Capítulo 30

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"A perseguição vem de todos os lados, mas apenas de uma pessoa específica."

YOLANDA


A luz fraca do amanhecer invadia o quarto através da cortina entreaberta, desenhando sombras nas paredes. Ainda deitada, pisquei algumas vezes, tentando afastar o sono. O colchão ao meu lado afundava levemente, indicando a presença de Tom. Ele dormia tranquilamente, com a respiração regular, um contraste gritante com a tempestade que ele era acordado.

Minha atenção, porém, foi roubada por algo menor, mas tão poderoso quanto ele. O celular dele, apitando, estava ali, ao alcance da minha mão, repousando na mesinha ao lado. A curiosidade me corroía. Ele escondia tanto... tantas respostas que eu precisava e ele insistia em guardar para si.

Respirei fundo, hesitando por um momento antes de esticar o braço. A ponta dos meus dedos quase tocava o aparelho quando sua voz irrompeu no silêncio, grave e afiada como uma lâmina:

— Nem pense nisso, tire suas patas já!

Meu corpo travou, mas antes que eu pudesse reagir, ele se moveu. Em um instante, segurou meu pulso com força e me jogou de volta na cama. O colchão cedeu, e o ar escapou dos meus pulmões enquanto meu coração disparava. Não era só um susto. Era o jeito como seus olhos queimavam, aquele olhar que parecia atravessar a minha alma.

— Não se mete onde não é chamada, Yolanda. — Sua voz era baixa, mas carregada de um aviso que não deixava espaço para questionamentos.

Desviei o olhar, mordendo a língua para não responder. Meu peito ainda subia e descia rápido quando ele finalmente se afastou e saiu da cama. Eu permaneci ali por mais alguns segundos, encarando o teto e tentando ignorar a sensação de ser um pássaro preso em uma gaiola. Peguei minhas roupas que estavam no chão e vesti, em seguida, meu celular que estava no mesmo lugar, que antes estava o de Tom.

Quando descemos as escadas, o clima não parecia mais leve. Gustav estava sentado no sofá, com a testa franzida enquanto falava algo para Georg e Ashley, que ouviam com expressões igualmente sérias.

— Onde está a Megan? — Perguntei, quebrando o silêncio.

Uma voz calma e despreocupada veio de trás de mim.

— Bem aqui.

Me virei, e lá estava Bill, abotoando a camisa com um sorriso insolente no rosto. Megan surgiu logo atrás dele, ajeitando os cabelos de maneira nervosa, como se quisesse desviar a atenção.

A sala inteira pareceu congelar por um momento antes de explodir em uma confusão de olhares e murmúrios. Georg foi o primeiro a falar.

— Não acredito... vocês ficaram?

— Eu sabia que ia dar nisso — Ashley acrescentou, cruzando os braços com uma expressão que misturava divertimento e exasperação.

Megan ficou vermelha na hora, mas Bill apenas deu de ombros, sua postura casual, irritantemente inabalável.

— Não acredito que você ficou com o gêmeo idiota. — Eu revirei os olhos antes de disparar.

Bill ergueu uma sobrancelha, o sorriso dele se alargou.

— Cuidado com o que fala, Yolanda. Às vezes, os idiotas surpreendem.

Antes que eu pudesse responder, Megan se virou para mim, ainda vermelha, mas claramente irritada.

— Ah, como se você tivesse moral pra falar. Não foi você que passou a noite inteira se esfregando com o outro gêmeo idiota?

As palavras dela me atingiram como uma corrente elétrica. Minha mente me traiu, trazendo flashes das horas passadas com Tom. Duas vezes. Duas vezes ele me tomou como se o mundo fosse acabar, cada toque, cada suspiro queimando como fogo na minha pele. Depois, ainda ofegantes, tomamos banho juntos, e mesmo assim ele ainda parecia incapaz de soltar meu corpo.

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