Capítulo 7 - parte 5 (rascunho)

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Foram andando na direção escolhida quando Ricco aproximou-se da tenente-coronel e disse, baixinho.

– Senhora, se prestar atenção ao que eu li, verá que está escrito administração portuária. Isso quer dizer que faz muito tempo que não se usa esta base para construir uma nave sideral.

– Isso é bem óbvio, Tenente – respondeu a superiora. – Estamos mais de dois séculos no futuro. É evidente que faz muito tempo que ultrapassamos os limites do sistema solar. Justamente a minha preocupação foi essa, quando nos identificaram como humanos. É bem possível que tenhamos surgido no meio de uma guerra interestelar.

– Se isso que a senhora disse for verdade, TC, então, nós perdemos a guerra, do contrário, haveria movimento tanto aqui quanto no espaço – argumentou o oficial. – E agora a senhora conseguiu me deixar apavorado.

– Fica frio, tchê – disse ela, séria. – Estou certa que apenas o Toninho o e o Paulo se deram conta disso...

Foram interrompidos pelo som de uma metralhadora disparado por uns quinze segundos. Logo a seguir, ocorreu um intervalo curto e mais uma rajada rápida. Depois, silêncio total.

– Agora estou mesmo apavorado, TC – disse Ricco, baixinho.

– Controla-te – resmungou, zangada. Olhou para o americano e o marido, que se aproximaram, perguntando. – O que pensam a respeito?

– Que estamos ferrados – disse Paulo.

– Devemos mandar uma equipe – retrucou o americano, pensativo.

– Aí é que está – comentou Luísa, séria. – Aquele cão pode enfrentar quantos soldados?

– Cerca de trinta – respondeu o americano, orgulhoso. – Até armados.

– Então, o que o senhor acha que acontecerá com a nossa equipe, meu caro?

– Tem toda a razão – respondeu ele, cabisbaixo. – Mas dá dó perder um homem assim.

– Acho que acabamos de perder dois homens e um cão, mas, em compensação, já sabemos que os cães podem sentir a ameaça.

– "Nave chama Tenente-coronel."

– Eu pedi silêncio de rádio – disse Luísa, zangada. – Qual é o motivo da chamada?

– "Comandante, acontece que os observadores viram a porta do hangar abrir sozinha..."

– Lacrem as escotilhas e coloquem um efetivo pesadamente armado lá. Mandem junto os dois marines americanos com os cães. Não façam mais nada, mas atirem se a porta se abrir, atirem para matar e sem pesar as consequências, mesmo que não vejam nada. Assumo a responsabilidade.

– "Confirmado comandante. Usar força letal se necessário."

– Cambio e desligo. – Olhou para os colegas e decidiu. – Vamos sair daqui o quanto antes. Se o soldado e o cão foram neutralizados, nós não teremos muita chance. Se eles se safarem, serão capazes de nos encontrar como ele bem disse.

– Faz sentido, comandante – disse Ana, destravando a pistola.

O grupo acelerou o passo, enquanto o segundo americano com o cão ficaram na retaguarda a pedido da tenente-coronel, uma vez que o animal tinha condições de dar o alarme.

― ☼ ―

O grupo andou cerca de vinte minutos até que o corredor fez uma curva de noventa graus, voltando a apontar para o centro da estação. Alguns metros depois, havia uma porta que se abriu de imediato tão logo chegaram perto.

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