"Eu luto contra ele, mas sempre perco."
YOLANDA
Os últimos dois dias foram insuportáveis. Ser buscada por Dylan no colégio era o tipo de tortura que eu não esperava viver. Ele sempre chegava com aquele ar superior, me olhando como se eu fosse uma responsabilidade que ele jamais quis.
Estou sempre saindo mais cedo. Não queria que Tom me visse. Não sabia por que, mas sentia algo estranho, como se o simples fato de Dylan estar por perto fosse uma traição. Não fazia sentido; eu nem conhecia Tom tão bem, mas, de alguma forma, me sentia mal. Talvez fosse o jeito dele de me olhar, de me provocar, de me fazer sentir que, por mais que ele fosse errado, ele era diferente de qualquer outra pessoa que já conheci.
Mas não era só isso. Uma parte de mim doía mais por causa de Tony. Mesmo depois de tudo, mesmo depois de eu bloquear o número dele, ele encontrou outros meios de me mandar mensagens. De alguma forma, ele conseguiu desbloquear o contato e me enviar uma sequência de textos ontem à noite:
"Você é uma vadia linda, me tratando como um animal."
Eu apaguei as mensagens imediatamente, mas elas ficaram gravadas na minha mente. Era como se Tony estivesse em todos os lugares, em todos os pensamentos, segurando uma parte de mim que eu não sabia como soltar.
Saí pelos corredores do colégio com passos apressados, tentando evitar olhares, evitar qualquer chance de que Tom aparecesse. Ele era observador demais, intenso demais, e eu não estava pronta para encarar aquilo hoje. O vento frio da manhã me envolvia quando cheguei ao portão.
Pouco depois, o carro de Dylan estacionou. Ele saiu do veículo, encostando-se no capô com os braços cruzados, me esperando. Não era como se eu tivesse escolhido; com ele ali, eu não tinha como escapar. Respirei fundo e me aproximei, sentindo o peso do desconforto se espalhar por todo o meu corpo.
Assim que entrei no carro, Dylan fez o mesmo.
- Você saiu mais cedo para evitar alguma coisa, Yolanda? Ou alguém? - Ele arqueou uma sobrancelha, a provocação clara na voz.
Olhei para janela, para evitar respondê-lo.
- Sabe, você pode pelo menos agradecer pela carona. Não é todo dia que alguém como eu tem que buscar alguém como você.
Revirei os olhos.
- Você faz isso porque quer, Dylan. Não finja que está me fazendo um favor.
Ele riu, mas havia algo cortante naquele som.
- Claro que faço, mas vamos combinar que ser babá de uma adolescente rebelde não era o que eu esperava da minha vida.
Minha paciência estava se esgotando, mas continuei olhando para frente, ignorando-o.
- Talvez seja melhor você começar a se comportar, Yolanda. Não seria ruim que eu visse com quem você anda no colégio... incluindo aquele garoto que seu pai parece odiar tanto.
Meu coração acelerou, e olhei para ele, incrédula.
- Isso é uma ameaça?
- É só um aviso. - Ele sorriu de canto, voltando a atenção para a estrada.
Eu respirei fundo, tentando me controlar. Dylan era exatamente o tipo de pessoa que sabia como me tirar do sério, mas eu não ia dar a ele essa satisfação.
Chegar em casa parecia um alívio, mas também era apenas o início de outra batalha.
Cheguei em casa antes de Dylan. Queria subir direto para o meu quarto e escapar de mais provocações, mas, assim que desci do carro, ele veio logo atrás de mim, com aquele jeito insuportável de quem sempre precisava ter a última palavra.
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Inefável
FanfictionYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
