Capítulo 58

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"Sentir falta de alguém que eu sei que poderia destruir tudo a qualquer momento é como segurar uma chama viva: perigoso, intenso e impossível de ignorar."

YOLANDA

Saí apressada da mesa de jantar, o enjoo subindo pela garganta enquanto eu caminhava para o banheiro no final do corredor. Meus passos eram rápidos e descompassados, e minha mente, uma tempestade. A presença de Dylan na minha vida parecia como um peso sufocante, esmagando cada parte de mim.

Quando entrei no banheiro, encostei na pia, tentando recuperar o fôlego. Meu reflexo no espelho me encarava: pálida, com olheiras marcadas e um brilho de desespero nos olhos. Meu corpo tremia, uma mistura de raiva e medo se misturando dentro de mim.

— Yolanda? — Ouvi a voz de Cassandra do lado de fora. Seus passos ecoavam no corredor, aproximando-se. — Você está bem?

Ela abriu a porta devagar, encontrando-me ainda inclinada sobre a pia. Seu olhar era preocupado, e por um momento eu quis afastá-la, mas sabia que Cassandra não desistiria tão facilmente.

— O que está acontecendo? — Perguntou ela, fechando a porta atrás de si.

— O que está acontecendo? — Repeti, a voz quase um sussurro carregado de exaustão. — Eu estou cansada, Cassandra. Cansada desse teatrinho, dessa palhaçada que chamam de noivado.

Ela cruzou os braços, encostando-se na parede enquanto me observava.

— Você tem passado muito mal esses últimos dias, sabia? — Disse, em um tom que era metade preocupação, metade acusação.

Suspirei, me endireitando enquanto tentava organizar meus pensamentos.

— É só o estresse — Respondi, limpando o suor da testa. — Eu não era assim. Tudo isso começou por causa dessa maldita família.

O comentário a atingiu, e o brilho no olhar dela mudou.

— Beleza — Cassandra disse, o tom casual, mas com um toque de mágoa. — Achei que a gente estava se dando bem.

Olhei para ela, sabendo que minhas palavras tinham sido mais duras do que deveriam.

— Cass, você sabe do que estou falando — Retruquei, tentando soar mais suave, mas o peso na minha voz era inegável.

Ela ficou em silêncio por um momento, mas não parecia disposta a deixar o assunto morrer ali.

— Então... o que você está pensando? — Ela insistiu, os olhos atentos, analisando cada movimento meu.

Deixei escapar um suspiro pesado e me virei, abaixando-me para o chão, onde me sentei encostada na parede.

— Nada, Cassandra. Eu não quero falar sobre isso.

Mas Cassandra era persistente, e eu sabia disso. Ela nunca deixava uma pista escapar.

— Pelo menos você sabe qual dos doidos é o pai da criança? — Soltou, como se estivesse comentando o clima.

Meu corpo inteiro ficou tenso. Levantei-me de repente, a raiva me tomando.

— Cassandra! — Sibilei, puxando-a pelo braço e arrastando-a para dentro do banheiro antes de fechar a porta atrás de nós.

Ela ficou parada, os braços cruzados e uma sobrancelha levantada, enquanto eu me colocava bem na frente dela, tentando controlar minha voz para não explodir.

— Eu não estou grávida, Cassandra! Para de ficar insinuando isso!

— Tá bom, calma! — Respondeu Cassandra, levantando as mãos em rendição. Mas a preocupação em seu olhar era clara, ainda que ela tentasse disfarçar com um tom descontraído.

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