143

343 12 6
                                        

BIANCА 🧿

Já tava ficando tarde, o som cada vez mais alto, o cheiro de maconha ficando pesado no ar, lança passando direto, e os manos já começando a falar embolado de tanto beber.

Maria começou a dar aqueles sinais de criança com sono: esfregando o olho, ficando manhosa, puxando meu short e reclamando baixinho.

- Mãmã... quelo mimi... - ela choramingou, chupeta na boca, suando igual tampa de marmita.

Olhei pras meninas:
- Gente, já deu pra mim. A cria tá quebrada, não vou deixar ela aqui no meio desse baforão, não. - Falei pegando ela no colo.

- Iih gente, a diva dançou tanto que desmaiou. -John falou.

- A dona coelha desmaiou, a dona coelha desmaiou dnv. -Bruna falou e eu rir.

Letícia deu um beijo na bochecha da Maria:
- Vai, princesa, vai dormi', amanhã tu dança mais, kkkkkk.

Gaby riu:
- Leva essa menina, Bianca! Ela tá toda largada já, coitada.

Bruna acenou com a mão, barrigão apoiado na mesa:
- Vai com Deus, mona. Qualquer coisa aciona.

John fez um biquinho dramático:
- Ihhh, acabou a diversão da mãe... ou vai levar pra vó cuidar? kkkkkkkk

- Vai tomar no cu, viado - respondi rindo, ajeitando Maria no meu ombro. - Amanhã é até amanhecer.

Chamei o Gabriel do outro lado do campo:
- GABRIEL! Vamo embora! A menina tá caindo já.

Ele apagou o beck na sola do chinelo, cumprimentou os manos e veio andando rápido.

- Tá suave, vamo - ele falou, pegando a chave do carro no bolso.

Ele olhou pra Maria, toda mole no meu colo, cabelo grudado na testa de suor.

- Vem, amor - ele disse, abrindo os braços.

Maria foi, se jogou nele igual um saquinho de arroz. A cabeça dela caiu no ombro dele, já meio dormindo.

Ele colocou ela na cadeirinha do carro com cuidado, coisa rara, porque Gabriel sempre foi meio estabanado. Prendeu o cinto direitinho, ajeitou o cabelo dela, botou a chupeta na boca.

Eu entrei do lado do carona, fechei a porta. O barulho do campo ficou pra trás assim que o vidro fechou.

Dentro do carro tava aquele silêncio gostoso, só o motor baixinho e a respiração pesada da Maria.

- Tu tá bem? - ele perguntou, olhando pra mim de canto.

- Tô. Só cansada - respondi, ajeitando o top.

Ele deu partida.

Gabriel, lógico, olhou pra trás com aquele ar de "pai sério" que ninguém acredita.

Ele virou pra Maria e mandou:

- É pra ficar dançando não, hein! Tá maluca, rapá? Tu é bebê ainda, Maria Giulia!

Eu nem deixei terminar.

- Ihhh, nem liga pro teu pai, filha! - falei logo, virando pra trás, olhando pra ela. - Tem que dançar mesmo, dá em nadaaaa, mona. Diz a ele!

Aí Maria, toda abusadinha, tirou a chupeta meio torta, apontou o dedinho pro pai e repetiu:

- "Da em nada, bo-fi."

Eu juro que quase engasguei rindo. Gabriel arregalou o olho tão rápido que até o carro pareceu frear sozinho.

- Aí já é sacanagem! Quem ensinou isso, garota?! - ele reclamando, mas quase rindo. - Bianca, olha aí o que tu bota na cabeça da criança!

BIANCA 🧿Histórias para pegar e não largar. Descubra agora