Capítulo 72

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Gente precisei tirar rapidinho para corrigir, eu acabei duplicando o capítulo, e tirei para arrumar. É o sono, preciso dormir urgente!!!😸

"A verdadeira prisão não era dele, era minha, construída pelas mentiras e cicatrizes que ele deixou em mim."

YOLANDA

Ela parecia tão à vontade, tão tranquila, como se nada tivesse mudado. Sentada no sofá, ela me observava com atenção, um brilho curioso nos olhos.

— Então, como foi lá? — Perguntou, com a voz baixa, mas carregada de expectativa.

Meu estômago deu um nó. Respirei fundo, tentando parecer calma, mas minha mente ainda estava um turbilhão. — Foi... — Comecei, hesitando. — Foi tudo bem. Quer dizer, foi rápido.

Charlotte inclinou levemente a cabeça, claramente esperando mais detalhes. Meu nervosismo aumentou, e as palavras saíram antes que eu pudesse pensar nelas.

— Meu pai não sabe que eu fui. Ele ficaria bravo se soubesse.

Ela assentiu, parecendo processar minha resposta, e então sorriu suavemente, como se tentasse aliviar a tensão no ar. — Seu pai sempre pareceu ser um homem durão, rígido. Mas sabe, Tom sempre teve isso também... uma casca grossa.

Fiquei em silêncio, ouvindo-a com atenção, tentando processar cada palavra. Charlotte suspirou, olhando para o vazio por um momento, antes de continuar.

— Ele pode parecer bruto às vezes, mas no fundo, ele é só um garotinho incompreendido. — Sua voz ficou mais suave, quase maternal. — Ele sempre guardou tudo para ele. Pensava tanto nas pessoas que ele gostava que esquecia de pensar em si mesmo.

Engoli em seco, minhas mãos trêmulas sobre o colo. Não sabia o que responder. Charlotte continuou, o olhar perdido em alguma memória distante.

— Ele sofria por dentro, sabe? Era como se o peso do mundo estivesse nos ombros dele. E, ainda assim, ele não falava nada. Guardava tudo, sempre tentando ser forte para os outros.

Minha garganta parecia apertada. Era difícil ouvir aquilo sem sentir um peso no peito, uma culpa que crescia devagar. Charlotte suspirou novamente, cruzando as mãos sobre o colo.

Minha mente estava cheia de memórias. Dele. De nós. De tudo que tínhamos passado juntos. Lembrei-me de como, mesmo quando éramos crianças, ele parecia carregar algo pesado demais para alguém tão jovem. Ele nunca deixava ninguém ver o quanto isso o machucava, exceto, talvez, por mim. Porque, no meio de toda aquela escuridão que ele escondia, havia momentos em que ele era apenas Tony, o garoto que me fazia rir quando eu queria chorar, que dizia que eu era especial, mesmo quando eu me sentia invisível.

Ele sempre se importou comigo. Eu sabia disso. Nos gestos, nas palavras, até mesmo nas obsessões. O jeito que ele aparecia era quando eu precisava dele, às vezes sem nem pedir. O jeito que ele me olhava como se eu fosse o centro do mundo dele. Havia amor ali. Um amor que, talvez, sempre tenha sido um pouco torto, mas era amor.

E agora, aqui estava eu, tentando entender como tudo isso se perdeu. Pensando que, talvez, se ele tivesse sido honesto, tudo poderia ser diferente. Ele não precisava mentir. Não precisava criar um jogo de sombras para me proteger ou me enganar. Eu teria ouvido, teria tentado entender. Mas, ao invés disso, ele escolheu os segredos, e agora estávamos aqui, presos em um ciclo de dor e mágoa.

O peso disso me atingiu como uma onda. Ele não precisava ter mentido. Ele só precisava ter confiado em mim.

— Por que você o chama de Tom? — Perguntei, tentando não soar tão confusa quanto me sentia.

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