"As mentiras dele eram como cicatrizes invisíveis, dolorosas e profundas, feitas pela pessoa que eu mais amei, e que, agora, se tornaram a fonte de toda a dor que eu carrego."
YOLANDA
A manhã estava fria, o vento cortante parecia passar direto pelo meu casaco, mas o desconforto físico era o menor dos meus problemas. Sentada nos degraus da varanda, observava a estrada vazia enquanto minha mente não parava de girar. O que viria depois de ontem? Como Dylan reagiria? Ele estava sempre tão imprevisível, uma mistura de sarcasmo e raiva. A única coisa que eu sabia era que nada que um chute bem dado não pudesse resolver. Mas isso ainda parecia longe de ser o suficiente para lidar com tudo o que estava acontecendo.
Com a mente tomada, peguei o celular, minhas mãos tremendo ligeiramente enquanto tentava digitar. As palavras saíram sozinhas, como se precisassem sair de mim de qualquer jeito.
“Tony, preciso de você. Está tudo tão difícil… Eu não sei mais o que fazer. Não aguento mais. Você está aí?”
Enviei a mensagem, mas não obtive resposta. A sensação de vazio foi como um peso no peito, e a pergunta passou pela minha cabeça: ele já sabia sobre Tom? Ou seria que Dylan estava de alguma forma no meio disso tudo? Eu olhei para a tela, esperando, mas não houve resposta. Será que ele estava distante, ou talvez, já havia se afastado por causa de tudo que havia acontecido?
Ouvi o som do carro dele se aproximando. Ele parou em frente à casa, mas, como sempre, não desceu. Dylan adorava essa falsa superioridade, como se o simples fato de dirigir fosse suficiente para colocar todos ao seu redor em seus pés.
Desci os degraus, me esforçando para manter a postura, e entrei no carro sem olhar para ele. Bati a porta com força e me virei para a janela, sem dizer uma palavra.
— Bom dia, meu amor — Ele disse, o tom carregado de sarcasmo.
Ignorei.
— Bom dia, meu amor. — Repetiu, mais firme, com aquela irritação contida que fazia meu estômago revirar.
Continuei calada, olhando para fora.
De repente, ele bufou e riu, mas não era uma risada genuína. Era amarga, cheia de veneno. Antes que eu percebesse, senti a mão dele pousar na minha coxa nua, apertando com força, cravando suas garras.
— Vai continuar fingindo que não está me ouvindo? Ou está bravinha porque sabe que eu estou certo? — Ele murmurou, os dedos cravando ainda mais na minha pele.
Soltei um grunhido, tentando afastar a mão dele.
— Você está assim por quê? Tudo isso só porque eu disse que você tem o pau pequeno? — Retruquei, girando o rosto para encará-lo. Minhas palavras saíram afiadas, cheias de desprezo.
Ele se inclinou para mais perto, o olhar carregado de raiva.
— Talvez fosse bom você cuidar da sua vida, Yolanda, antes de sair por aí falando merda sobre a dos outros.
Meu estômago deu um nó com a proximidade, mas não recuei.
— Ah, claro, porque você é o modelo de perfeição, né? — Rebati, tentando empurrar a mão dele da minha perna.
Mas ele foi mais rápido. Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meu rosto com força, apertando meu queixo.
— Você não perde por esperar, sua vagabunda — Rosnou, sua voz baixa e ameaçadora.
Eu ri, mesmo com a dor. Não sei de onde tirei a coragem, mas as palavras saíram antes que eu pudesse pensar.
— Vagabunda é a sua mãe, não me pararei até que cesse suas ofensas sobre mim.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
