“Você pensa que vai se distanciar? Vai sofrer por isso, e vou fazer questão de fazer você sentir.”
TOM KAULITZ
O software estava quase perfeito. Quase. Ainda precisava de alguns ajustes, mas já fazia o que deveria: me dava acesso ao que era essencial. Não bastava saber onde ela estava. Saber seus movimentos era só o começo. Eu queria mais. Queria ver além do óbvio, ultrapassar as barreiras que ela tentava construir com risadas despreocupadas e aqueles malditos segredos.
A tela do meu notebook piscava, o código rolando enquanto eu fazia as últimas alterações. Conseguir acesso total às mensagens dela foi mais fácil do que pensei. As pessoas são descuidadas, especialmente ela. Um clique aqui, uma falha ali, e pronto: seu mundo agora estava aberto para mim.
Passei os olhos pelas conversas. Nada relevante no início. Mensagens inúteis com Ashley e Megan, comentários idiotas sobre roupas, a festa de hoje na casa de Otto. Ela as convidou cedo, como eu esperava. Já devia estar se divertindo há horas, sendo o centro das atenções como sempre.
Fiquei ali, lendo cada detalhe, me perguntando o quanto ela seria capaz de esconder de mim. Mas mesmo enquanto eu invadia aquelas palavras, minha mente já planejava o próximo passo. Câmeras. Não, isso seria demais. Perversão. Não sou assim. Eu não quero observá-la como se fosse um brinquedo. Não é isso. Quero protegê-la. Quero entender cada movimento, cada intenção, antes que ela escape do meu controle novamente.
Eu estava perdido nesses pensamentos quando ouvi a gritaria.
A princípio, tentei ignorar. Era comum Megan aparecer e fazer um show qualquer com Bill, meu irmão imbecil que não sabia controlar nem a própria sombra. Mas a voz deles foi subindo, chegando ao andar de cima, rompendo minha concentração.
Levantei, fiquei irritado, e abri a porta do quarto.
— Bill, cala a droga da boca! E manda a tua vadia calar a dela também!
— Eu não sou uma vadia! — Megan respondeu na hora, cheia de si.
— Não é? Pergunta para sua amiga Yolanda, então. A putinha estava no bar hoje, no meio de centenas de pessoas, se pegando com Megan e outra garota! Beijo triplo! No meio de todo mundo! — Bill retrucou, alto o suficiente para me fazer estremecer.
Meu corpo inteiro congelou.
O nome dela bateu em mim como um soco. Yolanda.
Minha mente correu. Beijo triplo. Com Megan. Outra garota. Diante de quem? Todos? No meio de um bar? Não podia ser. Não deveria ser. Não ela.
Meu peito queimava, minha visão ficava turva. Ela era minha. Sempre foi. Sempre será. A única boca que ela havia beijado era a minha. Sempre.
— O que você disse? — Perguntei, minha voz baixa, perigosa.
— Ah, vai lá perguntar para ela. Se acha que tem tanto controle assim. Tom, talvez devesse aprender a mantê-la na coleira, amarrada. — Bill continuou rindo.
Fechei a porta do quarto com um estrondo, voltando direto para o computador. Abri o aplicativo de rastreamento e esperei o mapa carregar. O ponto piscava no meio da cidade. Yellow Jack. Um bar.
Tão típico. Tão previsível.
Peguei o celular e digitei rápido, as palavras carregadas de raiva contida:
Por que você está no Yellow Jack?
Esperei. Nada.
Outra mensagem:
Vamos resolver isso. Você vai sofrer as consequências pelo que fez hoje.
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Inefável
FanficYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
