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BIANCA 🧿

Depois da ceia, subimos todo mundo pro baile,eu na garupa do Gabriel, que cortava giro e eu amava, e o meu cabelão batendo solto e o bagulho já tava parecendo até festival. Fumaça de lança subindo e o cheiro de maconha invadindo tudo.

No camarote, já tava as meninas, Letícia, com um conjuntinho de short e cropped tomara que caia jeans, Laysa com uma saia com uma fenda e um cropped de amarração em V, brilhoso vermelho, e do nada aparece o John, que ninguém segura, já com seu bom lança.

- Caralho, monas! as senhora tão belíssimas, clarinho que sim. - ele gritou, já jogando glitter na cara e dançando funk do nada.

- Que isso viado, jogou bumbum gg pra pista né, fala tu -Laysa falou gastando, e ele empinou o rabo, colocando o dedo na boca.

- Incrível que nos nem precisa de muito, pra ser bonita, né segredo. -Letícia falou, e bateu na mão dele.

Eu comecei a rir e falei:
- Lógico viado, tu acha que a gente deita pra essas remoçadas? E tu pinta né.

- Tô pintando mermo, mona! - ele retrucou, rebolando até o chão com copo de whisky na mão.

Aí já brotou Luísa, que não perdia uma cena, já de olho em tudo. Bruna e Gaby chegaram juntas, Bruna com o GW colado, olhando torto pra qualquer um que chegasse perto dela.

Do nada o DJ cortou o som, e as luzes do palco apagaram. O baile inteiro ficou em silêncio, só os foguetes estourando lá fora.

- Eae família, vamo fazer um minuto de silêncio pros cria que se foram... aqueles que tão olhando a gente lá de cima, jae. -O dj pegou o microfone e falou, chamando a atenção de geral. - Máximo respeito no bagulho aí, se não quiser entrar no rock, o paizão já deu o papo. -Ele apontou pro Gabriel, que apenas confirmou com a cabeça.

Na mesma hora, geral baixou a cabeça. Eu segurei a mão do Gabriel, ele me puxou pela cintura, e até o John que tava doidão se calou, com a mão no peito. Gaby encostou no Henrique, Letícia segurou firme o copo e ficou séria. Até Luísa, sonsa do caralho, fez pose de respeitosa.

O silêncio durou pouco, mas parecia uma eternidade. Só dava pra ouvir alguns chorando baixo e o vento batendo nas bandeiras penduradas na laje.

Quando terminou, o DJ gritou:
- Tá com Deus, cria! Tá com Deus! Que Deus os tenha, os amigos aí.

No telão, passava as imagens dos irmãos que se foram, inclusive o Pt tava também, caiu um cisto no meu olho, mas logo enxuguei .

E geral respondeu junto, explodindo:
- TÁ COM DEUS!

Logo depois os fogos estouraram mais alto ainda, os fuzis pro alto, e o som voltou com batidão pesado. A galera já foi abaixo, como se a dor virasse força na mesma hora.

Eu arrepiei toda, porque ali eu vi que, no meio da gastação, da putaria, da ostentação, tinha muito respeito, tinha muita dor guardada também.

Do nada começa o show do Oruam. A favela veio abaixo, geral gritando junto. Depois entrou Poze, soltando aquele grave que fazia até o peito tremer. Logo em seguida, Chefinho e Filipe Ret. Parecia até line-up de festival milionário.

Fuzil pro alto, várias glock brilhando no reflexo da luz, corrente balançando, copo de Blue Label na mão de todo mundo. O clima era só ostentação.

No camarote, só resenha:
- Pow, Bianca, Teu bofe pintou mermo né ca. Ele fechou o baile inteiro, caralho! - disse a Letícia, rindo.

- Vai tomando da Bianca, mina quenti. - retrucou a Laysa, brindando comigo.

O John, lógico, não parava:

- Porra, cês tão de sacanagem, caralho! Eu quero um bofe assim também, que feche baile com Ret, páh. Mas só aparece piru de trabalhador fudido no meu zap. Vai tomar no cu! - e caiu na gargalhada.

