BIANCA🧿
Acordei com a cabeça estourando, corpo todo mole... parecia que tinha passado um caminhão por cima de mim.
Maria dormia tranquila no berço, depois da madrugada de amor, gritaria e resenha. Gabriel já não tava mais no quarto. Só ouvia o barulho dele mexendo nas paradas lá fora.
Levantei devagar, peguei meu celular e vi as notificações pipocando.
Twitter bombando. Instagram bombando. WhatsApp nem se fala.
As fotos da laje viralizaram entre os fakes. Todo mundo marcando, falando da minha roupa, do bolo da Pocahontas, da resenha. Mas, no meio disso, uma notificação chamou atenção:
@vavaabusada_ postou um story só com uma frase:
"A mentira tem perna curta, mas a raba tá longa, e ele sabe disso."
— Caralho... não cansa, não? — murmurei, já boladona.
Fui no direct e já tinha Letícia mandando:
@lehtrembarbie_
Bi, essa piranha n cansa n kkkkk
Vi o Gabriel com ela lá na rua 8 hoje de manhã...
Te juro, vi com esses dois olhos.
Bianca respondeu:
Ai leh, pprt... hoje n
Deixa eu respirar, ainda tô com gosto de ontem na boca.
Mas ele vai ver.
Levantei, troquei a Maria, dei mamá e fui pra cozinha preparar algo pra eu comer, tava de ressaca sem vontade de comer nada, abrir um biscoito e uma guaravita. Gabriel entrou em seguida, cheiro de cigarro no corpo, com aquele jeito de quem pensa que engana bem.
— E aí, tá melhor? — ele disse, abrindo a geladeira.
— Tô ótima. E tu, saiu cedo né? Plantão? — falei com ironia, tomando minha guaravita.
— É... precisei resolver uns bagulho na pista.
— Pista né? tlgda — levantei a sobrancelha, encarando.
Ele me olhou, mordeu o lábio inferior e bufou.
— Vai começar?
— Eu? Quem começa é tu, com essas mentiras tortas, Gabriel. Tu não cansa de me fazer de otária? Ontem tava me jurando amor, e hoje cedo já tava na rua com a Vanúbia. Sabe o que tu é? Um nojento.
Ele largou o copo na pia, veio andando firme.
— Tá me chamando de maluco? Tá achando que eu sou o quê? Hein, Bianca?
— Um homem fraco, que não sabe valorizar a mulher que tem! Eu sou mãe da tua filha, Gabriel! E tu me bota gaia com qualquer rabo que rebola na tua frente!
— Abaixa esse tom comigo!
— Se encostar em mim de novo, ou morre tu ou morre eu! Papo reto!
Ele parou. Os olhos cheios de raiva, a mão fechada, mas respirou fundo. Sabia que tava errado.
— Vai continuar nessa ou vai me ouvir? — ele disse, tentando conter a raiva.
— Fala. Tô ouvindo. Quero ver se cê tem coragem de dizer que não tava com ela.
Silêncio. Ele desviou o olhar, coçou a barba e falou baixo:
— Foi rápido. Nem fiquei com ela. Só troquei um lero.
— Trocar um lero é agora o nome que tu dá pra trair?
Ele não respondeu. Veio devagar, pegou na minha mão, e encostou a testa na minha.
— Me perdoa, Amor... Eu sou um merda, eu sei. Mas tu é tudo pra mim.
— Tu sempre fala isso. Mas não muda. Acha que presente caro tapa o buraco das tuas mancadas. Mas não tapa, não. Só que eu ainda te amo. Infelizmente, né?
Nos beijamos. Foi intenso. Foi carente. Foi cheio de raiva e tesão.
Subimos pro quarto. E de novo, foi do nosso jeito. Corpo contra corpo, beijo quente, a saudade misturada com mágoa.
Depois, deitada no peito dele, só conseguia pensar:
Até quando? Até quando eu vou aceitar esse amor quebrado, só porque me acostumei com os cacos?
Nem tinha passado uma hora depois daquele amor bagunçado, e eu já tava no banho, tentando lavar a culpa que não saía da pele. Peguei meu celular, e contei toda situação pra Bruna.
Vesti um shortinho jeans, top preto, amarrei o cabelo pra cima, e Maria já tava no carrinho mexendo as perninhas, toda sapequinha. Tava num silêncio estranho quando escutei a porta batendo.
— BIANCÁÁÁÁ! — era a Bruna, já me gritando do portão. — Abre essa porra, tu tá aí sim, garota!
Fui abrir com a cara mais lavada do mundo, tipo quem não tinha acabado de voltar pra cova do lobo.
Letícia veio logo atrás, óculos escuro na cara, sacola do mercado na mão.
— Trouxe pão, queijo e esporro — falou, entrando direto.
— Vish, já tão assim? — tentei brincar, mas Bruna me cortou no seco:
— Já sim. Porque tu merece ouvir. O que que tu tem na cabeça, Bianca? O cara te trai, mente, some... aí tu vai e transa com ele no mesmo dia? caralho mané.
— Eu ainda amo ele, pprt — falei baixo, abaixando a cabeça.
Letícia sentou no sofá, cruzou as pernas e puxou um baseado da bolsa.
— Amar alguém que não te ama do jeito certo é suicídio emocional, tlgda? Tu tá morrendo aos poucos e nem percebe. Ele suga tua energia, tua autoestima, tua paz. Tu nem é mais a Bianca que a gente conheceu pprt.
Bruna encostou na parede, me olhando fundo.
— Tu acha que tua filha merece crescer vendo esse tipo de amor? Um amor que bate, que trai, que mente?
Aquilo ali bateu em mim mais do que qualquer esporro.
— Eu... eu não sei o que fazer. Parece que eu fico presa nesse ciclo, tá ligado? Ele erra, eu xingo, a gente transa, aí volta tudo.
— Então corta — disse Letícia. — Sai fora enquanto ainda tem como. Vai pra minha casa de novo, junta tuas coisas, cuida da tua cria. Tu não precisa dele. Tu é cria, mulher! Tu é forte, porra!
Maria deu um gritinho, eu fui lá, peguei ela no colo e fiquei olhando pra carinha dela.
Bruna veio e abraçou por trás.
— Tu é tão nova, Bia... ainda dá tempo de mudar tudo. Mas tem que querer.
Suspirei. As palavras delas batiam forte, porque vinham de quem me amava de verdade. Era diferente do amor que machuca. Era amor que cuida.
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BIANCA 🧿
Fanfikceela era uma poesia mas ele não sabia ler! ✨ 📍Jacarezinho •História de Bianca e Relíquia.
