Capítulo 56

242 34 91
                                        

Com ele, eu perdia o controle, como se fosse impossível resistir ao que ele me fazia sentir."

YOLANDA

Minha respiração ainda estava acelerada quando me sentei na areia, o vestido meio amassado ao meu lado. O dia começando clarear, o Sol quase se pondo, pintando o céu com tons de laranja e rosa. Não queria admitir, mas estava com pressa. Ele ainda me olhava como se o mundo tivesse parado naquele instante, e, por um momento, desejei que tivesse mesmo.

— Eu preciso ir — Murmurei, pegando o vestido e o sacudindo para tirar os grãos de areia.

Tomei um segundo para me recompor antes de vestir o tecido. Levantei-me e comecei a deslizar o vestido pelo corpo, sentindo o calor da pele dele próximo demais, o olhar queimando minha nuca. Só então lembrei que minha calcinha não estava mais comigo.

"Merda."

Tom ainda estava sem camisa, com aquele sorriso satisfeito no rosto, como se tivesse vencido algum tipo de batalha. Não olhei para ele enquanto ajeitava o vestido e prendia o cabelo em um coque desajeitado. Peguei meu celular no bolso da bolsa e quase deixei cair quando a tela acendeu.

Doze chamadas perdidas do meu pai. Oito de Cassandra. E cinco de um número desconhecido.

Cliquei nas mensagens e vi o texto, supostamente de Dylan.

"Não quero mais essa merda de encontro. Você me deixou plantado e ainda tive que sair pra ajudar seu pai te procurar, tudo por causa de você sua vagabundinha fujona."

Respirei fundo, tentando segurar a raiva que subia pelo meu corpo. Meu coração disparava, mas não era por Dylan. Eu sabia que ele tinha razão de estar bravo, mas as palavras cortavam mais fundo do que deveriam.

— Está tudo bem? — A voz de Tom me trouxe de volta.

Olhei para ele, que agora vestia a camiseta. O tom da sua pergunta parecia mais preocupado do que deveria, como se ele estivesse lendo algo no meu rosto que eu não queria mostrar.

— É meu pai. — Falei rápido, travando o celular e colocando-o de volta na bolsa. — Ele,  Cassandra e dy.... ligaram várias vezes.

Quase falei sobre Dylan. Quase. Mas parei antes que as palavras escapassem. Por quê? Nem eu sabia. Talvez fosse o jeito que Tom me olhava, como se esperasse algo mais. Ou talvez porque eu sabia que mencionar Dylan estragaria o momento, e isso era a última coisa que eu queria agora.

— Preciso ir — Repeti, dessa vez, mais firme.

— Eu te levo.

Revirei os olhos, balançando a cabeça.

— Não, Tom. Meu pai pode te ver. Não é uma boa ideia.

Ele cruzou os braços, parecendo se divertir com a minha tentativa de controle.

— E você acha que é uma boa ideia andar sozinha nessa hora? São quase cinco da manhã, Yolanda. — Ele deu um passo à frente, o rosto assumindo uma expressão mais séria. — Escuta, seria melhor você esperar mais tarde... ou dormir na minha casa.

Olhei para ele, surpresa.

— Na sua casa? — Perguntei, tentando não soar tão descrente. — Não é você que não gosta que eu fique em sua casa?

Inefável Onde histórias criam vida. Descubra agora