Capítulo 66

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“Eu tento fugir dele, mas parece que nunca corro o suficiente."

YOLANDA

Seis dias tinham se passado desde aquela noite infernal. Hoje era sábado, e eu estava jogada na cama, encarando o teto. O quarto parecia um campo de batalha; roupas espalhadas, o lençol amontoado, e minha própria mente em um estado de caos. A náusea ia e vinha, mas a dor na barriga era constante, um lembrete cruel do que eu carregava na barriga.

A porta do quarto se abriu com um estrondo. Margareth entrou como uma tempestade, nem se deu ao trabalho de bater. A batida da porta contra a parede me fez pular, meu coração disparando no peito.

— O que está acontecendo com você, Yolanda? — Ela começou, cruzando os braços e me encarando como se eu fosse uma criança desobediente. — Você não foi para o colégio a semana inteira. Otto não vai ser idiota de acreditar nessa sua desculpa por muito mais tempo.

Tentei me sentar, apoiando-me nos cotovelos, mas até isso parecia exigir mais força do que eu tinha.

— Eu não estou bem — Murmurei, desviando o olhar. Não queria encarar aqueles olhos cheios de julgamento. — Estou me sentindo mal... vomitando muito... e com dor.

Margareth bufou, aquele suspiro cheio de desprezo que era marca registrada dela.

— Ah, por favor. — Ela deu um passo à frente, sua sombra cobrindo a cama como uma nuvem carregada. — Você deveria abortar, Yolanda.

As palavras saíram dela com a mesma facilidade que se comenta sobre o tempo. Fria. Sem emoção.

— Você é uma fraca. — Sua voz cortava como lâmina. — Não vai aguentar nove meses com essa criança.

Minha raiva subiu como uma chama inesperada. Olhei para ela, sentindo meus olhos queimarem com lágrimas que eu não deixaria cair.

— Eu não vou abortar.

Margareth riu, aquele riso gelado que parecia ecoar dentro da minha cabeça.

— Você acha que tem escolha? — Perguntou ela, inclinando a cabeça. — Se pensa que o pai dessa criança vai querer você ou o bebê, está mais enganada do que eu imaginava.

Minhas mãos tremiam sob o cobertor. Ela não sabia o quanto aquelas palavras me atingiam. Não era como se eu não soubesse disso. Eu sabia. Tom já tinha deixado claro o suficiente. Ele me mandou abortar. Ele me negou, negou o bebê. Desde aquela noite, eu ignorei todas as ligações e mensagens dele, e eu não faço ideia de como ele arranjou meu número. Não queria ouvir a voz dele, não queria mais nada.

— Você não conhece ele, não sabe se ele quer ou não. — Murmurei, tentando afastar o peso das palavras dela. — Isso não importa.

Margareth deu uma risada seca, balançando a cabeça como se eu fosse a criatura mais patética que ela já tinha visto.

— Ah, importa, sim. Você não tem ideia do que está fazendo.

Ela começou a se virar para sair, mas parou na porta.

— Dália me contou algo interessante. Que você dormiu na casa do Dylan semana passada.

Meu corpo congelou.

— E daí? — Perguntei, minha voz fraca.

Margareth virou-se para mim, o olhar carregado de malícia.

— E daí espero que você tenha sido esperta o suficiente para não usar proteção. Se não, talvez você tenha acabado de perder sua única saída.

Minhas entranhas se reviraram.

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