"Se ele me perder de vista, sei que virá atrás de mim."
YOLANDA
A manhã parecia se arrastar, e eu não fazia ideia de quantas horas ainda teria sozinha. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som baixo da respiração de Larry, deitado ao meu lado no sofá. O novo Larry. Ele era minha companhia agora, a única constante nesse caos em que minha vida tinha se transformado.
A dra. Kristina e a diretora haviam me avisado na quinta que o investigador Dalton viria hoje pela manhã. Sábado de manhã no caso. O dia que eu passaria com Larry, deitada no sofá, tentando esquecer que o mundo lá fora existia. Mas agora, o tempo corria contra mim, e eu sabia que, a qualquer momento, a campainha iria tocar e tudo o que eu mais temia se tornaria real.
Meu olhar se perdeu no teto, enquanto minha mente me arrastava para um turbilhão de pensamentos. Eu iria sair daqui. Sair do lugar onde vivi minha vida inteira. Cada canto dessa casa era uma lembrança — mesmo que às vezes dolorosa, ainda assim, minha. Mesmo lutando para sobreviver com o pouco que eu economizava, almoçando torradas e jantando pão com geleia, era melhor continuar aqui, sozinha.
Sozinha não. Larry estava aqui.
Passei os dedos no pelo macio dele, e um sorriso fraco apareceu nos meus lábios. Ele não entendia nada disso, claro. Mas, de certa forma, sua presença me dava uma ilusão de que eu ainda tinha algum controle sobre alguma coisa.
Perdi a noção do tempo enquanto devaneava. Foi quando a campainha tocou. Meu coração parou por um segundo, e então o pânico tomou conta.
"Maldição," pensei, amaldiçoando mentalmente com todas as forças que eu tinha. Queria que o mundo explodisse, que tudo desaparecesse, que aquela campainha nunca tivesse tocado.
Suspirei, tentando reunir coragem, e me levantei devagar, deixando Larry no chão. Ele me olhou por um momento antes de deitar a cabeça novamente, indiferente à gravidade do que estava prestes a acontecer.
Cada passo que eu dava em direção à porta parecia me consumir. Meu interior desmoronava lentamente, como se algo estivesse se partindo dentro de mim. Não queria vê-lo. Não queria ver o homem que deveria ser meu genitor. Aquele que, de repente, tinha surgido do nada para reivindicar algo que nunca tinha sido.
Eu segurei a maçaneta por alguns segundos, tentando controlar minha respiração. Então, abri a porta.
Para minha surpresa e, talvez, alívio, era apenas o investigador Dalton.
Ele estava sozinho.
— Bom dia, Yolanda — Disse ele, sua voz calma, mas carregada de algo que eu não consegui decifrar.
Meus ombros relaxaram um pouco, mas não o suficiente para afastar a tensão que ainda tomava conta do meu corpo.
— Achei que ele viria com você — Murmurei, mais para mim mesma do que para ele.
Dalton inclinou levemente a cabeça, como se ponderasse sobre minhas palavras, antes de entrar sem esperar um convite.
— Precisamos conversar — Ele disse.
Dalton ajeitou a gravata enquanto olhava ao redor da sala, sua postura séria, mas com um toque de empatia forçada.
— Yolanda, você precisa fazer as malas ainda hoje. Leve apenas o necessário. Está tudo pronto para você. — Ele limpou a garganta antes de dizer.
Meu coração deu um salto. Ele parecia tão calmo ao dizer isso, como se estivesse falando de uma simples mudança de endereço e não do fim da vida que eu conhecia.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
