“Ele é perigoso, marca território de uma maneira tão intensa que, mesmo que eu tente, nunca vou conseguir apagar a marca que ele deixou em mim.”
YOLANDA
Assim que terminei os e-mails, soltei um suspiro longo e deixei o celular da empresa sobre a mesa. Minhas mãos estavam tensas, o peso da situação me consumindo. Peguei meu próprio celular e vi uma mensagem de Cassandra:
"Vou passar aí para irmos comprar o vestido juntas. Não vou deixar você enfrentar isso sozinha."
Ela sempre sabia o momento certo de aparecer, mesmo quando eu não dizia nada. Aquilo trouxe um alívio breve, mas logo lembrei que antes disso precisava encarar Dylan novamente.
Levantei-me e caminhei até a sala dele. A porta estava entreaberta, e eu bati de leve antes de entrar. Ele levantou os olhos do computador, aquele sorriso irritantemente confiante surgindo no rosto.
— Terminei os e-mails — Anunciei, tentando manter a voz neutra.
Ele fez um gesto com a mão, indicando para eu me aproximar.
— Vou conferir. Vem cá.
Andei até ele, mas antes que pudesse reagir, Dylan me puxou pelo braço e me forçou a sentar no colo dele. Senti meu estômago revirar, o toque dele me causando uma onda de repulsa imediata. A cadeira girava levemente enquanto ele ajustava minha posição como se eu fosse um brinquedo, a proximidade sufocante.
— Olha só... — ele começou, o tom condescendente. — Estou gostando da sua evolução. Parece que está aprendendo a seguir o que combinamos, hein?
Eu queria responder, mas as palavras não saíam. Ele segurou meu queixo com firmeza e me obrigou a olhar para ele, os olhos dele fixos nos meus como se estivesse avaliando cada pensamento meu. Então, sem aviso, ele inclinou o rosto e me beijou novamente.
A sensação era ainda pior do que antes. A língua dele tentando invadir minha boca, o gosto estranho e desagradável, como se tudo nele fosse errado. Eu me afastei delicadamente, fingindo um sorriso fraco para que ele não percebesse meu verdadeiro estado. Meu coração estava acelerado, mas não por ele — era puro desconforto e medo.
— Preciso... ajustar algumas coisas nos e-mails — menti, aproveitando a oportunidade para sair do colo dele.
Ele me olhou de cima abaixo, claramente satisfeito consigo mesmo, e soltou:
— Boa garota. Assim que eu gosto.
Saí da sala com passos rápidos, sentindo o corpo inteiro tremer. Eu me encostei na parede do corredor, tentando recuperar o fôlego. A cada segundo ao lado dele, parecia que eu estava perdendo pedaços de mim mesma.
"Eu aceitaria que Tony entrasse em ação agora, nem que fosse pela violência desenfreada dele," pensei, sentindo a raiva e a frustração queimarem dentro de mim. Por mais que eu odiasse a brutalidade e o caos que ele trazia, naquele momento, parecia preferível ao vazio sufocante e ao nojo que Dylan me fazia engolir diariamente. Eu não suportava mais essa prisão, e, por um segundo, desejei o furacão que Tony poderia trazer, só para me arrancar daqui à força, não importava como.
Assim que terminei de fingir que revisava os e-mails, retornei a sala de Dylan e ouvi a porta se abrir novamente e uma voz masculina preencher a sala. Roberto. Ele entrou com a presença imponente que parecia ser marca registrada daquela família. Cumprimentou Dylan com um breve aceno e, antes que eu pudesse me afastar, pegou minha mão e a levou até os lábios.
— Minha querida nora — Disse ele, o tom cordial, mas com algo calculado.
Eu apenas forcei um sorriso, tentando esconder o desconforto. Dylan, sentado em sua cadeira, me observava com aquele olhar de quem adorava me ver encurralada.
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Inefável
FanfikceYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
