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(...)

Acordei com uma barulhada estranha, dona Célia bateu firme na minha porta e entrou.

D Célia: Vem, minha linda. Fica aqui no meu quarto com a gente. - ele disse em tom desesperado.

Levantei mais do que rápido e fui pro quarto dela. Ficamos eu, tia Janaína e ela abaixadas ao lado da cama. Ai eu pude entender que eram tiros. Tia Janaína me disse que estava tudo bem com o pessoal lá na Talia. E a única coisa que vinha na minha cabeça era o filho da puta do Wesley, ai que saco.

Aos poucos, o barulho cessou. Ficamos um pouco receosas, mas cada uma foi pro seu quarto. Eram 4h e pouca, e eu não conseguia mais dormir, estava rolando pela cama, levantei e decidi tomar uma água, fui até a cozinha, enchi meu copo e fiquei encostada na pia. Foi quando ouvi um barulho na parte dos fundos da casa.

Fiquei naquele olha e não olha. Mas fui até o basculante, que dava pra parte de trás da casa e vi que alguém tinha pulado pra dentro do quintal, mas não consegui ver quem era.

Levei um susto quando alguém bateu desesperadamente na porta da cozinha.

xx: Ô vó. Abre aí! - eu não reconheci a voz, mas fui abrir. Ou era o Douglas ou o Wesley.

Abri a porta e o corpo caiu no meu pé. Só consegui enxergar o sangue no chão, onde estava parado. Fechei a porta rápido e acendi a luz, era o Wesley.

Naquele momento, o desespero bateu. Tentei puxá-lo pra encostar as costas na parede da pia. A perna dele sangrava muito, na parte da coxa.

Dona Célia apareceu na cozinha e ficou desesperada com a quantidade de sangue que tinha em sua cozinha. Tia Janaína saiu no mesmo pé que chegou, e voltou logo com uma caixa de primeiros socorros.

Eu não sabia se acalmava Vó Célia ou se descobria onde estava o ferimento do Wesley. Sem pensar duas vezes, peguei a tesoura e cortei a calça dele, acima da área que já estava rasgada.

WL: Pô, minha calça nova. - ele disse meio grogue. Nem dei ideia, ele tinha tomado um tiro de raspão na perna e pela ferida, não foi qualquer arma não.

Lavei o ferimento, e fiz um curativo. Graças a Deus não foi nada demais, ele só desmaiou porque a bebida e a adrenalina dele fizeram isso.

Vó Célia: EU JÁ FALEI COM ESSE MENINO. - ela gritava pela cozinha, depois da tia Janaína ter dado água pra ela. - IMAGINA SE MORRE NA MINHA COZINHA. ELE TEM UM FILHO PRA CRIAR. E O OUTRO TÁ VINDO. ELE NÃO PRECISA DISSO, JÁ FALEI!!

Confesso que fiquei um pouco assustada quando escutei que ele ia ser pai de novo. Mas, naquele momento, eu estava fazendo o que eu mais gostava, cuidar das pessoas.

Tia Janaína: Mãe, sobe pra descansar. Daqui a pouco temos um monte de coisa pra fazer. E a senhora já está falando demais. Não vai adiantar brigar com o Wesley agora. - ela disse, fazendo com que ela voltasse ao quarto. - Malu, minha filha, quer ajuda pra levar esse menino? Vou botá-lo lá no quarto.

Fiz que sim com a cabeça e nós o apoiamos em nossos ombros, levando pro quarto.

WL: Eu quero dormir com a Malu. - ele disse um pouco embolado.

Tia Janaína: Além de você não ter escolha, ela não quer dormir com você. Como você vai no batizado do seu afilhado assim?

Deitamos o Wesley na cama e saímos. Tia Janaína veio comigo pra cozinha e começamos a limpar por lá. Acendi a luz de fora e fui limpar a parte de trás também. Feito isso, voltei ao quarto, peguei uma muda de roupas e fui tomar um banho. Eu já sabia que não ia conseguir dormir mais, são muitas emoções...

VAMOS FUGIR!Onde histórias criam vida. Descubra agora