 da manhã — fim da night
Cada uma foi voltando pra casa. Ajeitei Maria no colo, dei mamá, coloquei no berço e apaguei.
DIA SEGUINTE
Levantei destruída. Desci e quando voltei pro quarto, Maria tava deitada no colchão, nem no berço, e Gabriel no celular, com o ar-condicionado no 15, quarto parecendo uma geladeira.
— Qualé, Gabriel? A Maria ali quase caindo da cama, e tu não faz nada?
Ele tirou o olho do celular, com cara de poucos amigos.
— Tu tá me tirando? Eu nem vi que ela tinha acordado, porra!
— Lógico, né? Tu não vê porra nenhuma, só vive com essa merda de celular.
Ele levantou, nervoso.
— Vai começar com showzinho por causa de que?
de novo?
— Vai fazer o quê, Gabriel? Vai me bater de novo, é isso?
Ele ficou me encarando, respiração pesada. Avançou um passo, mas parou.
— Tu sabe que eu não quero te machucar, Bianca... Mas tu também não ajuda.
Ficamos nos olhando. A tensão cortando o ar.
Ele chegou perto, pegou minha cintura, colou o corpo no meu.
— Me desculpa...
— Tu sempre pede desculpa assim, né?
E aí foi beijo, foi mão, foi carinho. A gente transou ali mesmo, como sempre. Na raiva, na paixão. Do nosso jeito.
No final, eu ali deitada com ele, pensando: será que esse amor me salva... ou me destrói?
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BIANCA 🧿
Fanficela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
