Capítulo 29

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"Uma pessoa obsessiva te ama tanto ao ponto de te deixar refém de seu amor vago e sagaz"

Tom kaulitz

Chegamos à frente da casa e, antes que eu pudesse sair do carro, Georg já estava me dando uma olhada, como se soubesse exatamente o que estava se passando na minha cabeça. Ele solta um suspiro pesado, meio como se já estivesse preparado para o que ia dizer. Fomos conversar longe das garotas, que só observavam com um ar de curiosidade.

— Eu vou ter que deixar a Ashley aqui — Ele diz, a voz grave, quase como um aviso. — Se minha tia e o irmão dela a virem bêbada desse jeito, vai ser um inferno. Não quero ser o responsável por isso.

Eu não me importo com a situação da Ashley, mas respeito a escolha dele. Georg sempre foi o mais cauteloso de todos, o que não é exatamente o meu caso. A nossa casa, comandada por quatro garotos, quando querem ficar sozinhos é grande, espaçosa, com quartos separados para cada um de nós. Mas eu sei o que ele quer dizer. E, por mais que eu queira mandar todo mundo embora, o que mais me irrita é ver Yolanda desse jeito.

— Eu vou dormir no sofá — Georg continua, tentando dar uma solução que, de certa forma, resolve o problema sem causar mais confusão. — Assim as meninas podem dormir no meu quarto.

Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Bill solta a risada baixa dele, aquela risada que sabe o que está acontecendo, que é sempre carregada de ironia.

— Ah, Tom... Sei muito bem o que está querendo — Ele diz, enquanto tira um cigarro do bolso e começa a acender, ignorando o olhar reprovador que eu lanço em sua direção. — Agora, tenho que aturar três garotinhas bêbadas!

Eu só o olho com um olhar de desaprovação. Não tenho paciência para os jogos dele agora. Não tenho cabeça para essas provocações idiotas. Eu sei o que Bill está insinuando, e não vou me deixar levar. Eu sei muito bem o que Yolanda precisa agora, e não é mais jogo para ninguém.

— Yolanda vai dormir no meu quarto — Eu digo, a voz firme, já sem paciência para mais discussões. — Não confio nela sozinha. Ela é uma adolescente irresponsável.

Bill só ri de novo, dando uma tragada profunda, como se estivesse realmente se divertindo com a situação. Ele nunca leva nada a sério, e eu odeio isso. Mas, nesse momento, não vou dar espaço para mais brincadeiras.

Eu puxei Yolanda pela mão, sentindo a resistência dela, suas amigas dizem algo, mas acabo ignorando. Eu já a vi demais hoje. E sei que preciso controlar a situação. Quando ela começa a se virar, dando passos meio vacilantes, a respiração dela ainda pesada, sei que preciso colocá-la no quarto o mais rápido possível.

— Vai tomar banho — Eu ordeno, enquanto a empurro suavemente na direção do banheiro.

Ela me encara com um olhar que mistura teimosia e cansaço, como se não fosse querer fazer absolutamente nada que eu pedisse. Mas, por algum motivo, ela obedece, se afastando lentamente em direção ao banheiro.

Eu agacho para ajudá-la, tentando tirar a bota dela enquanto ela, com dificuldades, se equilibra. Cada movimento dela é um desafio para minha paciência e, ao mesmo tempo, algo difícil de ignorar.

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