Capítulo 36

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"O amor que você me oferece é um veneno doce, e eu sou a louca que escolhe beber até a última gota."

YOLANDA

O intervalo chegou, e eu saí da sala antes que pudesse sentir os olhares dos outros me pesarem ainda mais. Ashley e Megan me seguiram, como sempre, lado a lado comigo, tentando criar uma bolha de normalidade que só me fazia sentir ainda mais deslocada.

Fomos até o refeitório, mas meu apetite parecia inexistente. Enquanto elas pegavam bandejas cheias de comida, eu escolhi apenas um suco. Meu estômago estava tão embrulhado quanto minha cabeça.

— Você vai só beber isso? — Ashley perguntou, franzindo a testa enquanto se sentava à minha frente. Megan me olhou de canto, comendo um pedaço do sanduíche.

— Não estou com fome — murmurei, mexendo o canudo no suco como se isso fosse uma desculpa válida.

— Você não pode ficar assim, Yolanda — Ashley insistiu, a voz preocupada. — Desde aquele dia, você quase não come direito. Isso não vai te ajudar em nada.

— Eu sei, mas… — suspirei, encarando o copo à minha frente. — Meu psicológico não está lá essas coisas, sabe? Só estou tentando sobreviver a cada dia sem desmoronar.

Elas ficaram em silêncio por alguns segundos, trocando olhares entre si. Eu sabia que queriam dizer algo, mas estavam escolhendo as palavras com cuidado, como se eu fosse de vidro.

— Elise te olhou de um jeito estranho hoje de manhã — Megan disse, quebrando o silêncio de forma direta, como era típico dela.

Minha cabeça se ergueu imediatamente.

— Quando você chegou na sala. Ela estava atrás de mim e ficou te encarando como se quisesse te esfolar viva. Foi muito estranho — Megan continuou, mastigando devagar, como se estivesse processando o momento enquanto falava.

— Eu vi também — Ashley concordou. — Não sei o que ela sabe ou o que acha que sabe, mas acho que você precisa tomar cuidado.

Mordi o lábio, uma onda de preocupação me atingindo. Elise sempre teve um jeito meio metido, mas nunca imaginei que pudesse ter algo contra mim. Ou… será que tinha?

— Vocês acham que ela… sabe de alguma coisa? — perguntei, minha voz mais baixa do que eu pretendia.

Ashley balançou a cabeça. — Não sei, mas ela definitivamente tem algo em mente.

— Fica de olho nela — Megan acrescentou, olhando fixamente para mim. — E, por favor, não vai fazer nada estúpido.

Assenti, tentando focar no suco em vez de na inquietação crescente que tomava conta de mim. Elise, Derick, Tom, Tony, minha tia ou mãe… Tudo estava girando na minha cabeça como um redemoinho que parecia impossível de controlar.

Saí do refeitório com as mãos trêmulas e o coração pesado. Precisava respirar, me afastar de tudo por um momento. Fui ao banheiro feminino, onde o silêncio abafado ecoava nas paredes de azulejo branco. Fechei a porta atrás de mim, fui até a pia e liguei a torneira.

A água fria escorria pelos meus dedos antes de eu jogá-la no rosto, tentando apagar as sensações sufocantes que me consumiam: a culpa pela minha mãe, os olhares acusadores, as palavras de Megan sobre Elise. Me apoiei na pia, respirando fundo e lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair.

Ao erguer a cabeça para encarar meu reflexo no espelho, ouvi passos rápidos atrás de mim. Antes que pudesse reagir, senti uma força brutal me empurrar contra a pia. Minha boca bateu no mármore, um gosto metálico de sangue imediatamente surgindo.

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