"Eu não quero precisar dele, mas cada vez que respiro, sinto que já o perdi."
YOLANDA
Quando descemos do carro, meus olhos foram atraídos para a fachada brilhante do restaurante, que parecia mais um monumento do que um lugar para comer. Grandes colunas adornavam a entrada, cercadas por arbustos esculpidos em formas perfeitas. No teto, luminárias de cristal brilhavam como constelações. Tudo ali exalava riqueza, e, de alguma forma, fazia com que eu me sentisse ainda mais deslocada.
Se não fosse pela circunstância forçada desse jantar, poderia ser uma noite mágica para mim. Nunca tive algo parecido com um "encontro" verdadeiro, e, por um momento, imaginei como seria estar aqui com alguém que eu realmente quisesse ao meu lado.
Cassandra, como sempre, quebrou o encanto.
— Isso aqui não chega aos pés de outros restaurantes que já fui — Comentou, de forma quase casual, mas eu sabia que era apenas seu jeito de aliviar a tensão.
Margareth lançou um olhar para nós.
— Já fiz a reserva. Vamos.
Ela e Otto seguiram na frente, o som dos sapatos dela ecoando contra o mármore impecável do chão. Cassandra bufou, mas a seguiu. Dei um último suspiro antes de ajeitar a barra do vestido e caminhar para dentro.
Quando nos aproximamos da mesa, meu olhar encontrou Dylan, e o ar ao meu redor pareceu desaparecer por um momento. Ele estava de pé ao lado de seus pais, com uma expressão neutra que transmitia pouco, mas que tinha algo de feroz por trás. Seus olhos eram de um azul escuro, e eles estavam fixos em mim como se não houvesse mais ninguém no ambiente.
Ele vestia uma camisa social preta, com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando braços cobertos de tatuagens detalhadas que pareciam fechar seu antebraço como uma obra de arte. A calça social preta era justa o suficiente para destacar sua postura imponente e atlética. Ele era maior, muito maior do que Tony. Parecia perigoso.
Os pais dele estavam sorrindo, claramente dispostos a demonstrar cordialidade, mas Dylan era um contraste gritante. Ele permaneceu imóvel, analisando-me, até que seu pai o cutucou de leve no braço e indicou que era o momento de se apresentar e cumprimentar.
— Dylan, você deveria cumprimentar Yolanda e puxar a cadeira para sua futura noiva — Disse Roberto, com um tom que misturava paciência e advertência.
Dylan revirou os olhos como se fosse um adolescente. Ele soltou um suspiro exagerado, sem sequer tentar esconder a irritação.
— Ela tem mãos, pode puxar a própria cadeira.
Eu congelei por um momento depois da frase absurda de Dylan, meu rosto queimando de raiva e constrangimento ao mesmo tempo. Era claro que ele não tinha a mínima intenção de ser agradável, muito menos de cooperar com toda essa encenação. Mas se ele achava que eu iria aceitar isso calada, estava muito enganado.
Cruzei os braços e me virei para ele, com um sorriso afiado como uma lâmina.
— Sabe, Dylan, educação é algo que as pessoas valorizam muito. Puxar a cadeira para mim não ia quebrar seu braço.
— Dylan, faça como seu pai mandou e cumprimente a sua noiva adequadamente. — Antes que ele pudesse responder, Otto interveio, sua voz carregada de autoridade
Dylan suspirou, seu rosto contorcendo-se em uma mistura de irritação e diversão. Ele deu um passo à frente e segurou a cadeira, puxando-a com tanta força que quase me fez perder o equilíbrio. Vacilei por um segundo, sentindo a madeira da cadeira deslizar perigosamente.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
