BIANCA🧿
A rua tava silenciosa, só o barulho da moto cortando o vento enquanto descemos o morro. Gabriel tava quieto, só fumando um cigarro enquanto pilotava. Eu já sabia o motivo. Desde aquele dia, desde aquele tapa, as coisas tinham ficado estranhas entre a gente.
Ele tentou me agradar depois, ficou mais carinhoso, dizendo que eu era a 00 dele, que me amava, mas no fundo, eu sentia que algo tinha mudado. Não era só eu. A mãe dele sabia também.
Quando a gente parou na porta da casa da tia Gisely, eu desci primeiro.
— Vai entrar? — perguntei, olhando ele por cima do ombro.
Ele soltou a fumaça devagar, desviando o olhar.
— Melhor não. Cê sabe como ela tá, né? Se eu entrar lá agora, é só pra tomar um esculacho.
Respirei fundo, sentindo meu peito apertar.
— Tu que sabe.
— Vou resolver um bagui na boca.
Meu coração deu um solavanco. Eu odiava quando ele falava isso, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Olhei pra ele, tentando engolir o medo.
— Cuidado, Gabriel.
Ele deu aquele sorrisinho de canto, me deu um selinho, como se nada no mundo pudesse atingir ele.
— Relaxa, amor.
Subiu na moto e saiu sem olhar pra trás.
Quando entrei em casa...
A primeira coisa que vi foi minha filha no colo da avó, toda sorridente, brincando com os dedinhos. Maria Giulia tinha só três meses, mas parecia entender tudo ao redor.
— Oi, meu amor! — falei, pegando ela no colo e enchendo de beijo.
Tia Gisely me olhou com aquele olhar de quem queria perguntar sobre o filho, mas não perguntou nada.
Foi quando Gabrielly apareceu na sala, já com aquele jeito dela.
— Mano, tu não sabe o que rolou no baile! — ela puxou meu braço, me levando pro sofá.
— O que foi? — perguntei, já rindo.
— Menina... eu fiquei com um bofe lá. Só que depois veio uma marmitinha dele, que acha que tem papel passado no cartório, querendo me pegar! Vê se pode
Eu arregalei os olhos.
— Sério?! tu deu pra trás não né
— Claro que não né, elas acham mesmo vão me peitar e vai ficar por isso mesmo, tenho a mesma coisa que elas tem entre as pernas! terror nenhum- falou e eu só sabia, rir. —Não sei se ele era casado, enrolado, ou se era só uma dessas doidas que surta à toa.
— Mas tu vai atrás dele de novo?
— Claro, ele é ronca, pretinho todo tatuado uma deliciaa, eu não deito pra elasss, mona -A gente riu.
Ficamos ali conversando um tempo, fofocando, rindo. Depois, ela me chamou pra almoçar. Não recusei.
Mas Maria Giulia começou a ficar enjoadinha...
Resolvi subir pra casa com ela.
No caminho...
Eu já tava quase chegando em casa quando ouvi.
Os fogos.
Paralisei na hora.
Logo depois, o barulho.
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BIANCA 🧿
Fanfictionela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
