Capítulo 47

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estou postando essa sequência de capítulos por conta dos comentários, isso me motiva a postar e me deixa animada. Então, se vocês querem mais capítulos, interajam bastante! Boa leitura!




"Eu sei que ele é um erro, mas já é tarde demais."

YOLANDA

O cheiro dele ainda impregnava o ar do quarto. O colchão parecia mais macio, ou talvez fosse a exaustão que me mantinha colada ali, imóvel, como se qualquer tentativa de movimento fosse punir ainda mais meu corpo. Meu corpo...

Cada músculo pulsava com uma dor latente, uma lembrança física do que aconteceu na madrugada. Minhas pernas pesavam, minhas coxas ardiam. Meu peito subia e descia lentamente enquanto o calor do edredom tocava a pele nua, sensível e marcada. "Doentio." A palavra cruzou minha mente como um sussurro, mas eu sabia que tinha sido mais do que isso.

À noite, não houve misericórdia. A insanidade dele estava impregnada em cada toque, em cada comando. Ele marcou minha pele, minha mente, minha existência. Aquele “T” desenhado com os dedos na curva da minha bunda...
Meus dedos deslizaram inconscientemente até o local. T. Como se eu fosse posse, objeto, um símbolo de algo que só ele entendia.

Não tive força para me levantar quando tudo terminou. As lágrimas queimaram meus olhos, mas ele sequer se importou. "Chore, gema, quebre. Eu gosto assim," foi o que ele queria expressar.

E aqui estava eu agora, sozinha. Vulnerável.
Tentei me mexer na cama e senti um arrepio de dor atravessar minha coluna, denunciando os abusos de sua possessividade. Meu corpo clamava por descanso, mas minha mente estava gritando. Finalmente reuni forças, arrastando-me para fora da cama e caminhando, cambaleante, para o banheiro.

O espelho me encarou, cruel como sempre, e evitá-lo não era mais uma opção. Minha imagem refletida era um mosaico de caos: olhos marcados pelo cansaço, lábios inchados, pequenas manchas avermelhadas pelo meu corpo como assinaturas da noite anterior. Não conseguia decidir o que era mais humilhante – o estado deplorável em que ele me deixou ou o fato de que eu deixei isso acontecer... e gostei.

Liguei o chuveiro, esperando que a água quente lavasse mais do que os vestígios da madrugada pecaminosa. Enfiei-me sob o jato como se pudesse apagar a sensação de suas mãos e suas cordas que ainda queimavam minha pele.

Fechei os olhos e deixei a água escorrer. Mesmo que fosse por um momento, eu queria esquecer como ele me fazia sentir. Havia uma estranha emoção dentro de mim – prazer misturado com medo. Ele me consumia, invadia minha mente e meu corpo de uma forma que me aterrorizava, mas...
... Eu ainda queria mais.

Mesmo no medo, mesmo na vergonha, havia algo dentro de mim que gostava dessa obsessão, desse controle.

Mas até onde isso poderia ir? E se fosse longe demais?

Meus pensamentos foram interrompidos quando desliguei o chuveiro. Envolvi-me em uma toalha e comecei a secar o cabelo. Queria apagar qualquer sinal da noite passada, fingir que poderia ser apenas um pesadelo distante. Mas havia marcas que toalhas e secadores não conseguiam apagar.

Meu olhar caiu no celular sobre o criado-mudo. A tela piscava, lembrando-me de que a realidade não parava de girar, mesmo quando eu queria desaparecer. O relógio marcava uma hora da tarde. Suspirei.

Entre as notificações, duas mensagens chamaram minha atenção.

A primeira era de Cassandra, enviada às duas e meia da manhã:
"Cheguei agora. Estou com Joey. Você está bem? Está chorando? Sorte sua que os quartos de Otto e Margareth ficam no último corredor."

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