"Eu sabia que ele não era o tipo de amor que eu queria, mas de alguma forma, parecia que eu não tinha escolha. A obsessão dele me consumia, e eu estava começando a temer que fosse tarde demais para sair."
YOLANDA
Eu havia adormecido sem conseguir responder à última mensagem dele, mesmo depois de horas olhando para a tela, tentando achar as palavras certas. Não era fácil. Nunca foi fácil com ele. Tony não sabia pedir, só exigia. Nunca havia dito que era meu namorado, mas agia como se minha vida fosse sua propriedade. E no fundo, eu permitia. Porque era mais fácil do que enfrentar o caos que viria se eu não o fizesse.
Assim que o despertador tocou, apaguei o som e peguei o celular, esses dias estou acordando antes desse maldito despertador, a luz da tela me cegando momentaneamente. Havia novas mensagens dele, e minha pulsação acelerou. Uma mistura de medo e expectativa me tomou. Será que ele finalmente entenderia? Será que diria algo que me fizesse acreditar que valia a pena continuar com isso?
Abri a conversa, minhas mãos hesitaram sobre a tela enquanto lia:
"Hoje é um novo dia. Espero que essa ideia de me deixar esteja fora de cogitação. Você ainda está pensando nisso? Não me respondeu ainda."
Fiz um esforço para engolir em seco, mas minha garganta estava seca, as palavras dele me prendendo em um turbilhão de pensamentos. Ele não perguntou como eu me sentia, nunca perguntava. Era sempre sobre o que ele queria. O que ele exigia. E o mais perturbador era que havia uma intensidade naquilo que me deixava amarrada.
Antes que pudesse absorver tudo, outra mensagem chegou.
"Eu já disse que não vou aceitar nada disso, então pense bem."
Senti meu coração disparar. Como ele conseguiu? Apenas algumas palavras e eu já estava de volta ao lugar que jurava que nunca mais estaria: dominada pelo medo e, ao mesmo tempo, pela necessidade de agradá-lo. Ele me fazia duvidar de tudo, inclusive de mim mesma.
Me joguei de volta contra o travesseiro, apertando o celular contra o peito, como se pudesse afastar os pensamentos intrusivos que se infiltraram na minha mente. Ele me acha atraente? Ou sou apenas um objeto, algo que ele sente prazer em controlar? Porque, às vezes, parecia isso. Não havia carinho nas palavras dele, não havia declarações de amor. Mas havia posse. E, no fundo, talvez isso fosse o mais perto que eu chegaria de ser amada por alguém como ele.
Balancei a cabeça, tentando afastar esse pensamento. Não, não podia ser. Mas enquanto ficava deitada, com as palavras dele queimando em minha mente, senti a dúvida crescendo. Será que algum dia ele realmente me enxergaria? Ou eu era apenas mais uma na lista interminável de conquistas que ele tentava manter sob controle?
Não consegui me levantar. Fiquei ali, o celular ainda na mão, tentando digerir o peso do que aquilo significava. Talvez o mais perturbador fosse o fato de que, apesar de tudo, parte de mim não queria deixá-lo. Parte de mim acreditava que ninguém mais seria capaz de me possuir da forma como ele fazia, mesmo que isso significasse abrir mão de partes de mim que eu nunca deveria ter cedido.
Queria respondê-lo, mas não sabia o que dizer. Poderia ser sincera e admitir que ele me deixava confusa, que eu não sabia se era amada ou apenas controlada. Mas sabia que isso o deixaria ainda mais irritado. Tony não aceitava vulnerabilidade. Ele a via como fraqueza, e fraqueza era algo que ele desprezava.
Talvez fosse isso que mais me incomodava: eu era fraca. Porque, por mais que ele me sufocasse, eu não conseguia ir embora. E talvez ele soubesse disso. Talvez fosse por isso que continuava assim, tão seguro, tão implacável.
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Inefável
FanficYolanda, uma garota fria com intenções quentes, carrega a lembrança de Tony, seu protetor e amor de infância. Juntos, prometeram ficar juntos quando crescessem, mas Tony desapareceu sem deixar rastros. Anos depois, Yolanda se envolve com Tom Kaulitz...
