Capítulo 88

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"Mesmo depois de tudo, meu amor por você é mais forte que qualquer ódio que eu possa ter sentido."

TOM KAULITZ

O apartamento estava silencioso. O relógio na parede marcava uma hora que eu nem me dei ao trabalho de registrar. O frio da madrugada se infiltrava pelo chão de mármore, gelando meus pés descalços enquanto eu saía do quarto de Lia.

Ela dormia como um bebê, exatamente do jeito que eu queria que dormisse—convencida de que transamos a noite inteira. Eu tinha me dado ao trabalho de tirar a roupa dela, deixar a calcinha de lado na cama, só para garantir a cena perfeita quando ela acordasse.

Mas agora… agora minha atenção estava em outro lugar.

Passei pelo corredor sem fazer barulho, sentindo a adrenalina correr no sangue. Eu sabia que Dylan tinha saído algumas horas atrás—e isso significava que ela estava sozinha.

Eu precisava saber mais sobre esse filho da puta.

A porta do quarto estava entreaberta, e eu empurrei com cuidado, entrando em silêncio. A primeira coisa que vi foi a bunda dela, perfeitamente virada para mim debaixo do lençol fino. O cabelo espalhado pelo travesseiro, a respiração suave, e aquela maldita sensação de que eu estava ficando louco de ver o prato sem poder saborear.

Minha mão coçou para deslizar pelos contornos do corpo dela, mas eu me controlei.

Em vez disso, puxei o cobertor e cobri seu corpo. Estava frio pra caralho, e ela nem se deu ao trabalho de se cobrir.

Minha atenção se desviou quando percebi que Cassandra estava dormindo ao lado. Ótimo. Menos chances de Yolanda acordar.

Dei uma olhada rápida pelo quarto. Nada de anormal à primeira vista. Mas alguma coisa aqui me dizia que Dylan escondia merda grande.

Abri o closet dele devagar, analisando cada prateleira, cada gaveta que não estivesse trancada. Nada. Tudo dobrado e organizado demais para um cara como ele.

Foi quando vi a gaveta trancada.

Minha curiosidade atiçou na hora.

Olhei ao redor e me aproximei da mesa dele, abrindo as gavetas em busca de algo útil. Achei um clipe. Perfeito.

Voltei para a gaveta trancada e, com um pouco de paciência e jeito, a tranca cedeu.

Dentro, um notebook.

Peguei o aparelho e fui para a cama, sentando na beirada, perto do pé de Yolanda.

Se estava trancado, era porque tinha algo que não era para ser visto.

Liguei o notebook e comecei a vasculhar. Pasta por pasta, arquivos sem graça, relatórios financeiros. Mas foi a aba de bate-papo aberta que chamou minha atenção.

E ali, no meio das mensagens, um nome me fez parar.

Rose.

Dylan conversava com ela, e pelo que eu estava lendo, aquilo não era apenas um caso. Tinha algo maior por trás.

Meu sangue ferveu.

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