Gaby quase se mijava de rir:

- Esse viado não presta, tá sempre pintando com a cara dos bofe.

- E eu pinto mermo, porra! Se não pinto eu, quem vai pintar? - John respondeu, rebolando até o chão e quase derrubando a garrafa.

Enquanto isso, a Luísa não parava de desfilar, tentando chamar atenção. Passava bem na frente do Gabriel, rebolando mais do que devia. Eu só observava, já com o sangue subindo.

-Vou arrastar a cara dela. - olhei pro Gabriel, que conseguiu ler minha boca, e já veio na minha direção, ele tava num canto com os parceiros dele.

Me puxou mais forte e falou:
- Sem briga hoje por favor, Esquece essa piranha, dona. Hoje é nóis, cá, depois eu troco um lero com ela.

Deu um gole no whisky e levantou a arma pro alto junto com os outros. O tiro ecoou no céu e geral vibrou. O baile tava oficializado.

John gritou:
- Caralho, que emoção! Eu tô pá ódio que não trouxe minha peruca, senão eu ia pintar mais ainda.

Geral caiu na gargalhada.

Cabelinho subiu no palco, quando eu senti Gabriel me prensar mais forte. O cheiro dele misturado com whisky, lança e a fumaça de maconha me deu um bug, confesso. Ele cantando no meu ouvido parecia até cena de filme:

- "Feliz eu tô com minha dona... juntos estarei firme e forte... e a separação só vem com a porra da morte."

Ele falou alto, quase berrando, só pra todo mundo ouvir:
- Tu é minha porra, tá no meu nome, se alguém encostar vai tomar bala.

As monas já começaram a gritar:
- Ihhhhh! Olha o Relíquia botando banca kkkkk!

Eu ri de nervoso, mas deixei ele curtir o momento. Papo reto? Tava gostosinho também.

Do outro lado do camarote, a gastação rolando solta. John, virada na onda do lança, já se jogava pro meio:

- Caralho, monaaaa, vou beijar até a parede hoje! Olha aquele bofe, ihhh, tá pega!

A Gaby caiu na gargalhada:
- Sai daí, viado, que tu só deseja e nunca leva nada, kkkkk.

Nisso, quem brota? Henrique vulgo Rouba Cena. Eu até arregalei o olho. O bofe casadão, cheio de marra, mas só de encostar no camarote a Gaby já voou nele. Parecia imã.

Ficaram de love ali mesmo, ela no colo dele, rindo, beijando, mordendo o pescoço do cara.

Goiaba do Mandela, chegou também daquele jeitão largado. Traficante, só que não vale porra nenhuma, e a Letícia já sabia. Mesmo assim, quando viu, abriu um sorriso que entregava tudo.

Segundos depois já tava de agarramento com ele, rebolando devagar enquanto ele acendia um beck.

E a Bruna? Tava com o GW, lógico. Os dois colados, ela com a barriguinha já aparecendo, mas nem isso impediu dela dançar até o chão com ele segurando firme.

- Caralho, Bruna, segura a cria aí dentro, porra! - gritou a Laysa.

Bruna gargalhou:
- Ihh, tá maluca? Aqui é cria de bandido, já nasce no 150!

A Laysa, solteira, tava solta demais. Dançando com um, depois com outro, olhando pra geral com olhar de caça. Uma hora ela piscou pra um, depois já tava de papo com outro no camarote.

- Essa aí tá pintando, ca!- John falou, rindo.
Eu só confirmei:

- Sempre foi, daqui a pouco volta com o bofe de sempre, é ciclo dela.

E claro... Luísa, piranha assumida, já tava em ação. A bicha não via limites, não queria saber se o cara tinha dona ou não. Só não mexia com o Gabriel, porque comigo ela sabia que eu fazia a maluca na hora.

Fora isso, qualquer bofe era alvo. Já tava dando risadinha pro Goiaba, depois se encostou no Rouba Cena.

O whisky não parava de rodar, o lança queimando a garganta, e eu só pensava: "Caralho, olha o caos que é a minha vida".

BIANCA 🧿Histórias para pegar e não largar. Descubra agora