"Se é para te amar, que seja do meu jeito, e não há outro jeito."
O vento frio da noite arrepiava minha pele enquanto caminhávamos pela calçada vazia. Eu olhava ao redor, assustada, sentindo cada passo como um desafio ao mundo que eu conhecia. Nunca tinha ido tão longe de casa antes. Meu coração batia acelerado, mas, ao mesmo tempo, havia uma euforia que eu não conseguia ignorar.
— Tony, a gente não devia estar aqui. — Minha voz saiu baixa, quase sufocada pelo nervosismo. — Se descobrirem que eu saí, tô ferrada.
Ele apenas sorriu, aquele sorriso de quem nunca se preocupava com nada.
— Relaxa, ninguém vai perceber. Além disso, quem realmente se importa com o que você faz? — Ele parou de andar e olhou para mim, os olhos castanhos brilhando sob a luz fraca de um poste. — Se alguém realmente se importasse, você não teria me dito que queria sair de casa, lembra?
Minhas mãos estavam geladas, mas a lembrança das minhas palavras me aqueceu. Eu tinha dito aquilo. Tinha dito que não aguentava mais ficar trancada no quarto, sentindo o mundo passar por mim como se eu não existisse.
— Mas e se... — comecei, mas ele me interrompeu, segurando minha mão.
— Yolanda, eu prometi. Qualquer coisa que você quiser, eu vou te dar. Qualquer lugar que você quiser ir, eu vou te levar. Você acha que alguém mais faria isso por você?
Eu balancei a cabeça, sem saber o que responder. O jeito que ele dizia essas coisas era tão simples, mas tão intenso. Ele me fazia sentir que eu era a única pessoa no mundo.
— E onde você conseguiu o dinheiro para isso? — perguntei, tentando mudar de assunto.
Tony riu, um som despreocupado que ecoou pela praça.
— Roubei da carteira do meu pai.
— O quê?! — Olhei para ele, horrorizada, mas não consegui segurar o riso que escapou dos meus lábios.
— Relaxa, ele nem vai perceber. — Ele deu de ombros, puxando-me para o carrinho de sorvete. — Agora, escolhe o sabor. Não quero ouvir reclamação depois.
Peguei o sorvete de chocolate, ainda sentindo o coração acelerado, mas a ansiedade começava a se transformar em uma estranha alegria. Caminhamos até um banco, e eu me sentia como se estivesse em outro mundo.
Depois que terminamos de comer, ele se inclinou para frente, puxando algo do bolso.
— O que você tá fazendo?
— Fechando o dia com chave de ouro. — Ele abriu a palma da mão, revelando uma pulseira de metal simples, com pequenos pingentes pendurados.
Meus olhos se arregalaram.
— Tony, de onde você tirou isso?
— Lembra daquela vez que você disse que achou uma pulseira parecida bonita? Eu guardei isso na cabeça. E como eu disse, qualquer coisa que você achar bonita, eu vou dar pra você. Sempre.
Senti minha garganta apertar enquanto ele colocava a pulseira no meu pulso.
— Você é maluco.
— Talvez. — Ele sorriu novamente, aquele sorriso que parecia iluminar tudo. — Mas você e eu combinamos.
YOLANDA
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Inefável
Fiksi PenggemarYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
