"Ela me enlouquece, e eu gosto disso."
TOM KAULITZ
Yolanda contou. De novo, sem nem ao menos perceber o quanto suas palavras tinham o poder de me destruir e de me fazer perder o controle. Ela estava ali, sentada no banco da praça, casualmente admitindo que havia fugido de um encontro. Com outro.
Outro.
Minha mandíbula travou, e por um instante, pensei que fosse estourar. Um encontro. Com algum idiota qualquer que, de alguma forma, teve o privilégio de chamá-la para sair. Ela aceitou — pior, ela se arrumou para ele. Odiava isso. Odiava o fato de que ela tinha se vest ido assim, tão linda, para um cara que não era eu. E por que fugiu? Ela não disse, mas só o fato de saber que isso aconteceu já era suficiente para me deixar à beira da loucura.
“Não é o que eu quero, e eu não quero ver esse cara”
Aquilo me pegou de surpresa. Ela falava com uma certeza tranquila, mas as palavras reverberaram na minha cabeça como um eco impossível de ignorar. Ele não é o que ela quer. Mas quem era ele? Quem era esse cara que, só de ouvir falar, já me fazia sentir um ódio crescente?
Eu tentei manter o rosto neutro, mas minhas mãos estavam fechadas nos bolsos. Não sabia se o ódio vinha do fato de ele ter machucado ela de alguma forma ou... de algo mais.
Minha mente girava em círculos. Ela não quis ir. Ela estava aqui, comigo, e não com ele. Mas por quê? Porque preferia ficar comigo? Ou porque eu era apenas uma desculpa conveniente?
Cada pensamento aumentava a tensão dentro de mim, mas por mais que o ciúme queimasse, algo mais surgia. Uma ideia. Algo que eu poderia fazer, algo que só eu poderia dar a ela. Porque, por mais que ela tenha fugido, eu sabia que ela queria isso. Um encontro. Uma noite que a fizesse sentir especial.
E se fosse eu?
Sem pensar muito, eu me levantei.
— Espera aqui. Não sai daqui. Eu já volto.
Yolanda levantou o olhar, surpresa, mas não disse nada.
— O quê? Vai aonde?
— Só fica aí, para de fazer perguntas! — Repeti, mais firme desta vez, enquanto começava a me afastar.
Não olhei para trás. Não podia. Meu coração estava disparado, e cada passo parecia um martelo na minha cabeça. Eu sabia o que precisava fazer, mas também sabia que, se errasse, poderia perder tudo.
Minha casa não era longe da praça, mas corri como se estivesse sendo perseguido. Cada segundo contava. Cada momento que ela passava sozinha, esperando, era uma oportunidade para ela desistir. Não podia deixar isso acontecer.
Ao chegar, a porta estava destrancada, como sempre. Minha mãe estava na cozinha, e assim que me viu, franziu o cenho.
— Tom? Pra que tanta pressa?
— É importante. Não dá pra explicar agora.
Ela começou a dizer algo, mas minha mente já estava em outro lugar. Assim que entrei em casa, mal registrei o ambiente. Meu quarto estava como sempre: bagunçado, com roupas jogadas em cima da cadeira e a cama desfeita. Mas eu não podia me importar com isso agora. Fechei a porta e arranquei a camisa suada, jogando-a no chão sem cerimônia.
Meu reflexo no espelho me encarava de volta, minhas tranças bagunçadas, suor escorrendo pela testa, respiração pesada. Uma parte de mim queria desistir — eu não sabia como fazer isso, não sabia o que estava tentando provar. Mas havia outra parte, uma mais teimosa, que não me deixaria voltar atrás.
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Inefável
Fiksi PenggemarYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
