Capítulo 63

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“Quando falo, é uma ordem. Você sabe disso, não sabe?”

TOM KAULITZ

A garrafa de cerveja estava gelada na minha mão, mas não o suficiente para apagar o fogo que subia dentro de mim. Era para ser um final de semana relaxante. Só nós quatro: eu, Bill, Georg e Gustav. Nada de colégio, nada de problemas, só bebidas e risadas.

Mas o inferno parecia decidido a me acompanhar.

Eu estava afundado no sofá da sala, uma garrafa quase vazia na mão, o olhar fixo na TV que exibia um jogo qualquer. Não estava prestando atenção. Minha mente ainda estava presa em Yolanda e no que ouvi na sala de aula. "Você deveria contar algo para o Tom." A frase ecoava como um sino irritante. Algo estava sendo escondido de mim, e isso me deixava insano.

Do canto do meu olho, vi Bill no outro sofá. Ele estava rindo, a cabeça inclinada para trás, o celular na mão. As expressões no rosto dele eram irritantemente óbvias: sobrancelhas levantadas, sorriso largo, um brilho nos olhos. Era a cara de alguém que sabia de algo. E o pior de tudo? Ele estava falando com Megan.

Megan.

Aquela vozinha irritante que não sabia a hora de calar a boca. Ela tinha falado meu nome naquela conversa estúpida. Ela sabia de alguma coisa, e agora estava fofocando com meu irmão?

— Ah, para de graça, Megan — Bill disse, rindo como um idiota, a voz carregada de diversão.

A paciência que eu não tinha se evaporou. Me levantei num movimento rápido, o corpo quente de raiva. Caminhei até ele com passos firmes e estiquei a mão.

— Passa essa merda aqui.

Antes que Bill pudesse reagir, arranquei o celular da mão dele e, sem pensar duas vezes, apertei o botão para desligar a ligação. O silêncio foi instantâneo, mas não durou muito.

— Qual é o seu problema, Tom?! — Bill gritou, levantando do sofá com o rosto vermelho.

— Meu problema? — Falei, a voz gotejando sarcasmo. — Meu problema é você rindo feito um idiota enquanto fala com alguém que claramente sabe mais do que deveria.

— Megan? — Georg perguntou do canto da sala, franzindo a testa enquanto olhava para Bill.

— É, a namoradinha do meu querido irmãozinho aqui — Soltei, jogando o celular no sofá.

Bill avançou, pegando o celular de volta, os olhos dele brilhando de raiva.
— Primeiro, ela não é minha namorada. E segundo, qual é a sua, cara? Não pode me ver rindo que já surta?

— Não é sobre você rir, Bill. — Cruzei os braços, o olhar fixo nele como se pudesse arrancar a verdade à força. — É sobre você estar escondendo algo de mim, desde quando consegue esconder algo de mim.

— Você está viajando. Não tem nada!

— Não mente pra mim, Bill! — Gritei, avançando um passo. — Você sempre foi o boca aberta dessa família, nunca conseguiu guardar segredo nem por cinco minutos. A menos que alguém tenha mandado você ficar quieto.

— Cara, qual é o problema de vocês dois? — Gustav interveio, largando a garrafa de cerveja na mesa. — Está parecendo briga de criança.

— Fica fora disso, Gustav — Respondi sem tirar os olhos de Bill. — Isso é entre eu e ele.

— Não tem nada pra falar, Tom. Juro pra você — Bill insistiu, mas havia algo no jeito como ele desviou o olhar que me deixou ainda mais irritado.

— É claro que tem, está escondendo tudo por uma boceta. — Rosnei. — Mas você não fala porque a namoradinha pediu, não é? Aposto que Megan pediu pra você fechar a boca. Porque é isso que você faz, não é, Bill? Faz tudo o que as mulheres mandam.

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