Capítulo 65

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“Você vai sofrer por isso, e vou fazer questão de fazer você sentir.”

TOM KAULITZ

Cheguei em casa com a cabeça a mil, empurrando a porta com força antes de entrar. Gustav e Georg estavam no sofá, jogando videogame, enquanto Bill estava largado na poltrona com um cigarro na mão. Eu não disse nada. Fui direto até a geladeira, peguei uma cerveja e me joguei no sofá.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, provavelmente estranhando meu comportamento. A garrafa gelada estava na minha mão, mas minha cabeça estava longe, ainda presa naquela briga absurda.

— Tom, que porra é essa? — Georg perguntou, franzindo a testa.

Olhei para ele, confuso, até perceber que todos estavam encarando minha testa.

— Está sangrando — Gustav apontou, largando o controle de lado. — Pra caralho ainda!

Passei a mão na testa e vi os dedos manchados de vermelho, ainda fresco, como se estivesse pingando ainda. Sangue. Eu havia saído de lá tão cego de raiva que nem notei o corte que aquele maldito vaso fez.

— Nem tinha percebido — Murmurei, dando um gole na cerveja como se nada tivesse acontecido.

Georg riu, aquele riso incrédulo de quem não acredita no que está vendo.

— Apanhou do Bill e não quer admitir? — Ele provocou, arrancando um riso baixo dos outros.

— Cala a boca, Georg — Retruquei seco.

— Então foi de quem? — Bill perguntou, tirando o cigarro da boca e me analisando com aquele olhar curioso. — Porque pelo jeito que está, parece que foi alguém te acertando na cara.

— Foi uma garota? — Gustav entrou na conversa, cruzando os braços com um sorriso provocador. — Não era melhor ter deixado ela em paz?

O riso de Georg e Bill explodiu em uníssono, preenchendo a sala, enquanto eu apenas encarei a cerveja na minha mão, ignorando as provocações.

— Vocês não sabem de nada — Resmunguei, a voz baixa, mas carregada de raiva.

Eles continuaram rindo, mas eu não tinha paciência para isso. Eu não tinha paciência para nada. Yolanda tinha me tirado do controle, e agora, o caos dentro de mim parecia insuportável.

Bill deu mais uma tragada no cigarro antes de se inclinar na poltrona, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

— Então, vai assumir o filho ou não? — Ele soltou, casual, mas com aquela provocação que só ele sabia fazer.

Minha mão apertou o pescoço da garrafa de cerveja com tanta força que ouvi o vidro ranger. Olhei para ele, as palavras presas na garganta enquanto o sangue subia.

Bill percebeu a tensão, e seu sorriso se alargou. Ele se ajeitou na poltrona, sentando-se reto, como se estivesse se preparando para o pior.

— Está tudo resolvido. — Minha voz saiu firme, mas carregada de uma frieza que me surpreendeu. — Ela vai abortar.

A risada de Bill foi seca e sem humor. Ele balançou a cabeça, descrente, jogando a bituca do cigarro no cinzeiro antes de me encarar diretamente.

— Sério mesmo, Tom? — Ele perguntou, cruzando os braços. — Achei que você gostava dela. Você vive dizendo isso há anos, e agora… não quer o filho dela?

— Não tem nada a ver com isso, Bill — Rosnei, sentindo a raiva subir.

— Não tem? — Gustav interveio, erguendo uma sobrancelha. — Porque, pra mim, parece que tem tudo a ver.

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