Capítulo 92

176 25 60
                                        

"Eu te deixei entrar no meu mundo, agora não tem mais volta."

YOLANDA

O celular estava escondido entre as dobras do tecido branco enquanto meus dedos corriam rápidos pela tela. A cada segundo que passava, meu coração batia mais forte, não pelo casamento, mas pelo que eu e Tom estávamos prestes a fazer. A loja estava silenciosa, exceto pelo barulho baixo do ar-condicionado e o som dos dedos de Lia deslizando pelo celular e Dália falando no telefone.

"Antes de você ir pra igreja, você vai estar na casa do seu pai?"

Mordi o lábio, a tela iluminando meu rosto enquanto olhava de relance para a cortina do provador, certificando-me de que Lia e Dália não estava prestando atenção em mim.

"Sim, ele que vai me levar até a igreja."

A resposta de Tom veio quase no mesmo instante, como se estivesse com o celular na mão esperando minha mensagem.

"Eu não quero deixar para agir quando você estiver casado com esse maldito. Me espera no final da rua sem saída, próxima aos portões do fundo às 18h. Eu vou estar lá, com as luzes do carro apagadas, temos que agir logo."

Minha respiração ficou pesada. O casamento estava marcado para às oito. Isso significava que eu teria duas horas para escapar antes que alguém percebesse que eu não estava na igreja.

"Certo, Tom. Agora eu preciso esconder o celular, se não essa vaca vai desconfiar que estou tempo demais aqui."

Antes que eu bloqueasse a tela, outra mensagem apareceu.

"Você está bem pra fugir? Vai aguentar? Você disse que estava com dores e mal conseguia andar."

Meus olhos se fecharam por um segundo, sentindo a mistura familiar de irritação e carinho. Ele sempre fazia isso. Sempre. A cada passo desse plano, a cada detalhe, ele queria ter certeza de que eu estava bem. Mas não tínhamos escolha. Eu não podia me dar ao luxo de fraquejar agora.

"Se você está perguntando isso é porque esqueceu de quem está falando. Eu dou um jeito, Tom. Pra fugir desses desgraçados, eu faço tudo."

Dessa vez, ele demorou mais para responder.

"Isso significa que você não está bem, que inferno!"

"Não posso buscar você mais perto. Se alguém me ver, fode com tudo. Você tem que sair na surdina."

Meus dedos deslizaram rapidamente pelo teclado antes que eu perdesse a coragem de digitar o que realmente queria dizer.

"Beijos, eu amo você."

Esperei. Um segundo. Dois. Três.

A resposta dele veio antes que eu pudesse prender a respiração.

"Amo vocês mais que tudo nessa vida, porra."

Engoli em seco, sentindo os olhos arderem. Um nó pesado se formou na minha garganta, mas eu o engoli, porque não podia me permitir fraquejar agora.

Inefável Onde histórias criam vida. Descubra agora