Capítulo 81

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Esse é um capítulo especial para: isallcn
Feliz aniversário, gatinha!! Tudo de bom, você é muito especial, aproveite seu dia! Beijinhos da autora🫦🌹🎀
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"Eu quis negar o que sentia por ele, mas, no fundo, sempre soube que ele seria minha perdição."

YOLANDA

O garfo girava entre meus dedos, tocando a comida no prato sem muito interesse. Eu já havia me acostumado com a rotina dessas refeições insuportáveis na casa de Dylan. Tudo era branco demais, organizado demais, silencioso demais. Até o cheiro do lugar me enjoava.

A comida, então… um monte de folhas e coisas sem gosto, tudo com cara de que só servia para manter a aparência deles. Era isso que eles valorizavam: a aparência.

Enquanto eu mastigava a salada sem graça, Dália limpou a boca com um guardanapo de linho e virou os olhos frios para mim.

— E como está o bebê?

Não me dei ao trabalho de levantar a cabeça. Continuei focada no prato enquanto respondia, sem emoção:

— Está bem.

O silêncio se prolongou por um segundo antes de Roberto, sempre com aquela postura de superioridade, perguntar com desinteresse:

— Já dá para saber o sexo?

Minha mandíbula travou. Eu sabia onde essa conversa ia dar.

— Sim, já dá.

Lia, que até então estava mais preocupada em mexer no celular do que na conversa, de repente se animou.

— Então por que não nos diz logo? Eu estou curiosa!

Revirei os olhos, segurando o garfo com mais força. Antes que eu pudesse responder, Dylan soltou um suspiro impaciente e jogou o guardanapo na mesa, como se minha hesitação fosse um insulto pessoal.

— Espero que seja um menino. — Ele me encarou, como se esperasse alguma reação. — Se não for, eu vou ficar muito puto.

Meu olhar subiu para ele na mesma hora, gelado. Mas ele nem parecia notar ou se importar.

— De fato, um menino seria melhor. — A voz de Roberto veio carregada de certeza, como se a opinião dele importasse.

Dália concordou com um sorriso satisfeito.

— Um herdeiro sempre é a melhor opção.

Pigarreei, segurando a risada de desgosto, e levei uma colher cheia daquela salada horrível à boca. O gosto era tão insípido quanto essas pessoas.

— Que se foda o que vocês querem — Murmurei entre os dentes. — Vou amar independente do que for.

Dália franziu o cenho, claramente incomodada com meu tom, mas manteve o sorriso forçado.

— Então… O que é?

Engoli a comida antes de responder, sem pressa.

— Não sei.

Lia arregalou os olhos.

— Como assim não sabe?

Soltei o garfo no prato, sem paciência.

— Só as meninas sabem. — Cruzei os braços. Engolindo minha mentira, só Charlotte sabe. — Hoje vamos fazer a revelação.

O olhar de Dália se estreitou.

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