"No final, ela voltou para mim. Sempre foi minha, desde o começo, e sempre será, porque eu sou dela, e nós seremos um só até o fim."
TOM KAULITZ
Cada passo na lama é um inferno, meus músculos queimam, minha respiração está rasgando meu peito, e ela...
Ela está tremendo. De frio, de dor, de tudo.
- Eu... não estou aguentando mais... - A voz dela sai trêmula, falha. - Está doendo demais, Tom... Eu não vou conseguir...
Paro na mesma hora. Ela tá se segurando em mim, os olhos apertados de dor.
- Eu só vou atrasar você...
- Não fode. - Me abaixo e passo os braços ao redor dela. - Você nunca vai me atrasar. Nunca vou te deixar pra trás.
Levanto ela nos braços, ignorando o peso do cansaço. A dor dela importa mais. Ela esconde o rosto no meu pescoço, e então...
- AHHH!
O grito dela rasga a noite. Eu congelo.
- Baby, Dylan pode ouvir. Ele vai vir atrás da gente!
- Vai se foder, Tom! - Ela se contorce nos meus braços, a respiração irregular. - Você não está no meu lugar! Não sabe o que eu estou sentindo!
Ela tem razão.
- Desculpa, desculpa...
Ela grita de novo e, dessa vez, sinto os dentes dela afundarem no meu ombro. Forte. Meu corpo tensiona, mas não digo nada.
Foda-se.
Se morder meu ombro alivia 1% do que ela tá sentindo, então que me rasgue inteiro.
Os músculos das minhas pernas imploram por descanso, mas sigo em frente, segurando ela firme contra mim.
Foi quando eu vi.
A silhueta de um prédio no escuro. Antiga, gótica. Uma igreja.
- Quase lá, baby... Segura firme.
Agarro ela com mais força e começo a correr, ignorando a lama sugando meus pés, a chuva encharcando cada pedaço do meu corpo.
Quando chego, não penso duas vezes.
- Porra!
Chuto a porta. A madeira podre cede, e eu entro com ela nos braços.
O lugar fede a mofo, as goteiras pingam no chão, mas pelo menos aqui, Dylan não tem visão de nós.
Coloco ela no chão com cuidado, mas ela se solta e se arrasta até o altar, sujando o vestido branco com lama e sangue. Sangue que não parava de sair desde que sua bolsa estourou.
Ela encosta as costas na escada, a cabeça jogada pra trás, os olhos cheios de desespero.
Eu corro até os bancos e empurro alguns contra a porta. Não é grande coisa, mas vai atrasar quem tentar entrar.
Quando me viro, vejo ela tremendo, os braços ao redor da barriga.
- Eu... não vou conseguir chegar até a cidade.
Minha respiração trava. Eu sei disso. Mas ouvir dela me quebra.
- Nós vamos...
Ela chora.
- A gente ia morar na casa de praia... Longe daqui... Dessa cidade...
Me abaixo perto dela, sentindo o chão frio contra os joelhos.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
