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MARIA LUIZA

Felipe: Mas você é quem sabe. Eu acho que o melhor pra nós é ir.

Malu: Não consigo pensar, Felipe. - andei de um lado pro outro na sala. - Eu não sei se quero ir.

Felipe e eu precisávamos decidir sobre a nossa vida. Marina estava pra casa da "Bó Édia", vulgo minha mãedrasta, ela adorava ficar lá com os meninos.

A família do Felipe é portuguesa, meus sogros voltaram pra lá, junto com a minha cunhada e o marido dela. Isso tudo mexeu com a gente, porque é a família dele e eu o entendo, eles são muito ligados.

Tem mais ou menos um mês que meu sogro ligou, dizendo que um conhecido dele havia arranjando um emprego pro Felipe, na verdade, o sonho dele. E desde então, estamos falando sobre ir ou não.

Eu entendo que é o sonho dele e não posso pedir que ele abra mão disso por minha causa, ou ou por causa da Marina. E eu em contrapartida, tenho a minha vida feita aqui. Minha loja, minhas casas alugadas, a Edna, as crianças...

Nesse tempo que passou, nem sei mais o que aconteceu com o Renato, se morreu, ou ainda está preso. E nem quero saber.

Talia finalmente resolveu vir morar aqui e tá trabalhando comigo, lá na loja. Mudei o espaço, a clientela aumentou e tá tudo indo muito bem. O Wagner é gerente lá no posto e o Murilo estuda na mesma escola que as crianças, botei todos juntos, coisa mais linda.

(...)

Felipe: Marina vai ficar com quem?

Malu: Comigo, né? - eu chorava enquanto estava no sofá.

Felipe: Eu não vou aguentar ficar sem ela. - ele sentou do meu lado. - E nem sem você...

Malu: Eu não consigo decidir. Eu não sei o que fazer.

Felipe: Eu só tenho mais essa semana pra me decidir, Maria Luiza.

(...)

Depois do episódio com o Renato, nós vendemos a casa antiga do condomínio e fomos morar em uma que reformei, na rua da Edna.

Pensei em ir pra lá, pra fugir um pouco dessa conversa toda, mas não quero atrapalhar o dia das crianças, eles ficam tão felizes quando estão juntos.

(...)

Após muitas conversas, lágrimas, gritos, abraços e silêncios que pareciam intermináveis, o Felipe decidiu ir. Vamos tentar ter uma relacionamento à distância, viver nessas idas e vindas. Um mês ele vem, no outro nós vamos. Vamos tentar, só não sei como vai ser.

Continuei quieta encolhida na sofá, chorei muito, de verdade. Não sabia definir o que sentia, mas com certeza ia ser muito difícil daqui pra frente.

(...)

A semana voou, ajudei ele com os documentos, com as malas, passagens, tudo. Como ele viajaria no dia seguinte, a Edna se ofereceu pra ficar com a Marina à noite, para sairmos e aproveitarmos o nosso tempo juntos. E assim fizemos...

Saímos pra jantar, comemos no melhor restaurante da cidade. Na volta, paramos no motel e tivemos uma noite daquelas, com direito a hidro, champagne e cadeira erótica. Merecíamos isso na nossa "despedida". Dei meu nome naquela piroca, pra ele não conhecer nenhuma portuguesa lá, risos.

Acordei cedo e pedi um cafézão na cama pra nós, com tudo que tinha direito. Comemos e fomos pra casa. Tomamos um banho juntos e mais uma vez, fizemos amor. Nos arrumamos e fomos buscar a Marina. Felipe se despediu da Edna e dos meus irmãos e fomos embora.

Levamos-o até o aeroporto, resolvemos chegar perto da hora do voo, pra não ser aquela choradeira de filme. E assim fizemos. Não sei qual de nós três chorava mais.

Felipe: Eu te amo mais que tudo nessa vida, tá minha princesa? - ele dizia com a Marina nos braços, enchendo-a de beijos.

Marina: Amo muito, papai. - e ela o beijava também.

Felipe: Cuida bem da sua mãe, tá? Não deixa ela chorar de noite. - ele disse me entregando ela e me dando um beijo. - Eu te amo, dona encrenca. Se cuidem, daqui a pouco a gente se vê.

Malu: Também te amo, enjoadinho. Muito. Vai com Deus, faça boa viagem. E que dê tudo certo lá. Já estamos com saudade! - assim nos despedimos e ele foi para a área do embarque.

Fui com a Marina comer em algum lugar, até que nós duas nos acalmássemos e pudéssemos voltar pra casa.

VAMOS FUGIR!Onde histórias criam vida. Descubra agora