Capítulo 67

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"Ela é o caos no meu mundo, mas também é o único motivo para eu não destruí-lo."

TOM KAULITZ

A conversa entre minha mãe e o investigador Dalton ainda estava fresca na minha mente, como um filme em câmera lenta que se recusava a sair. Eu estava ali, observando, sem poder fazer nada, enquanto eles discutiam sobre a investigação, dizendo que achou lenne, mas precisam fazer autópsia. Dalton falava com uma calma quase desconcertante, mas o olhar da minha mãe dizia tudo. Eu sabia o que estava por vir. Eles iam descobrir tudo, cada detalhe, cada falha que eu havia cometido.

Eu vi a expressão dela mudar, como se as peças começassem a se encaixar na mente dela. Eu tentei me convencer de que ainda havia uma chance de escaparmos, mas sabia no fundo que não havia mais como esconder. Era tarde demais.

E então, enquanto eu lutava contra meus próprios demônios, meu telefone vibrou no bolso, e uma mensagem de Kristina apareceu na tela.

“Você não foi tão esperto naquela noite, não é, Tom? Consegui te seguir e vi tudo. O exato momento em que você descartou o corpo. Você realmente achou que ia passar despercebido?”

Eu engoli em seco, meu coração disparando. O pânico começou a crescer dentro de mim, como uma onda prestes a me engolir. Eu estava ferrado. Não só eu, mas Yolanda também, se Kristina decidisse falar demais.

A segunda mensagem chegou quase em seguida.

“Mas não se preocupe, Tom. Dessa vez, eu vou ferrar só a garotinha protegida. Eu sei que ela é a sua fraqueza. Já notifiquei o detetive Dalton. Vamos ver como você vai sair dessa.”

Minhas mãos se fecharam em punhos, e a raiva misturada com medo quase me cegou. Kristina não era tola, e eu sabia que ela tinha muito mais poder do que eu queria admitir. E Yolanda... se ela soubesse o que estava por vir, talvez nunca mais quisesse me ver. Eu estava preso em uma teia de mentiras, e ela era a última pessoa com quem eu queria ver a vida desmoronando.

Agora, eu não tinha mais escolha. Eu precisava agir rápido, ou perderia tudo. Então deveria fugir com ela, para longe de tudo isso. Nós iremos embora, nem que seja a força.

...

A porta range enquanto se abre por completo, e eu entro sem esperar por um convite. Yolanda recua alguns passos, as mãos levantadas instintivamente como se quisesse se proteger de mim. Seu rosto alterna entre raiva e medo, mas não me importo. Fecho a porta com um empurrão, o barulho ecoando pela sala.

— Você perdeu o juízo? — Ela grita, o corpo rígido, mas os olhos inquietos, incapazes de me encarar por mais de um segundo. — Eu disse que não quero falar com você, é tão difícil me respeitar?

Dou dois passos à frente, invadindo o espaço dela sem hesitação. Minha respiração está pesada, meus punhos cerrados ao lado do corpo.

— Cala a boca e me escuta! — Rosno, apontando um dedo para ela. — A casa caiu, Yolanda!

Ela pisca rápido, como se minhas palavras fossem um golpe. Sua expressão se torna uma máscara de confusão e pânico.

— Do que você está falando? — Murmura, com a voz trêmula.

— Eles descobriram! — Grito, minha voz ecoando pelas paredes da sala. — Sobre sua maldita mãe!

Ela paralisa, como se eu tivesse acabado de jogá-la no meio de um pesadelo. Sua respiração acelera, e as mãos começam a tremer.

— Não... não é possível — Sussurra, balançando a cabeça como se isso pudesse afastar a verdade. — Como isso aconteceu? Você não fez direito, Tom?

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